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O Céu da Meia-Noite | Crítica: Novo de George Clooney mira nas estrelas, mas apenas faz uma ficção científica chata

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Não importa se você tem uma obra literária boa para adaptar, um elenco de peso envolvido e um diretor com um bom olho para algumas cenas… às vezes, as coisas não clicam, não tem liga e apenas não dão certo. É o que acontece aqui com O Céu da Meia-Noite (The Midnight Sky, 2020), o novo filme do diretor George Clooney, que chega na Netflix para a época de final de ano e que tenta alguma vaga na disputada temporada de premiações.

Mas o que poderia ser um excelente drama de ficção científica acaba por entregar uma história tão desinteressante e que apela tanto para criar artifícios para isso, mas que no final, só insultam a inteligência do espectador.

Tudo que eu passei foi raiva ao assistir o filme. E tédio.

Na primeira hora eu já não aguentava mais e pensava putz ainda mais uma hora enquanto dava play novamente, depois de uma pausa, no meu link enviado pelo streaming. Claro, não vou dizer aqui que O Céu da Meia-Noite não tem seus méritos, pois o longa tem seus momentos, mas realmente é um filme que não sabe contar sua história e segura seus mistérios, e algum tipo de reviravolta, até o último segundo. Realmente, a única coisa que me fez gostar nele foi os momentos finais, com uma cena super emocionante de um monólogo de dois personagens, que realmente salvam o longa de ser um completo desastre e eu sair gritando nas redes sociais que HOUSTON TEMOS UM PROBLEMA AQUI.

O Céu da Meia-Noite | Crítica
Foto: Netflix
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Clooney está bem, melhor na frente das câmeras do que atrás, e faz um cientista que vive isolado em uma estação de comunicação no Ártico chamada Observatório Barbeau e que precisa tentar se comunicar com um grupo de astronautas que está em missão de volta para a Terra.

O ano é 2049, e essa tripulação partiu já algum tempo, na nave Aether através do Universo para coletar provas que o planeta K-23, perto de Jupiter, seria habitável, já que a Terra sofreria um grande colapso e é o que acontece e o longa chama de O Grande Evento. E é isso que o personagem de Clooney, o Dr. Augustine Lofthouse faz, ele espera notícias da nave, enquanto relembra alguns momentos do seu passado (aqui como Ethan Peck) e de seu envolvimento com a jovem cientista Jean (Sophie Rundle).

O Céu da Meia-Noite fala sobre isolamento, solidão, e o que fazer quando tudo deu tão errado que a única coisa que sobra é a esperança, e usa essa grande catástrofe para contar a história dessas pessoas. Mas ao mesmo tempo, o longa acaba por entregar uma narrativa tão fragmentada e que faz o espectador não ter todas as peças da trama de uma vez, coisa que parece ser uma boa ideia no começo, mas apenas vai se tornando incômoda na medida que o longa avança em sua trajetória.

Vamos aos poucos descobrir o que acontece com esses personagens, e o que aconteceu com o mundo nesse cenário pós-apocalíptico que o longa apresenta. O Céu da Meia-Noite brinca com essa simultaneidade das tramas de uma forma que até interessante no começo, e claramente está conectada uma com a outra, é só você espectador somar 1+1. O que fica é a graça em saber o como tudo isso está relacionado e foi o que me motivou o tempo todo ao assistir o longa.

O Céu da Meia Noite não tem o mesmo impacto que outros filmes do gênero como Interestelar (2014) de Christopher Nolan, Gravidade (2013) de Alfonso Cuáron ou até mesmo o mais recente dessa leva, Ad Astra (2019) de James Gray e fica claro que não precisava fazer tanto mistério assim para contar sua história. E é isso que O Céu da Meia-Noite faz e falha, o roteiro de Mark L. Smith, que adapta a história do livro de Lily Brooks-Dalton chamado Good Morning, Midnight, desenvolve os arcos dos personagens de forma tão paralela, tão mal distribuída, e que apenas erra em tentar criar uma conexão com essas pessoas.

O Céu da Meia-Noite | Crítica
Foto: Netflix

Não me senti conectado emocionalmente com nenhum deles, nem com o personagem de Clooney, a melhor coisa de O Céu da Meia-Noite disparado, que vive sozinho na base até que aparece uma garotinha (Caoilinn Springall) muda e misteriosa no lugar e que passa a fazer companhia com ele. E muito menos os membros da tripulação que vivem na nave e tem seus dramas próprios que são apresentados com hologramas e conversas durante suas atividades diárias enquanto tentam voltar para uma Terra que não existe mais (mas que eles não sabem disso!).

 É como se O Céu da Meia-Noite não soubesse qual história contar e focar. Pois nenhuma delas é tão interessante assim separadas para ter um filme próprio, mas também juntas ficam disputando tempo de tela uma com as outras. É tudo um desperdício de tempo e de bons atores como Felicity Jones (uma especialista em comunicação chamada Sully), David Oyelowo como o capitão da Nave chamado Ade, Kyle Chandler como o piloto Mitchell, Demián Bichir como Sanchez e ainda Tiffany Boone como Maya. Nem mesmo quando a nave sofre um contra-tempo na rota de retorno para a Terra e que os astronautas precisam sair para consertar partes dela, que foram destruídas por uma chuva de meteoros, o longa consegue empolgar, afinal, na outra parte da trama, a de Clooney as coisas também não estão boas e queremos saber o que vai acontecer também.

No final, o longa se destaca pelos efeitos visuais do espaço, da criação em computação gráfica da nave Aether, da Terra após esse evento, que são muito bem feitos, juntamente com toda a ambientação e atmosfera que o filme passa que acaba por ser tudo muito convidativo e claro com a presença magnética que Clooney emana da tela, mas parece que O Céu da Meia-Noite nunca decola propriamente dito e nunca sai dessa atmosfera entediante e chata.

O Céu da Meia-Noite chega em 23 de dezembro na Netflix.

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Miguel Morales

Sempre posso ser visto lá no Twitter, onde falo sobre o que acontece na TV aberta, nas séries, no cinema, e claro outras besteiras.  Segue lá: twitter.com/mpmorales

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