Ne Zha 2 – O Renascer da Alma | Crítica: Animação impressiona

O lançamento de Ne Zha 2 – O Renascer da Alma (Nezha: Mo tong nao hai, 2025) por aqui vem carregado de expectativa. Afinal, a animação é a maior bilheteria do ano (mais de US$ 2 bilhões arrecadados mundialmente) até o momento e o burburinho sobre o longa foi pavimentado ao longo dos meses desde do lançamento lá na China, onde fez bastante barulho, e depois nos EUA, onde foi bancado pela queridinha dos cinéfilos a A24.
E o momento que Ne Zha 2 chega por aqui também é um bastante curioso, basta ver a quantidade de pessoas que foram ver o novo Demon Slayer nos cinemas algumas semanas atrás ou até mesmo a explosão de popularidade da animação musical Guerreiras do K-Pop nos últimos meses, onde se tornou o filme mais visto da história da Netflix, o maior serviço de streaming do mundo.
Isso só mostra a força das histórias asiáticas que finalmente ultrapassam o Oceano e tem se conectado com as audiências do outro lado do globo, e enfim, se tornado mainstream e caído no gosto popular e cruzado a barreira do nicho. Influência das bandas k-pop? Talvez. Mas aqui também tem o fato que Ne Zha 2 sabe contar uma boa história, que é envelopada em uma animação incrivelmente bonita de se assistir, e que claro impressiona ao retratar essa batalha épica desses personagens contra as forças do mal.

E Ne Zha 2tem de tudo além de ser apenas uma história clássica da luta do bem vs o mal. A animação tem personagens carismáticos, tem boas piadas, tem uma magnífica construção de mundo e reviravoltas na narrativa que sustentam os mais de 2 horas e 20 minutos que o longa tem e que são muitíssimos bem utilizados mesmo que um pouco confuso e cheio de “etapas” de entender logo de cara.
Afinal, Ne Zha 2precisa de tempo para ambientar o espectador que por acaso não tenha visto o primeiro filme, Ne Zha, que foi lançado em 2019. Mas dá para dizer que sim, o espectador que quiser embarcar na aventura de Ne Zha 2 pode fazer isso tranquilamente sem ter visto o primeiro.
A narrativa da sequência é trabalhada para levar o espectador diretamente para a trama desse segundo filme e acompanhar as aventuras da figura de fogo Ne Zha e seu colega, a figura da água Ao Bing que agora, os dois, são almas que vagam por aí depois dos eventos do primeiro filme, onde eles foram atingidos e viraram pó. Eles vêm da mesma entidade, a Peróla do Caos, e o longa começa com a dupla tentando conseguir seus corpos de volta com a ajuda do hilário Mestre Taiyi que usa a Lótus Sagrado para criar e moldar novas “carcaças” para eles.
O diretor e roteirista Yu Yang (conhecido como Jiaozi) apresenta essas duas figuras opostas, e de personalidades opostas, ah lá Glinda e Elphaba, ou Wandinha e Enid, com uma certa carga cômica bastante curiosa e divertida de acompanhar no começo de Ne Zha 2. E não é só na aparência que esses personagens são diferentes. A personalidade desbocada e caótica de Ne Zha um ser baixinho e enfezado e a calma, tranquila, e quase nobre de Ao Bing, o filho de um dos dragões reis, se contrasta e isso fica ainda mais narrativamente e visualmente pontuado quando os dois personagens precisam dividir o mesmo corpo, o de Ne Zha, depois que uma batalha que apresenta um dos vilões do filme, Mestre Shen Gongbao que bem tem cara de vilão de filme animado com olheiras, uma cara carrancuda e acizentada.
Com portais que cortam o céu da vila da Passagem de Chen Tang, e os pais adotivos de Ne Zha, o general Li Yange Lady Yin em combate para salvar a população, dragões vingativos e ameaçadores surgindo aqui e ali, Ne Zha (e Ao Bing no mesmo corpo) partem em jornada para conseguirem mais uma Lótus Sagrado para criarem um novo corpo para o colega pode assumir uma forma humana junto com sua forma de dragão (afinal Ao Bing é filho do Rei Dragão prateado que também aparece em forma humana no filme).

A aventura herculana (e se for pensar o mito do ocidente de Hércules tem suas similaridades aqui) de encontrar o palácio de Jade nos confins da Terra e os mestres imortais liderados pelo Mestre Wuliang Xianweng para conseguir vencer uma série de provações e se provar digno para receber seu desejo (aqui ganhar uma nova Lotús Sagrada) é apoiada em vermos os dois protagonistas no mesmo corpo e precisam enganar todo mudo.
É quase uma coisa meio Sexta-Feira Muito Louca só com as duas personalidades no mesmo corpo igual naquela comédia antiga que passava na Sessão da Tarde nos anos 90, Um Espírito Baixou em Mim.Claro, Ne Zha 2 se apoia em piadas tipicamente corporais para essa parte, e principalmente quando Ne Zha acorda toma controle do corpo, mesmo ele sendo um demônio e os mestres do palácio de Jade sentem a presença de um, e precisa usar o banheiro. Ao ser guiado por uma das guias que faz todo o percurso com uma cara feia e de desaprovação, o personagem acaba por se perder no gigantesco e imponente lugar e acaba por fazer suas necessidades no lugar errado, o que gera uma piada com o Mestre bigodudo que ele tem que convencer.
Enquanto a trama robusta, cheia de zig-zig e diria até um pouco cansativa segue a missão desses personagens para tentarem salvar não só esses novos corpos, como também toda a vila, e de tabela o mundo, apresenta também um plano megaevil dos vilões que é revelado lá pela segunda hora e que gera mais um obstáculo para esses personagens. Assim, Ne Zha 2apresenta mais cenas de batalhas épicas cheia de momentos de lutas, uso de poderes, e passagens visuais espectaculares que ajudam a dar um sentimento de grandeza para essa animação.
Assim, no meio dessas impressionantes passagens, Ne Zha 2 mostra os motivos de ter sido um dos maiores blockbusters da história da China, ao trabalhar questões existenciais quase como se fosse um filme da Pixar junto com um trabalho de animação belíssimo. Se Ne Zha 2 vai se conectar com o público brasileiro igual fez em outros mercados é uma questão de ver para as cenas dos próximos capítulos nos próximos dias. O filme fala por si próprio, afinal, com as cenas pós-créditos que são exibidas fica claro que um terceiro filme para finalizar a trilogia vem aí, sem dúvidas.
Ne Zha 2 – O Renascer da Almachega em 25 de setembro nos cinemas nacionais.











