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Pluribus | Primeiras Impressões: Uma série de mistério COM RESPOSTAS

Engraçado notar que Pluribus, talvez, faça um dos melhores primeiros episódios de uma série de TV dos últimos anos e tenha tido basicamente zero divulgação antecipada. Uma coisa aqui, lá em alguma convenção de fãs, outra ali, em poucas matérias na imprensa especializada, poucos screeners foram liberados com antecedência e o embargo do seriado caiu no momento que a série estreou no AppleTV.

Poderia ir para qualquer lado e pessoal gostar ou detestar. Mas, ainda bem que Pluribus surpreendeu, e realmente apresentou alguma coisa realmente bacana.

Foto: Courtesy of Apple. All Rights Reserved.

E o novo projeto de Vince Gilligan (do mega sucesso Breaking Bad) chega num movimentado final de ano, e parece ser aquele tipo de série que vai ser divulgada no boca-a-boca e que ao longo da temporada sua audiência só deva crescer e crescer.

Foi assim com Ruptura, foi assim com Euphoria, foi assim com Bebê Rena, foi assim com Adolescência,foi assim com The Pitt: pouca divulgação, depois você entrava nas redes e todo mundo parecia estar obcecado com a atração, na expectativa para o próximo capítulo, com debates acalorados entre episódios.

E, talvez, essa estratégia de Gilligan, ajudou a se criar essa aura para Pluribus e realmente, tem um motivo por trás: é melhor mesmo você ir saber pouco sobre a atração e ser não só surpreendido pela genialidade do roteiro, do que te espera nessa primeira leva de dois episódios e pela atuação de Rhea Seehorn(que trabalhou com Gilligan em outros projetos como Better Call Saul).

Mas como falar de Pluribus sem dar muito spoiler e ainda assim tentar te convencer a ver no meio da enxurrada de conteúdo disponível atualmente? Vamos seguir a cartilha da Apple e dizer que a atração acompanha a história de uma autora de sucesso (de uma grande franquia de livros de fantasia) chamada Carol (Seehorn, carismática em todas as cenas possíveis) que se vê de uma outra para outra num mundo onde todos são felizes e prestativos e ela é amarga e mal-humorada.

O grande trunfo, e o que impressiona em Pluribus, além claro da atuação de Seehorn,é que o texto, e a direção, sabem muito bem nos conduzir através dessa história de apocalipse e ficção científica. Mas daria para classificar Pluribus assim?

Como uma série de mistério, Pluribus é uma série que trabalha suas perguntas ao mesmo tempo que trabalha já suas respostas e faz novas perguntas. E usa um irritante, mas, bem útil, relógio para nos guiar ao longo das peças desse quebra-cabeça. E você sente, você vê a preocupação da produção em nos ambientar para esse mundo e o que acontece com ele. Assim, fica claro, logo de cara, que o valor de produção de Pluribus é enorme e você sente que é uma série cara e que gastou se muito nela.

Foto: Courtesy of Apple. All Rights Reserved.
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Outro destaque é que fica claro também que a atração realmente não tem espaço para se definir como um gênero único, afinal, Carol vive momentos de puro terror (e a série, visualmente, até brinca com esse sentimento de angústia) quando descobre o que aconteceu no mundo e que ela, e pelo menos 11 outras pessoas, entre mais de 7 bilhões de pessoas que vivem no planeta, não foram afetados pelo que aconteceu.

A a série já logo estabelece que agora todo mundo vive num estado de transe coletivo e compartilham, de uma certa forma engraçada, as mentes, sentimentos, e informações. Mas essa pitada de terror não se mantém 100% ao longo da atração. O roteiro tem também, como falamos, um certo humor, uma certa acidez, afinal, vemos todo mundo ser extremamente simpático, desde um representante do governo (Peter Bergman) que situa a personagem nos acontecimentos do mundo, passando por um menino de 9 anos consegue falar sobre cirurgias e alguém (Karolina Wydra), em algum momento, que sabe a raiz quadrada de um número extremamente longo e tudo isso com um sorriso no rosto.

E também Pluribus acaba por ser um drama que mostra a vida da personagem lidando com as consequências desse evento no mundo, na humanidade, e com ela, e aparentemente com a sua única família, sua esposa e empresária Helen (Miriam Shor). E somando com tudo isso, Pluribus acaba por ser também uma grande, e instigante série de puzzle box(ou seja, tem um grande mistério, um complexo cheio de pistas, subtramas, e reviravoltas).

E ao entendermos que Pluribus flerta com diversos tipos de narrativa, percebe-se também que a série não vai parar por aí. Já que em boa parte dos dois primeiros, o texto avança na narrativa, e vai direto ao ponto para responder diversas perguntas. Um grande avanço para as produções do streaming que ultimamente marinam o espectador para fazer com que passamos mais tempo assistindo para inflar as métricas de visualizações.

Aqui não existe essa coisa de “melhora no terceiro episódio” coisa nenhuma. Pluribus já entrega muita coisa nesse começo, e também nos deixa com o sentimento de “para onde vai tudo isso?”. Desde de Carol processando seu luto, e sua perda, para os questionamentos mais abrangentes do futuro da humanidade, e até mesmo o que ela descobre (no episódio 2) sobre como ela é uma peça fundamental e importante para essa grande comunidade que vive se forma “pacífica” e “de boa” no mundo.

Assim, Pluribus aposta no NOSSO boca-a-boca para contarmos e repassarmos a história de Carol vs o que sobrou da humanidade para frente. E com uma temporada enxuta, de 9 episódios, e já renovada para uma segunda, parece que não vamos ter tempo a perder e gastar com momentos apenas para encher linguiça. No final, esperamos que Gilligan que já tenha tudo mapeado em Pluribus e pronto para ser apresentado para nós. Nós mal podemos esperar para ver o que vai acontecer com a Carol em seguida.

Os dois primeiros episódios de Pluribus já estão disponíveis no AppleTV e a série exibe um novo episódio toda sexta-feira.

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