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O Mago do Kremlin | Crítica: Paul Dano faz magia em longa que dura mais que viagem para Rússia

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O Mago do Kremlin (The Wizard of the Kremlin, 2026) estreou com muita pompa no festival de Veneza lá no ano passado, mas também não emplacou, ou fez sucesso como parecia que iria fazer. Afinal, o longa tinha uma combinação que parecia ser uma receita pronta de sucesso: era nova aposta do diretor Olivier Assayas, tinha um elenco reunido aqui, que chamava atenção, e formado por Paul Dano (após participação em Batman como um dos grandes vilões, o Charada), Jude Law (após participação na franquia Animais Fantásticos) e Jeffrey Wright (também após participação em Batman só do lado dos mocinhos, como o Comissário Gordon), e pela história que contava aqui, uma extremamente atual para o cenário político e social que vivemos que é a dominação de Vladimir Putin na Rússia moderna.  

Photo by Carole Bethuel
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É quase como se O Mago do Kremlin fosse uma grande história de origem de como Putin chegou ao maior cargo do governo russo e se mantém no poder há tanto tempo. Mas não é uma história de origem sobre Putin em si, e sim, sobre como tudo foi arquitetado para fazê-lo chegar lá. E claro, principalmente, para mostrar a trajetória que colocou essa figura no poder, e que levou um dos maiores países do mundo a embarcar em diversas guerras, que nos últimos anos, tem movimentado a geopolítica na Europa e no mundo.

Mas, ao assistir ao filme, que chega meses e meses depois aos cinemas nacionais, é compreensível entender os motivos que não fizeram O Mago do Kremlin emplacar após a passagem em Veneza. Afinal, o que parecia ser um filme político daqueles super interessantes de se assistir, meio que sofre uma narrativa um pouco datada demais, quase novelesca, para contar essa história.

Com capítulos espaçados e em excesso, O Mago do Kremlin sofre por ter muita coisa acontecendo em sua narrativa, com muitos momentos históricos para abordar e sem saber lidar com tudo o que tem para contar. E diferente do que Vadim Baranov (Dano) faz no filme, e com a figura de Putin (Law), O Mago do Kremlin não sabe fazer um show e colocar o espetáculo acima da história. O Baronov de Dano vem do livro de Giuliano da Empoli de mesmo nome que é baseado no político russo Vladislav Surkov e mesmo protagonista do filme fica claro que nem ele é o protagonista dessa história e sim o legado que ele deixou.

Diferente de O Aprendiz, do diretor Ali Abbasi, que tinha combinações similares, e que contava a história de outra figura política caótica, o Presidente Donald Trump, O Mago do Kremlin parece querer ir para um lado mais sério, e menos, chamativo para contar essa história. Se fosse uma produção com o selo HBO, com episódios semanais, talvez, tivéssemos um outro olhar sobre como tudo aconteceu.

Photo by Carole Bethuel

Talvez, seja o mesmo problema que tivemos com Wasp Network, outro longa de Assayas que sofreu com o mesmo problema. Um trabalho que é grandioso demais, complexo demais, e que precisou ser enxugado, editado, e encaixotado para caber num longa com pouco mais de 2 horas.

Afinal, conta essa história que se passa ao longo de quase 30 anos de duração, desde da adolescência de Vadim, passando pela faculdade onde ele conhece a atriz Ksenia (Alicia Vikander), passando para o momento em que trabalhou como produtor de um canal de TV para depois ser estrategista político e ir trabalhar para Putin, o antigo líder da KGB que assume o poder no meio da transição da União Soviética para a Rússia Moderna.

E depois com os principais, e obscuros, acontecimentos que marcaram o governo de Putin nos anos posteriores que vão desde as eleições no final da década de 90 e início dos anos 2000, o desaparecimento do submarino Kursk, os Jogos de Inverno de Sochi em 2014 e claro a guerra da Chechênia (uma das).

Afinal, o que parece aqui é que O Mago do Kremlin vive por se explicar, e por supor que o espectador não vai conseguir entender ou acompanhar as mudanças caóticas na narrativa ou no cenário político. Foge um pouco do que se espera de um contexto, onde a chuva de personagens, nomes, e posições dentro do governo russo também não ajudam.

Claro, o trabalho de Dano aqui é incrível de se ver. O ator comanda uma presença em tela muito boa, e realmente é o grande destaque do longa. Mas será que não é preciso de mais coisa? E nem quando temos os debates entre o ator e o Wright que interpreta um professor americano que está ali para conversar com o ex-funcionário do governo russo, temos alguma coisa boa, afinal, os flashbacks sempre interrompem o bate-papo que dura uma boa parte da tarde e nos puxam para voltarmos para o passado. 

Ao querer contar a história de uma figura extremamente inteligente que vai trabalhar como estrategista no recém governo formado pela Rússia e que entende, melhor do que ninguém, que governar é, antes de tudo, controlar narrativas, O Mago do Kremlin faz exatamente o oposto e não entrega um filme que nos faça querer assistir o que está acontecendo em tela e nem se importar com a importância que essa história teve e que ajudou de certa forma a moldar os eventos que vemos todos os dias no noticiário. 

Nota:

O Mago do Kremlin chega aos cinemas nacionais em 9 de abril.

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Miguel Morales

Sempre posso ser visto lá no Twitter, onde falo sobre o que acontece na TV aberta, nas séries, no cinema, e claro outras besteiras.  Segue lá: twitter.com/mpmorales

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