Mundo Estranho | Crítica: Disney entrega, mais uma vez, uma bela construção de mundo

Por mais que a divulgação, e o boca-a-boca, ao redor de Mundo Estranho (Strange World, 2022) esteja um pouco estranho (trocadilhos à parte), e não seja uma das maiores já feitas pelo estúdio, não se engane, a nova animação da Disney é um dos projetos mais legais que o estúdio já entregou nesses últimos anos.

Eu saí maravilhado da minha sessão de Mundo Estranho. Afinal, o longa comandado por Don Hall e Qui Nguyen entrega tudo que faz uma animação, ser uma animação Disney: ter uma belíssima construção de mundo, personagens carismáticos e uma história encantadora. E para melhorar, a qualidade da animação aqui em Mundo Estranho, é nada menos que fenomenal, e realmente mostra que o estúdio, rumo a completar 100 anos, ainda é a maior referência para esse tipo de projeto.

Foto: © 2022 Disney. All Rights Reserved
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Hall e Nguyen trabalharam juntos em Raya e o Último Dragão lá em 2021 e aqui entregam com Mundo Estranho uma nova aventura, em uma nova Terra e que realmente mostra que o estúdio ainda tem boas histórias para contar e que alterar a fórmula clássica da Disney e dar uma modernizada, e mudada, de acordo com as próprias mudanças que o mundo e a sociedade vivem, é um trabalho de formiguinha e que o estúdio tem aos poucos trabalhado nisso para dar certo.

O que a Disney tenta colocar nos seus filmes atualmente, talvez, seja mais do que apenas criar antagonismos entre os personagens, e sim, trabalhar uma mensagem sobre os diversos assuntos que são mais presentes no cotidiano das famílias e com isso os inserir organicamente na história. O que temos é fazer com que o debate esteja na trama e na boca dos personagens que são o cerne e o pilar do estúdio de animação que por anos vem por encantar e deslumbrar gerações.

Mundo Estranho entrega em sua história, mesmo que uma um pouco não tão empolgante como as outras anteriores, uma poderosa mensagem sobre diferenças e como essas diferenças são primordiais para uma vida em harmonia.

O que faz um e outro ser diferente é o que nos fazem ser tão interessantes. E claro, como as figuras parentais são importantes aqui. Anteriormente, a falta dos pais, motivava nossos heróis e heroínas, agora, é a relação complexa entre eles e as diferenças geracionais que são o foco e estão à frente da narrativa da Casa do Mickey nos últimos anos. E com Mundo Estranho não é diferente, na medida que conhecemos os Clades, uma família liderada pelo explorador Jaeger (voz de Dennis Quaid no original) e seu filho Searcher (voz de Jake Gyllenhaal no original). Eles moram no Reino de Avalonia e estão em busca de tentar encontrar o que existe por trás das montanhas que cercam o local. Mas pai e filho têm visões diferentes do que eles precisam encontrar, e onde encontrar, respostas. 

Os personagens, logo no começo do filme, vão para direções opostas e Mundo Estranho mostra que os conflitos entre eles vão mudar a vida da família na medida que Searcher encontra uma planta mágica com poderes elétricos que muda o destino de Avalonia para sempre. Anos se passam, e já mais adulto, Searcher é o maior fazendeiro da região com uma plantação gigante para cuidar, ao lado do filho Ethan (voz de Jaboukie Young-White no original) e com a esposa, a pilota Meridian (voz de Gabrielle Union no original).

E como falamos, Mundo Estranho é a Disney em “full mode” de criação de mundo. O reino de Avalonia é pouco explorado, mas tudo que o filme entrega é de uma qualidade visual gigante e impressionante. Até que a trama, que nos lembra um pouco Planeta do Tesouro, nos leva para outro lugar, um lugar ainda mais bonito, e ao mesmo tempo perigoso… e estranho. 

E essa outra terra é o foco da missão que a Presidente Callisto Mal (voz de Lucy Liu no original) lidera para tentar encontrar respostas do que acontece com a planta mágica que parece sofrer com uma infestação que promete acabar com a energia e o mundo desenvolvido que evoluiu graças a energia que vem delas. Assim, Calisto recruta Searcher (que absolutamente detesta explorações e que foi um dos motivos de sua briga com seu pai) e um grupo de moradores na busca de encontrarem o que de errado acontece fora da cidade. 

O filme ganha fôlego quando vemos que Ethan e Meridian, e mais o cachorro deles Legend, também embarcam na missão, o que faz com que essa expedição se torne uma viagem em família. É isso que Mundo Estranho também se destaca, em nos apresentar novos personagens carismáticos. Do pilha de nervos Searcher que tenta agradar o filho Ethan a todo custo, as cenas com ele interagindo com os amigos do filho, e com o menino que Ethan tem uma quedinha são hilárias. Do próprio Ethan que se apresenta como um garoto corajoso, inteligente e que quer saber mais sobre o mundo que vive, até mesmo por Meridian que realmente é bem mais que uma dona de casa.

O que temos com a família Clade é uma reunião apaixonante de personagens divertidos e interessantes e que o texto de Mundo Estranho consegue nos fazer afeiçoar com eles logo de cara.

E na medida que chegamos nesse novo mundo em que esses personagens que nos encantam com suas personalidades na medida que são introduzidos, o visual que Mundo Estranho apresenta, tanto para eles quanto para nós, os espectadores, são de maravilhar. As cores fortes, as combinações de paletas, e a qualidade técnica visual apenas deixam o longa muito mais bonito do que foi até então. É como se estivéssemos em O Mágico de Oz e o filme mudasse do preto e branco para o colorido, só que aqui, o colorido é ampliado 100x.

Foto: © 2022 Disney. All Rights Reserved

Mundo Estranho então depois de ambientar o espectador, começa a focar em sua história e nos garante algumas reviravoltas bem interessantes. Algumas estão desenvolvidas logo de cara, como o fato que o ser misterioso que eles encontram na selva rosa é Jaeger que desapareceu por anos, outras já são desenvolvidas aos poucos na medida que a terapia familiar é colocada em dia enquanto eles navegam e exploram esse mundo desconhecido e descobrem as mais variadas criaturas, desde de pássaros voadores que lembram dinossauros, seres ameaçadores com tentáculos, e uma criatura azul cheia de carisma e atitude que Ethan dá o nome de Splat e que rouba totalmente a cena.

O roteiro deixa bem claro para onde o filme vai seguir e como, no melhor jeito Disney, as coisas vão acontecer no melhor estilo Moana – Um Mar de Aventuras. O que mais é sentido é a forma como o time trabalha a relação entre os três membros do clã Clades, onde suas diferentes visões de mundo, vão os fazer trabalhar para não só se salvarem mas como também todos de Avalonia e dessa nova Terra.

Mundo Estranho entrega sua mensagem em alto e bom tom, numa história interessante e cativante. Não é um musical com uma casa mágica, ou a história de duas irmãs que vivem num reino gelado, ou até mesmo uma sequência de alguma franquia conhecida, mas entrega em sua essência uma verdadeira, e linda, história com o selo Disney. E por enquanto isso já basta. 

Avaliação: 3.5 de 5.

Mundo Estranho chega em 24 de novembro nos cinemas nacionais.

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Miguel Morales

Sempre posso ser visto lá no Twitter, onde falo sobre o que acontece na TV aberta, nas séries, no cinema, e claro outras besteiras.  Segue lá: twitter.com/mpmorales

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