Pouca gente sabe mas o longa Armageddon Time que chega nos cinemas nacionais agora em Novembro tem uma produtora brasileira envolvida. O mesmo vale para um dos hits do Oscar de 2018, o longa Me Chame Pelo Seu Nome. É a RT Features do produtor Rodrigo Teixeira.
E depois de lançar longas como O Animal Cordial (Gabriela Amaral Almeida, 2017), A Vida Invisível de Karim Aïnouz em 2019 e O Farol de Robert Eggers também em 2019, Teixeira lança seu segundo filme em parceria com o diretor James Gray, depois de Ad Astra – Rumo Às Estrelas (2019) com Brad Pitt.
Se trata de Armageddon Time com um time de outros grandes nomes de Hollywood, sendo dois deles vencedores do Oscar, como Anthony Hopkins e Anne Hathaway. O projeto ainda tem também o queridinho dos fãs do twitter o ator Jeremy Strong, da série Succession.
O longa tem roteiro e direção de Gray e acompanha o jovem Paul (Banks Repeta) e sua família na medida que eles vivem suas vidas no meio de uma época difícil nos EUA.
Em bate-papo com o site, Teixeira fala sobre como o projeto chegou na RT Features, o lançamento no Festival de Cannes no começo do ano, e suas apostas para o longa na temporada de premiações que ganha força efetivamente agora em Novembro.
Armageddon Time | Crítica: Um olhar para a simplicidade da infância em situações complexas
Confira abaixo.
Rodrigo Teixeira: Não sei se ela vai ganhar ou não. Tem sido ano bom, um ano generoso com o trabalho de atuação de maneira geral… eu acho que tem sido um ano bom. Para Armageddon Time, tá gerando um comentário bom entre críticos, e eu acho que isso pode surpreender na premiação dos críticos, valida muito para a Academia [Academia de Artes e Ciências Cinematográficas que vota no Oscar], aí para BAFTAs e Globo de Ouro. E acho que o estúdio tá fazendo trabalho muito bom de campanha, a gente sabe quando o estúdio quer que o filme vá… eu vejo muito o estúdio fazendo um trabalho excelente de divulgação. É um trabalho insano, e eu só vi isso, em filmes que eu trabalhei, só uma vez, que foi em Me Chame Pelo Seu Nome. E quando eu vejo o estúdio [aqui no caso da Focus Features e a Universal Pictures] trabalhando desse jeito, você vê que reflete indicação.
Qual [indicação] não sei dizer. Eu acho que esse filme, hoje, de tudo que eu vi até hoje, esse ano, eu acho que esse filme merecia algumas indicações… ganhar é outra história. Aí eu não tenho muito como responder, né?
Teixeira: A gente já ia desenvolver um próximo projeto durante o Ad Astra, que não era esse filme, que não era o Armageddon Time, é um projeto que a gente tá desenvolvendo agora, só que ele [Gray] resolveu inverter. Ele falou: “Cara, esse projeto não é para agora vai para depois e eu quero fazer um outro projeto com vocês.” Ele fez um pitch para mim [prática do mercado onde diretores, roteiristas vendem o projeto do filme para uma produtora ou estúdio] em 2018, eu tava filmando O Farol (…) voltei para Los Angeles para para ouvir a proposta e depois fechei com ele. E ele começou a desenvolver a história, que é uma história pessoal [dele] né? É a história da família dele. A partir daí começamos a desenvolver o projeto, ganhou corpo e virou Armageddon Time.
O que ele sempre me disse é que ele tinha o título [para o filme], o título remete uma música do Clash, e ao momento que as pessoas achavam que quando o Regan fosse eleito [como Presidente dos EUA] que ia ter o apocalipse e que o mundo ia acabar. Então esse era o título, ele tinha o título e a história na cabeça dele, então ele tinha que filtrar da memória, e contar essa história para gente.
É muito difícil [no começo de projeto] o diretor querer abrir muito. Eles não tem muita vontade de contar o que eles tão fazendo, a não ser for um coisa muito explicita, ou uma franquia. Ele não quer. Ele quer deixar um mínimo um mistério para você se surpreender, ou não, quando o filme sair.
Teixeira: Acabou que não foi uma decisão né? O Thierry Frambux [diretor do Festival de Cannes], é um fã declarado do James [Gray]. E o James já teve outros filmes em Cannes, a crítica francesa ama o James. O Ad Astra não ficou pronto para a Cannes em 2018, e se tivesse ficado pronto, teria ido, mas foi para a competição de Veneza. E o Thierry Frambux ficou atrás da gente atrás e falando que queria esse filme.
Não imaginávamos que daria tempo para o filme de ficar pronto. Aí um dia eu recebi uma ligação do estúdio falando “Olha a gente tá selecionado para Cannes não pode falar para ninguém. A gente vai tá em 45 dias no Festival.” Ai eu falei: Mas vai dar tempo? E todo mundo: Vai dar tempo. A gente parou a nossa vida para ficar respondendo documento.
Mas o filme foi bem recebido em Cannes. Foi uma das melhores recepções pelo termômetro de Cannes, não foi premiado, eu tenho minhas questões, mas foi bem recepcionado.
Teixeira: O dia foi muito importante porque a recepção foi muito boa. Por que até aquele momento o filme tinha tido a melhor nota no MetaCritics [um agregador de críticas no estilo do popular Rotten Tomatoes]. Então naquele momento, o vencedor da Palma de ouro seria naturalmente pelos críticos, o Armageddon Time. Depois outros filmes tiverem notas superiores, mas o filme foi extremamente bem recebido. Foi uma recepção muito bonita, muito calorosa, o James ficou muito emocionado. São sessões que te marcam. E no festival de Nova York também, o festival é um outro termômetro importante, os públicos são diferentes. O relacionamento do público com o filme em Cannes foi uma relação de choro e de emoção, e a relação em Nova York, foi que eles riram muito. O nova iorquino ele se enxerga dentro de situações que o filme apresenta. Então é diferente. Tipo, eu não consigo rir disso e os americanos sim, é um filme muito nova iorquino. Funcionou na Europa porque mexeu [com o público], ele é primo de filmes franceses. Tem uma relação com os filmes franceses.
Teixeira: Olha eu acabei de receber essa mensagem do estúdio, recebi na sexta-feira, preciso olhar. Preciso confirmar, mas ambos estão como Coadjuvantes. O Jeremy Strong entra muito forte como Ator Coadjuvante, eu acho que ele tem uma força muito grande como Ator Coajuvante para receber uma indicação, e a Anne Hathaway também.
E o próprio Anthony Hopkins também. São três atores que podem surgir. Os principais são os garotos, o Banks Repeta e o Jaylin Webb. (…) Mas eu acho que assim é mais difícil você indicar o Banks bem numa categoria em que você tem cinco nomes e ele é um garoto.
Acho que a Academia tem muito mais dificuldade, mas ele pode ser pintar uma surpresa, e ele ser indicado ao Oscar de Melhor Ator.
Teixeira: São dois estudos de porte diferente. A Sony Classic é menor que a Universal de investimento, então assim, sem dúvida nenhuma investimento em marketing de Armagedoon Time é infinitamente maior do que foi o investimento em marketing em Me Chame Pelo Seu Nome.
Me Chame Pelo Seu Nome tinha um fenômeno chamado Timothée Chalamet no filme que se tornou o fenômeno cultural, então o filme hoje é um fenômeno cultural. A gente não emplacou uma série de Oscars que a gente queria. Por exemplo, o Luca Guadagnino não emplacou Melhor Diretor. Eu acho que o James tem uma coisa também, aqui falando de Armageddon Time, que James é um diretor muito querido do Independente Americano que ainda não teve, não foi agraciado, com nomeação ao Oscar. Então eu acho que assim o James pode ser nomeado em Melhor Roteiro original, eu tô torcendo para Melhor Filme porque eu produzi então… e eu torço porque eu acho que ele é com certeza é um dos nove melhores filmes do ano, para mim, até agora, do que eu vi, ele entra. Espero que ele seja nomeado.
Armageddon Time chega em 10 de novembro nos cinemas.
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