Categories: NotíciasVariedades

Politizando Beyoncé: Raça, Gênero e Sexualidade

Partindo do pressuposto de que a cultura pop funciona como espelho social e político do mundo contemporâneo, o curso Politizando Beyoncé: raça, gênero e sexualidade” analisa a estética da cantora, que se converteu em pop star, trazendo para reflexão tópicos relacionados à indústria cultural, à dinâmica do espetáculo e ao entretenimento, conectando-os com as clivagens raciais, de gênero e de sexualidade.

Filósofas e ativistas feministas como Angela Davis, Beatriz Nascimento, Alice Walker, Lélia Gonzalez, Grada Kilomba, Audre Lorde, Sueli Carneiro, Luiza Bairros, Jurema Werneck bem como pensadoras (es) da indústria cultural e do entretenimento serão referências que nos guiarão em nossa jornada. O curso contará ainda com a participação de convidadas (os) do mercado de mídia que contribuirão para uma visão plural do trabalho de Beyoncé e das práxis feministas.

O impacto das últimas produções de Beyoncé, seus dois álbuns visuais “BEYONCÉ” (2013) e “Lemonade” (2015), foi tão expressivo que suscitou a oferta de cursos em universidade ao redor do mundo, como em Copenhage, Harvard e Rutgers.

Encontro I – Indústria cultural, entretenimento e cultura pop: a presença de artistas mulheres, negros e trans

Este encontro tem como propósito explorar os múltiplos aspectos da cultura pop, pondo em relevo a ascensão da indústria do entretenimento sob os interesses do capital. Aborda a emergência de artistas negros, mulheres e trans, apontando as clivagens de raça, gênero e sexualidade no processo de projeção imagética dos símbolos artísticos mundiais no mercado de bens simbólicos e culturais.

As(os) cursistas terão a oportunidade de assistir integralmente o disco ‘BEYONCÉ’ (2013), que desafiou as lógicas da indústria musical e estabeleceu diálogos sobre relacionamentos afetivos, sexualidade feminina e queer. Este álbum presta homenagem a ícones como Grace Jones, Madonna, Donna Summer e Chimamanda Ngozi Adichie.

Encontro II – Politização da estética: Beyoncé militante, artista ou ícone do entretenimento?

Neste encontro discutiremos as possibilidades de politização da estética de Beyoncé apresentando, em linhas gerais, os vínculos entre a indústria do entretenimento e as novas performances sociais e individuais que carregam inegavelmente um apelo político transformador. Movimentando-se numa galeria pós-pop, a estética de Beyoncé reposicionou no espaço público discussões sobre raça, gênero e sexualidade provocando diferentes maneiras de decifração. Afinal, o que representa sua tecnoperformances? Entretenimento, arte ou ativismo? Ou os três juntos?

Será exibido o álbum visual ‘Lemonade’, considerado um divisor de águas na história do audiovisual e da cultura POP. Em ‘Lemonade’, Beyoncé cria pontes de diálogo com ícones como Malcolm X, Nina Simone e Eartha Kitt. Como no álbum anterior, a artista adota a metodologia de criar videoclipes para todas as faixas de seu registro de inéditas – dessa vez com a diferença de uma história autobiográfica e linear, que versa sobre as representações das mulheres negras na sociedade.

Encontro III – Estetização da política: quais os enfrentamentos possíveis?

Se a indústria do entretenimento pode sofrer agenciamentos da política, o contrário também é verdadeiro. O nosso terceiro encontro irá enfrentar o contramovimento que a obra de Beyoncé nos faz percorrer. A política contemporânea deixou de ser exclusiva dos espaços tradicionais, migrando para territórios outros, inabituais, que vêm tornando visíveis reivindicações e plataformas políticas advindas do campo do entretenimento e da indústria cultural.

Será exibida integralmente a performance de Beyoncé no Coachella. É válido lembrar que ela foi a primeira artista negra a ser headliner do tradicional festival norte-americano. O show funcionou como um retorno aos palcos de Beyoncé: nele, ela prestou referências aos Panteras Negras, Nefertiti e às universidades negras norte-americanas.

Encontro IV – Beyoncé e as novas agendas da política contemporânea

A emergência de novas subjetividades no jogo político faz com que tensões no campo das relações raciais, de gênero e da sexualidade ganhem novas abordagens com os agenciamentos dos sistemas de mídia, das dinâmicas da indústria do entretenimento que acabam por incidir nas agendas políticas da contemporaneidade. Beyoncé é uma das figuras que emblematiza o novo curso dessas agendas, num percurso sinuoso em que múltiplas leituras e abordagens são possíveis e válidas.

Em continuidade às pílulas provocativas audiovisuais, nesse encontro os participantes discutirão o impacto do trabalho de Beyoncé na indústria brasileira e no mundo, assistindo a vídeos de artistas como Glória Groove, Elza Soares, Janelle Monae, entre outras. Algumas indagações/provocações nortearão o debate: quais são as potências criativas que ela enseja? O que mudou no mercado? A quantas anda a representação feminista e LGBTQIA no imaginário pop?

Publicidade

Sobre os Ministrantes

Alisson Prando – Pesquisador pelo CNPq com as temáticas de gênero, sexualidade e feminismo através de perspectivas butlerianas. Atua também enquanto blogueiro e jornalista pelos portais DiscoPunisher e WhatElseMag, onde entrevistou mais de 200 ícones populares, de Caetano Veloso à Charli XCX, de Elza Soares à Pabllo Vittar, recebendo mais de 2 milhões de visitas. É um dos membros fundadores do grupo #partidA proposto por Márcia Tiburi.

Rosane Borges – Jornalista, pós-doutora em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo, professora colaboradora do grupo Estética e vanguarda da ECA, articulista da Revista Carta Capital, do blog da Editora Boitempo e do site Jornalistas Livres. Autora de diversos livres, entre eles: Espelho infiel: o negro no jornalismo brasileiro (2004), Mídia e racismo (2012), Esboços de um tempo presente (2016).

Mayra Ribeiro – Pós-graduada em Psicologia e atua como Educadora Social. Através de perspectivas do Feminismo Negro, atua na transformação e empoderamento educativo de base na Uneafro Brasil Laura Vermont, com ênfase na intersecção entre identidade de gênero, raça e classe.

SERVIÇO

Politizando Beyoncé: raça, gênero e sexualidade
Onde: Sesc Carmo | Rua do Carmo, 147 – Sé – São Paulo/SP
Quando: 7, 14 e 21 de fevereiro, às 17h
Quanto: Gratuito
Informações: https://www.facebook.com/events/278559819737517/

Publicidade

Publicidade
Danilo Artimos

Sou formado em Sistemas de Informações, e amante de cinema, televisão e teatro...

Recent Posts

Casamento Sangrento: A Viúva | Crítica: Tudo ou nada, mais para nada (de novo)

A noiva de tênis amarelo de Samara Weaving está de volta, onde Casamento Sangrento: A…

7 horas ago

Primeiras imagens de Wild Horse Nine são liberadas; Sam Rockwell lidera elenco

Depois de Oscar, Sam Rockwell retoma parceria com Martin McDonagh no longa Wild Horse Nine;…

10 horas ago

Nova versão de O Grande Dragão Branco em desenvolvimento na A24; Michaela Coel cuida do projeto

Nova versão de O Grande Dragão Branco em desenvolvimento na A24; Michaela Coel cuida do…

10 horas ago

Jake Gyllenhaal vai passar lua de mel com sogro em longa para Amazon Studios

Jake Gyllenhaal vai passar lua de mel com sogro em longa para Amazon Studios; Kevin Costner…

11 horas ago

Netflix confirma elenco principal para a série em live-action de Scooby-Doo

Netflix confirma elenco principal para a série em live-action de Scooby-Doo; confira quem é quem

12 horas ago

Longa com Halle Bailey e Regé-Jean Page ganha nova data de estreia no Brasil

Longa com Halle Bailey e Regé-Jean Page ganha nova data de estreia no Brasil

13 horas ago