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O Sobrevivente | Crítica: Venha pelo carisma de Glen Powell

O Sobrevivente(The Running Man, 2025) não foge de como o diretor Edgar Wrighttem trabalhado ultimamente, mas também entrega o filme mais comercial da carreira dele, até agora. Com um olhar bastante único e estiloso para contar suas histórias, o britânico tem a tendência de se aliar com novos artistas em ascensão em Hollywood para ambos se ajudarem a catapultarem suas presenças no mercado mais mainstreaming.

Foi assim com a parceria de Wright com Ansel Elgort e Lily James em Em Ritmo de Fuga e com Thomazin Mckenzie, Anya-Taylor Joy e Matt Smith em Noite Passada em Soho. E agora, anos depois, com O Sobrevivente, Wright se alia com Glen Powell, o carismático jovem ator que tem pego Hollywood feito um furação e entregue um 2025 com tudo. 

Foto por Photo Credit: Ross Ferguson/Ross Ferguson – © 2025 PARAMOUNT PICTURES. ALL RIGHTS RESERVED.
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Remake do longa dos anos 80 estrelado por Arnold Schwarzenegger e baseado na obra de Stephen King de mesmo nome, O Sobreviventeé uma mistura de filme sobre um reality show perigoso, com um toque de Jogos Vorazes, que se passa num futuro distópico e abraça a temática “brigue contra o sistema”,  mas que realmente decola por conta de Powell que aqui se assume como um “lead man” de respeito e uma posição que Hollywood tem tentado emplacar novos rostos há anos.

Mas, talvez, Powell não esteja ainda neste momento de sua carreira. Ainda.  Afinal, O Sobreviventeé uma receita que envolve diversas variáveis que Wright tenta a todo custo fazer acontecer. E às vezes as coisas dão certo, às vezes, não. Mas de certa forma é a presença de Powell como essa figura que está prestes a lutar contra uma mega corporação para salvar sua família que dá a faísca necessária para O Sobrevivente empolgar.

É divertido ver Powell na figura de Ben Richards, um trabalhador que faz todos os bicos possíveis para juntar dinheiro para prover para sua filha doente e mulher Sheila (Jayme Lawson), enquanto passa por todos os percalços possíveis (briga com o chefe depois de ser demitido e tudo mais) até chegar a ser o grande competidor do programa The Running Man. No universo do filme, o programa é o reality show de maior audiência da TV, num futuro distópico, em que os competidores, como bem diz o título do filme, precisam correr e fugir para sobreviver na tentativa de ganharem 1 bilhão na moeda atual. Coisa que ninguém até agora conseguiu chegar muito perto.

Dia após dia, quando a nova temporada começa e novos participantes são selecionados, é como ver um grande Big Brother só que mais letal, mais perigoso e violento se desenrolar na medida que três deles (com classificações diferentes que são explicadas ao longo do filme) precisam lutar para se manterem vivos, enquanto fogem de um exército criado pela própria emissora para irem atrás deles. Mas o público de casa também quer participar e não só acompanha o programa nas noites a fio, como também pode ter a chance de ganhar um trocado se dedurar a localização de quem eles veem na TV.

Foto por Photo Credit: Ross Ferguson/Ross Ferguson – © 2025 PARAMOUNT PICTURES. ALL RIGHTS RESERVED.

E por mais que O Sobrevivente tenha um início um pouco mais lento e bastante introdutório, até mesmo para inserir o público nesse universo, a ação começa a ficar desenfreada quando vemos Ben ser recrutado pelos executivos do canal (O logo N de Network também acaba por uma grande piscadela/crítica/aceno para Netflix) liderados por também um carismático Josh Brolin e que também está tendo um bom ano com o filme e A Hora do Mal lançado alguns meses atrás.

Assim, O Sobrevivente cai de cabeça no universo criado e apresentado por Wright nos primeiros 20 minutos do longa. E é um universo bem sedutor e uma criação de mundo bastante interessante como todos os mundos que Wright apresenta. Mas ao mesmo tempo o filme parece muito uma coisa presa nas distopias que fizeram sucesso nos anos 2000 sabe? Jogos Vorazes, Divergente, Maze Runner. É como se O Sobrevivente quisesse ser um Blade Runner e acabasse por ficar na versão para TV do sucesso de Harrison Ford.

Claro, o programa dentro do filme é bacana, as discussões que o filme levanta também, e os personagens do filme são muito legais de acompanhar. Seja o apresentador canastrão interpretado por um excelente Colman Domingo, ou o chefe do exército da emissora que passa o filme todo com uma máscara para depois vermos que é interpretado pelo ator Lee Pace, ou até mesmo cameos de nomes conhecidos como Katy O’Brian, William H. Macy e Michael Cera que são meio que introduzidos na história apenas para fazerem a trama de Richards girar.  

E na medida que O Sobrevivente acompanha Richards suando, sangrando e correndo por aí, às vezes de só de toalinha saltando pelos prédios, a narrativa do longa vai para o caminho que essas distopias normalmente vão com o protagonista se tornando uma espécie de mártir para o povo e o início de uma revolução popular se aproxima.

 Assim, na medida que Richards rouba carros, sequestra civis (em ótimos momentos com Emilia Jones) e embarca em um avião, com as câmeras todas ligadas e o público conectado e os índices dando picos, O Sobrevivente vai por mostrar que mesmo no futuro será que vale tudo pela audiência? 

No final, O Sobreviventetermina com a sensação que já vimos esse filme algumas vezes, mas o sentimento de estar entretido nessas pouco mais de duas horas é tão grande, é tão satisfatório que é impossível sair e dizer que você não passou bons momentos com o filme. E, às vezes, um protagonista que transborda carisma, uma distopia manjada dos anos 2000, é a opção mais que válida para passar algumas horas dentro de uma sala de cinema. Às vezes, seguir uma fórmula, é uma opção segura, por mais que você seja um diretor autoral e tenha um olhar único para todos os seus projetos.

Nota:

O Sobrevivente chega nos cinemas nacionais em 20 de novembro.

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