Manual Prático da Vingança Lucrativa | Crítica: Glen Powell preso em fórmula que não tem dado muito certo

Glen Powell vem, já algum tempo, como uma das promessas de um novo tipo de rosto conhecido em Hollywood, mas que, até agora, só se mostrou uma promessa mesmo. E Manual Prático da Vingança Lucrativa(How To Make a Killing, 2026) apenas é a comprovação que o ator, por mais que muito bem e sempre carismático, está preso em uma fórmula que não tem dado muito certo.

Não tem dado certo, em partes, afinal, Powell tem um charme e um timingcômico que ainda tem colocado ele para liderar projetos. E ele andou bem ocupado, o “Booked and busy”. Mesmo que Manual Prático da Vingança Lucrativaseja o segundo filme seguido do ator que não vai muito bem em bilheteria. Claro, a trajetória do ator segue feito um foguete em Hollywood, afinal, Chad Powers já foi renovada para uma segunda temporada e Powell vai trabalhar com grandes nomes como J.J. Abrams, Ron Howard e Judd Apatow no futuro.
Mas Manual Prático da Vingança Lucrativa apenas comprova que Powell por mais que seja bom ator, talvez, não seja um ator que consiga, ainda, sustentar um filme sozinho. Claro, aqui ele não tá sozinho, mas faz, basicamente, o que tem feito nos seus últimos projetos: personagens engraçadinhos e excêntricos.
E em Manual Prático da Vingança Lucrativa, Powellparece estar fazendo uma grande audição para o novo Psicopata Americano, afinal, é o sorriso contagiante e o privilégio do homem branco que faz essa trama de vingança, cobiça e golpes dar certo de certa forma.
Sim, dá para se divertir com peripécias que Manual Prático da Vingança Lucrativa entrega na medida que conhecemos a figura de Becket Redfellow (Powell), um jovem que cresceu longe da família abastada da mãe (Nell Williams) quando ela escolheu fugir com um casinho e ter o bebê que viria ser o protagonista dessa história.
A ideia do filme (que é livremente adaptado de um filme dos anos 40 chamado As 8 Vítimas)? Mostrar a jornada de Becket para dar cabo numa lista de parentes que o separam de uma fortuna bilionária, afinal, mesmo renegado pela família, Becket é o último nome que levaria a bolada, isso claro, se todos seus parentes morressem.
Assim, Manual Prático da Vingança Lucrativamostra os planos mirabolantes que o jovem tem nada medida que a ideia passa pela sua cabeça depois que tem um encontro com a antiga crush de infância Julia (Margaret Qualley em full mode femme fatale) no meio da loja de roupas de luxo que trabalha. Como um trabalhador CLT que sofre nas mãos do patrão e é demitido, Becket começa bolar um plano para colocar as mãos no dinheiro, e na vida, que ele (e sua mãe antes de morrer) sempre quis.
Tendo se especializado em filmes sobre golpes e planos mirabolantes o diretor, e que aqui, atua também como roteirista John Patton Ford, aumenta o que vimos em Emily The Criminal (com uma ótima Aubrey Plaza) e coloca o personagem de Powell para ter diversas caras, rostos e personalidades, na medida que ele parte para se infiltrar na vida dos parentes ricaços, desprezíveis, e que, assim como ele, também não batem bem da cabeça.
Por mais que o FBI, e os agentes (Stevel Marc e Phumi Tau) responsáveis pelos casos, quando os diversos membros da família Redfellow começam a aparecer mortos por aí, desconfiam de Becket, o plano dele segue firme e forte. Como falamos, o privilegio do homem branco e rico acaba por ser o maior aliado de Becket nesse jornada, mesmo que o roteiro de Ford abrace e se apoie e muito nas conveniências narrativas para fazer a trama girar.
E não só nas conveniências, mas também na simplicidade em que muitas das mortes acontecem e na facilidade que elas acontecem. E principalmente em o quão fracas e mal construídas são as personalidades dos parentes Redfellow: do primo mais jovem que morre num iate (o primeiro e que dá para Becket o sentimento de impunidade), para o artista sem muito talento (um hilário Zach Woods), para o primo pregador/pastor (Topher Grace) passando para a linha dos tios, onde o destaque fica para o tio Warren (Bill Camp, muito bom), o único que acolhe o sobrinho e dá para ele um cargo na financeira da família.
Enquanto Becket foge do FBI, precisa mentir para todos, e bolar planos, nós os espectadores precisamos decidir se a história que ele conta para o padre Morries (Adrian Lukis) é real. Afinal, será que Becket poderia ser um narrador confiável para essa história?

E na medida que os nomes da lista do personagem são cruzados, Manual Prático da Vingança Lucrativa coloca as questões morais para serem debatidas e até onde mais o Becket iria para chegar ao fim do plano e claro, se encontrar com o avô (Ed Harris) com quem Becket nunca conheceu. Como falei, o carisma de Powell sustenta os altos e baixos que o filme tem, afinal, chega uma hora que tudo é muito convenientemente fácil para ele. E na medida que Qualley deixa de ser apenas a mulher dos sonhos do personagem para ganhar mais presença na trama, Manual Prático da Vingança Lucrativa se mostra imprevisível para onde vai levar esses personagens, principalmente quando Becket começa um relacionamento com Ruth (Jessica Henwick), que claro, não imagina nada dos planos dele,
Entre venenos, arcos e flechas, Manual Prático da Vingança Lucrativaentrega uma diversão daquelas sem muito compromisso, mesmo que fique claro que o filme se leva a sério demais. Finalizar essa história com Take Me Back To Piauí de Juca Chaves apenas coroa os momentos surtados que o personagem de Powell vive na tentativa de conseguir colocar as mãos nos bilhões da família. Se ele vai conseguir ou não deixo para vocês verem o filme no cinema, afinal, Powell já tem seus próximos projetos engatilhados e aqui parece que vai seguir com o seu próprio manual de como se dar bem em Hollywood.
Manual Prático Da Vingança Lucrativa chega nos cinemas em 26 de fevereiro.











