Em um dos momentos de Marty Supreme (2025), um dos personagens fala alguma coisa do tipo que ele não iria se submeter aos caprichos de um competidor americano arrogante e mimado.
E é com essa frase, dita lá para o final do filme, que dá para resumir o que esperar do novo filme de Josh Safdie (agora sem o irmão também na direção) e do protagonista interpretado pelo queridinho da internet Timothée Chalamet nesse filme que não é bem um filme esportivo, mas, sim, um grande e doido filme de amadurecimento e de certa forma um estudo de personagem fascinante.
Marty Supreme é o ápice do retrato da cultura millennial, numa obra que é apresentada num estilo caótico, imprevisível e de certa forma engraçado de se assistir. Mas ao mesmo tempo, todo ritmo frenético que Safdie imprime em Marty Supreme, aliado com uma trilha sonora escolhida a dedo para dar um certo ar de emoção com o que acontece com o personagem de Chalamet, deixa o questionamento de por que estamos vendo tudo ai.
É legal? Sim, mas os cortes bruscos, a narrativa que desvia e muito do norte e tudo mais comprometeram um pouco da minha experiência com esse filme. Talvez, minha régua estivesse lá em cima?
Claro, o caos é proposital para retratar o fato que o jovem de 20 poucos anos Marty Mauser (Chalamet, no seu melhor desde de Me Chame Pelo Seu Nome) queria mais com sua vida do que apenas trabalhar na loja de calçados com o tio (Larry Sloman) e segue o filme todo tentando chegar numa nova rodada da competição de tênis de mesa que ele não só já perdeu, mas não aceita ser o segundo melhor naquela categoria. Ele quer ser *o melhor*.
As consequências das ações de Marty em Marty Supreme são o fio conector cheio de eletricidade que Safdie imprime aqui. E que em certo momento até chega a ser um pouco cansativo de acompanhar, afinal, o que mais pode acontecer com Marty e as pessoas ao seu redor?
As doideiras que Marty passa só chegam a escalonar ao longo da trama e vão desde de banheiras caindo de um andar para o outro, cachorros sequestrados, colares roubados, e até mesmo suborno para policiais numa noite mais “romântica” no parque. E por mais divertido que seja ver muitas delas, principalmente uma que envolve uma raquete de tênis, um discurso humilhante em final de festa, e o close de uma bunda, é como se Marty Supreme extrapolasse ao mostrar todas elas para nos fazer entender que Marty sim, faria de tudo para chegar onde quer chegar.
Não importa quem ele precisasse atropelar. (figurativamente, claro). É o Everybody Wants to Rule the World que toca em uma outra cenas chave do filme. E isso vai desde do casinho amoroso com a vizinha, casada, e grávida boa parte do filme, Rachel (Odessa A’zion, um novo rosto que desponta em Hollywood e no ar também com a série I Love LA), com os amigos, o taxista Wally (Tyler the Creator), Dion (Luke Manley) e até mesmo o casal de ricaços, o empresário Milton Rockwell (Kevin O’Leary) e a esposa, a atriz veterana Kay Stone (Gwyneth Paltrow).
Todos eles cruzam caminho com Marty e de certa forma ajudam e atrapalham o protagonista. Assim, Marty Supreme envelopa o caos do furacão Marty em diversos momentos surreais de acompanhar na medida que ele busca conquistar o mundo (ou pelo menos o mundo dele, onde ser o melhor do tênis de mesa é o que o guia).
E para isso, claro, como um bom filme americano ele precisa de dinheiro. Mas como um jovem da parte menos glamorosa de Nova York sem contatos e conexões vai conseguir isso? Aplicando pequenos golpes, claro.
De certa forma, tudo que poderia dar errado para Marty dá. E ver o personagem quebrar a cara, e em questões de segundos, arrumar uma solução para os problemas que ele mesmo criou chega até ser interessante, mas sinto que o roteiro pesa a mão na quantidade de vezes que precisa repetir isso para deixar claro para o público o que está acontecendo em tela.
Ao mesmo tempo, é fundamental que o roteiro (de Safdie junto com Ronald Bronstein) leve tempo para fazer isso, onde precisa trabalhar em mostrar que as coisas não devem ser fáceis e que Marty vai precisar muito da lábia, o charme do bigodinho, e o sorriso malicioso que Chalamet empresta para o protagonista. Aqui, Chalamet compõe Marty na base do grito, do frenezi, e realmente está muito bem, e em Marty Supreme, apenas coroa que o hype cercado em sua persona é extremamente justificável. Chalamet é um dos melhores atores da sua geração, sem dúvidas.
E todo mundo se dá bem ao estar do lado do que o ator entrega. A’zion consegue manter a energia caótica que Chamalet entrega, e os bate-bolas de diálogo entre ele e Paltrow deixam a apática personagem da vencedora do Oscar muito mais interessante de se assistir.
E até mesmo as figuras que podemos considerar os vilões do filme, seja o apostador que Marty não só deve dinheiro, mas também como vê seu cachorro ser sequestrado (todinho do doguinho no filme ele vive altos e baixos), mas também na figura do próprio Rockwell que quer explorar o universo do tênis de mesa ao colocar Marty para jogar contra o rival japonês (Koto Kawaguchi) num evento bancado pela empresa para vender mais canetas, ou até mesmo o chefe da confederação de tênis de mesa que usa e abusa dos seus pequenos poderes, tem seus momentos.
Isso tudo são os obstáculos que Safdie coloca para Marty superar numa direção extremamente frenética, mas sem o mesmo brilho visual que os outros projetos feitos com o irmão em outras oportunidades. As escolhas visuais de Safdie para Marty Supreme faz um filme que aposta no cru, no viceral, e no nada bonito, com pessoas suadas, corpos expostos, e uma certa sujeira que não é nada bonita de ver e típica de Nova York que Martin Scorsese, por exemplo, sempre queria mostrar.
E é um retrato daquilo que o protagonista vive e quer fugir. E como Marty, corre, mente, engana e dá a volta por cima em Marty Supreme hein?
Sim, Marty Supreme é, indubitavelmente, um bom filme, e acaba por ser um filme extremamente interessante de se assistir, mas, também, no final das contas acaba por ser um que se força muito para te afirmar isso e acaba por te convencer na base do grito e do surto.E se fica tão claro que está desesperadamente tentando fazer isso, será que é mesmo tudo isso? Sei lá, Everybody Wants to Rule the World, mesmo.
Marty Supreme chega nos cinemas nacionais em 22 de janeiro, com sessões antecipadas já neste final de semana.
Confira nossa entrevista com os dubladores d Cara de Um, Focinho de Outro.
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