Ladrões | Crítica: Um filme que vai roubar sua atenção!

É curioso pensar que Ladrões(Caught Stealing, 2025) seja um filme de Darren Aronofsky, mas é. O diretor entregou doideiras muito boas com Cisne Negro, mãe! e a A Baleia, mas aqui nesse drama de erros, com uma pitada de comédia, estar no lugar errado na hora errado, Aronofsky faz seu filme mais comercial, mais mainstream, e que realmente nem parece ser um “Por Darren Aronofsky.”

Não sei se isso é um elogio ou não para o americano, mas quando saí da sessão do longa eu saí como se tivesse embarcado em uma aventura doida de Guy Ritchie com toques de Martin Scorsese. E me diverti com o filme. O motivo? Primeiro, antes de tudo, de Austin Butlerque realmente se consagra como um dos atores da nova geração mais interessantes de se acompanhar. Aqui, Butler se firma na categoria “movie star” como poucos da nova safra tem conseguido. O ator emana um certo magnetismo que nos força a olhar para ele em tela o todo tempo, que vai mais do que apenas o porte físico, o queixo quadrado, os cabelos despretensiosamente bagunçados e os olhos azul chamativos. É alguma coisa a mais.
Desde de Elvis,e depois em Duna: Parte 2, parece que tem alguma coisa em Butler que o faz lembrar os astros antigos como James Dean, Al Pacino e Leonardo DiCaprio. E Aronofsky sabe disso e usa Butler para fazer Ladrões acontecer. Butler consegue criar esse personagem cheio de camadas que são trabalhadas e apresentadas ao longo do filme e estrela como Hank um jovem que era uma promessa do beisebol e jogaria profissionalmente até que alguma coisa acontece com ele que se muda para Nova York, começa a trabalha num bar, vive por ligar para a mãe até que vê sua vida mudar de uma hora para outra quando mafiosos o confundem com Russ (Matt Smith, vindo do sucesso de A Casa do Dragão), o vizinho britânico do lado e que agora ficam na cola dele.
E se Aronofsky soube escalar a dedo Butler para o papel, toda a caracterização dessa Nova York dos anos 90, prestes a virar o milênio, e que saia dos tumultuados e extravagantes anos 80, ajuda a contar essa história. Afinal, a Nova York de Aronofsky em Ladrões é suja, grudenta, sombria, numa representação pessimista e de certa forma realista. É tipo a cidade de Gotham que Todd Phillips conseguiu criar em Coringa, onde mostra que muitos desses personagens são frutos dessa cidade prestes a colapsar. O que eu quero dizer é que é como se Ladrões se passassem no verão e você está em um cômodo fechado sem ar condicionado.
E isso transparece em tela. Seja por conta do visual urbano que o longa tem, pelas cenas entre o personagem e da namorada Yvonne (Zoë Kravitz no auge da beleza e também muito boa) que realmente não poupam esforços para mostrarem que são duas pessoas bonitas, usando seus corpos para se atracarem sempre que podem, seja também pelas diversas cenas de perseguição que temos ao longo do filme e em diversos cantos da metrópole. Eu não via alguém andar pelas ruas de Nova York, procurando alguém e fugindo de alguém, assim, igual aqui em Ladrões desde de Anorano ano passado.
Mas Ladrões é bem mais que isso, já que o roteiro de Charlie Huston(que adapta do livro)também é bem utilizado para ajudar Aronofsky a contar essa história. Os diálogos são ágeis e te fazem ficar vidrado no que pode acontecer com Hank depois que dois bandidos socam a porta do vizinho, chutam o gato dele (o gato é um dos melhores personagens!) e depois quebram Hank também na porrada.

Depois disso, Ladrões é puro caos, confusão e algumas reviravoltas já que mesmo quando a polícia chega, a detetive Roman(Regina King, um pouco desperdiçada) fica responsável pelo caso, Hank ainda vive por receber visitas dos criminosos liderados pelo chefão Colorado (Benito Martinez Ocasio, o cantor Bad Bunny e que está muito bem diga-se de passagem aqui) por conta de uma chave misteriosa e milhões roubados que depois nos levam para os verdadeiros chefões dessa área da cidade de Nova York, os irmãos judeus ortodoxos Lipa (Liev Schreiber) e Shmully (Vincent D’Onofrio).
Schreiber e D’Onofrio (que vem da primeira temporada de Demolidor) estão irreconhecíveis, com uma caracterização muito boa e realmente parecem ser apenas um ator interpretando dois personagens e que dão um sentimento de doideira maior para a trama, ao mesmo tempo que também esticam a história um pouco mais e demoram para conectar todos os pontos e as informações que nós, e Hank, estávamos reunindo o filme todo.
O mais interessante é ao mesmo tempo que Ladrõestrabalha para desenvolver Hank como um personagem complexo e cheio de traumas por conta um acontecimento do seu passado, também trabalha para mostrar o quão perigoso é a situação que ele se envolveu principalmente quando o vizinho Matt Smith (que também está muito bem e o visual de roqueiro com o cabelo moicano e as roupas de couro ajudam) ressurge na trama e percebemos que a galera que ele estava envolve é realmente barra pesada e se meter com eles tem consequências extremamente violentas para Hank e aqueles que ele conhece e liga.
No final, Ladrões é um dos filmes mais pé no chão de Aronofsky, com um tom urbano, violento e brutal e que realmente mostra que o diretor ainda tem mais para surpreender e entregar numa carreira que estava já consolidada em Hollywood. Ladrões faz uma combinação explosiva, caótica, mas extremamente interessante seja narrativamente, quanto visualmente, que chama atenção de se assistir e ver como Hank, com sua lábia, e um pouco de sorte vão ajudar ele a sair dessa. Já que o filme trabalha todo tempo com a questão que aqui é o fim da linha para o personagem o todo tempo.
Ladrões chega em 28 de agosto nos cinemas.











