A trajetória da diretora Emerald Fennell com histórias de obsessão segue firme agora que temos a adaptação do livro de Emily Brontë para as telonas com “O Morro Dos Ventos Uivantes” (“Wuthering Heights”, 2026).
São 3 projetos com o tema e três acertos. Depois dos impressionantes Bela Vingança (2020) e Saltburn (2023), Fennell se debruça mais uma vez numa história difícil, mesmo que até que bastante conhecida, mas que aqui vem para ser contada com uma certa modernidade e que é alçada pela popularização das fanfics on-line, filmes hot, e o movimento conhecido online como “shippar”.
E ao mesmo tempo que “O Morro Dos Ventos Uivantes” de Fennell abraça tudo isso, sabe pontuar muito bem as falhas de caráter que esses dois personagens, e a relação tumultuada, que eles tem e é apresentada aqui. E para isso, Fennell tem em tela, dois atores extremamente competentes para contar a SUA VERSÃO dessa história, onde, é inegável o quão bons estão Margot Robbie e Jacob Elordi em seus papéis.
E não só isso, Fennell entrega com “O Morro Dos Ventos Uivantes” o filme mais charmoso e bonito de sua filmografia. Claro, Bela Vingança e Saltburn já tinham visuais bem caprichados, mas tudo isso é elevado aqui em “O Morro Dos Ventos Uivantes” e que faz um romance gótico, de época, bastante convidativo de se assistir. Mesmo não sendo o melhor dos três, o longa não só é visualmente magnífico do começo ao fim, mas, de fato, faz uma experiência sensorial de se assistir, da primeira para a última cena e uma de realmente tirar o fôlego.
De quando o filme começa, onde, num primeiro momento, a tela está preta e só ouvimos barulhos, que soam como uma coisa, mas que no final, quando vemos as imagens do que acontece aparecer, e enfim, podemos notar e perceber que o que estamos a ver é alguma outra coisa completamente diferente.
Isso é o que dita o tom do que esperar, não só da história, mas também da forma como Fennell vai contar ela. Afinal, “O Morro Dos Ventos Uivantes” é um grande jogo de intrigas, de disse me disse, e de conflitos e Fennell imprime o ar novelesco e teatral aqui.
Claro, a narrativa acaba por ser esticada um pouco mais, lá para o meio, principalmente depois que o tempo passa e esses personagens precisam lidar com as consequências de alguns dos eventos que acontecem, mas tudo em “O Morro Dos Ventos Uivantes” é tão bonito, tão hipnotizante, tão impactante de se ver que é como o espectador fosse jogado para dentro do filme e não desse muito tempo de notar tudo isso e suas falhas.
Afinal, o texto de Fennell, adaptado da obra de Emily Bronthë, leva um tempo para construir esses personagens e o que podemos esperar deles enquanto a trama avança e o tempo passa. E bem, fica claro que tanto Cathy (Robbie, um espectáculo) quanto Heathcliff (Elordi, finalmente deixando o estigma de ser apenas um rosto bonito num mar de rostos bonitos em Hollywood) não são boas pessoas e vivem de um morde e assopra eterno.
A atriz mirim Charlotte Mellington nos apresenta a geniosa e possessiva Cathy de uma forma que vemos pequenos momentos que vão dar a chance para Robbie pegar a personagem na virada da trama que temos em “O Morro Dos Ventos Uivantes” e na fase adulta para conseguirmos entender as motivações dela ao aceitar o pedido de casamento do vizinho Edgar (Shazad Latif) e deixar, não só, a vida no Morro dos Ventos Uivantes, como também o pai (Martin Clunes), e de certa forma também uma vida com Heathcliff (interpretado pelo vencedor do Emmy Owen Cooper na fase jovem) para trás e partir com o noivo, e com a dama de companhia Nelly (Vy Nguyen e Hong Chau em diferentes idades) para viverem na mansão cheia de luxo que o pretendente oferece junto com as mordomias e regalias. Até existe uma sala só para fitas!
Fennell consegue mostrar o quão esses personagens todos abraçaram suas oportunidades de mudarem de vida e como essa oportunidade muda todos eles. Da própria Cathy que, orgulhosa e mimada, conseguiu tudo que quis, para ardilosa e manipuladora Nelly que conseguiu também deixar a vida que vivia no Morro e partiu para viver no casarão, para Edgar que conseguiu se casar com uma bela pretendente e não só viver só com a excêntrica Isabella (Alison Oliver também muito bem e em um papel difícil e que não soa totalmente caricato).
Claro que o mesmo vale para Heathcliff que anos depois retorna, já com dinheiro, e procura Cathy e o lar que deixou. Fennell consegue de forma bastante impressionante que “O Morro Dos Ventos Uivantes” mostre visualmente as diferenças na vida desses personagens, onde a primeira parte tem uma iluminação escura, um aspecto sujo para a segunda parte tudo mudar onde tudo é bem iluminado, os personagens bem vestidos e tudo é cercado de luxo, joias e figurinos espalhafatosos.
E esse é outro destaque de“O Morro Dos Ventos Uivantes”. Mais um dentro de uma lista só de acertos. Os figurinos aqui são realmente bastante interessantes e que não só ajudam a contar a história como também são deslumbrantes. É como se realmente a produção do filme (da mesma figurinista de Barbie, Jacqueline Durran, duas vezes vencedora do Oscar) quisesse bancar os exageros não só de Cathy, mas também de Edgar para impressionar a esposa.
E assim, temos uma sequência de troca de roupas bastante chamativas em tela, onde todos os personagens tem figurinos impecáveis. Principalmente alguns que fazem parte de uma das sequências mais bacanas de “O Morro Dos Ventos Uivantes”, uma onde vemos o tempo passar para Cathy com uma montagem com a trilha da cantora do momento Charli XCX ao fundo.
E com Heathcliff de volta, e Cathy balançada sobre o retorno dele, e a possibilidade de enfim terem alguma coisa, a trama parte para um jogo de gato e rato entre eles que estica a trama para vermos os dois geniosos personagens em disputa para ver quem cede primeiro. Já que Cathy e Heathcliff se provocam, com discussões acaloradas, olhares em jantares, e pregam pegadinhas e peripécias um para cima do para o outro.
E nesse meio todo vemos todos os outros personagens se verem também envolvidos nesse furação de desejo, cobiça, inveja e loucura que os dois vivem. Enquanto a relação de Cathy e Heathcliff oscilam entre amor, obsessão e ódio, Fennell sabe muito bem não abusar da sensualidade para desenvolver essa dinâmica.
As cenas, claro, são carregadas de insinuações, mas Fennell aposta no toque, em suspiros, em puxões de espartilhos em cima de morros para contar isso e não efetivamente em cenas efetivamente mais ousadas, o que mostra a diferença de termos uma mulher por trás das câmeras para contar essa história.
Quase como o ditado “ladra, mas não morde”, “O Morro Dos Ventos Uivantes” flerta muito mais do que apresenta alguma coisa mais ousada. Fica no charme de Elordi, na beleza estonteante de Robbie, no olhar de cobiça que ambos tem um com outro, com o plano de Heathcliff de casar com Isabella para ferir os sentimentos de Cathy e “se vingar” de Edgar, para os planos de Nelly, com um trabalho fenomenal de Chau, de continuar a manter seu status para bancarem o desenrolar da trama e tudo mais.
No final, “O Morro Dos Ventos Uivantes” acaba como o despertar de um sonho, quase uma alucinação, e mostra que de certa forma Cathy e Heathcliff se encontram em suas próprias loucuras e devaneios de uma forma teatral e exagerada, quase como uma hipérbole de tudo que vimos nas últimas horas. Na medida que eles se destroem, Fennell acaba por deixar, nós, os espectadores, também devastados. E isso é lindo, e poético, de se assistir, por mais problemático que esses personagens sejam.
“O Morro Dos Ventos Uivantes” chega em 12 de fevereiro nos cinemas nacionais.
Confira nossa entrevista com os dubladores d Cara de Um, Focinho de Outro.
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