Kraven – O Caçador | Crítica: Um desperdício de história e talentos

Uma das partes mais curiosas que envolvem a figura de Kraven nos quadrinhos da Marvel é sua busca implacável pelo Homem-Aranha. É curioso também que o filme de origem do personagem, na, a primeira vez que Kraven aparece nos cinemas, escolha não colocar o antagonista em sua história. Claro, estamos no Universo do Homem-Aranha da Sony Pictures, sem o Homem-Aranha, então não é surpresa o feito, mas mesmo assim é uma oportunidade perdida e desperdiçada.
Igual a tudo que envolve esse canto, esse lado, dos filmes de super-herói que por quase 5 anos vem sendo construído com a esperança de um dia se conectar com as aventuras de Peter Parker, seja lá com qual interação, ou seja lá, o que os engravatados da Sony planejavam ser o futuro desses personagens.

E estamos no final de 2024, depois de Morbius, Madame Teia, e um terceiro filme Venom, e somos apresentados para a figura do caçador russo Sergei Kravinoff(Aaron Taylor-Johnson), em mais uma tentativa de contar uma história em um Universo não estabelecido de um dos vilões.
E mesmo com a figura do Homem-Aranha fora da equação, o que temos é apenas um menção para o jornal Clarim Diário, Kraven – O Caçador (Kraven – The Hunter, 2024) não se preocupa em fazer nem um bom filme isolado, muito mais um conectado com nada, e é prejudicado por uma montagem meio Frankenstein, uma edição meio preguiçosa, e que tenta, tenta e falha em não conseguir ser um filme propriamente dito.
Uma pena pois a figura de Kraven é uma muito interessante, e sua história, uma que daria um bom filme. Pena que esbarrou no Universo da Sony e não no MCU com o Peter Parker. E infelizmente esse é o maior problema de Kraven – O Caçador, afinal, de ficar na promessa do quase e desperdiça os atores de peso e talento que assinaram para contar essa história ao lado de Aaron Taylor-Johnson. O ator em ascensão em seu terceiro projeto no ano é que o quase faz o filme valer a pena, já que surpreende e entrega os poucos bons momentos que Kraven – O Caçadortem.
A cena dele correndo pelas ruas de Londres atrás de um carro blindado? Sensacional. A cena dele fazendo parkour pelos prédios? Igual. J.C. Chandor consegue fazer o melhor do filme nas cenas de ação, o problema é todo resto. Johnson segura o filme no carisma, no olhar fulminante e em uma ou duas cenas sem camisa. Mesmo com algumas passagens mais violentas, que entregam boas coreografias e uma coisa mais brutal e realidade, Johnson acaba por ficar perdido num roteiro (de Richard Wenk, Art Marcum e Matt Holloway) que oferece pouco para essa história que no final das contas tenta ser um tipo de O Rei Leão com a série dos Irmãos Menendez que bombou na Netflix e que não vai para lugar nenhum.
Johnson, ao lado de Fred Hechinger (inclusive melhor aqui do que em Gladiador 2) entregam uma certa dramaticidade à história que é contada aqui desses dois irmãos que vivem à sombra do pai, um Russell Crowe extremamente canastrão (mais que naquele filme do Papa, também da Sony) e que definitivamente fez valer o cachê recebido, um oligarca russo extremamente autoritário.

Sinto que Kraven – O Caçador tenta criar uma história para essa família e se apoia bastante na mitologia, mas tudo que temos são um monte de amontoados de cenas que são jogadas para o espectador ir recolhendo aos poucos enquanto assiste o filme. Fica claro que em algum servidor da Sony tem mais cenas, mais momentos, que foram picotados e engavetados para deixar a duração do filme menor.
E o mesmo vale para todo o resto dos personagens. Da advogada/procuradora/ sacerdotisa vodu Calypso (Ariana DeBose bem, mas em um novo projeto meio questionável depois de sua vitória no Oscar), para outros vilões dos quadrinhos do Homem-Aranha que dão as caras por aí, e mais uma vez, desperdiça bons personagens e tramas que poderia ser adaptadas com o Homem-Aranha. Seja o Rino de Alessandro Nivola, ou até mesmo o extremamente mal desenvolvido personagem de Christopher Abbottque interpreta o vilão dos quadrinhos, o Estrangeiro que tem um dos poderes mais legais e que são bem usados em cena.
Kraven – O Caçador então coloca esse time de vilões do Homem-Aranha para brigar entre si numa trama que até tem uma reviravolta sobre quem realmente tá manipulando todos eles e que de certa forma garantem para os momentos finais um certo gás. Se você sabe um pouco dos quadrinhos consegue sacar logo de cara o que tá rolando.
Mas tudo que vem antes é extremamente fraco e não ajuda a chegarmos nisso. Entre os longas Morbius, Madame Teia, e até mesmo Venom, Kraven – O Caçador, talvez, seja o que mais se preocupe em colocar esses personagens com figurinos parecidos com suas contrapartidas nos quadrinhos e isso sem soar caricato ou forçado. Mas é isso que acaba sendo um outro problema, a ideia, a vontade, e o elenco escolhido, é totalmente colocado de lado por conta de diversas amarras maiores do que tudo isso.
E isso que adaptar a história de um homem que anda com uma calça coladinha, o peito nu aparecendo, e um colete com um leão gigante parecia uma tarefa um pouco difícil, mas para que complicar tanto? Infelizmente, para Kraven – O Caçador o rugido do leão, virou um miado de gato.
Kraven – O Caçador está em cartaz nos cinemas nacionais.











