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King’s Man: A Origem | Crítica: Filme prequel da franquia até agrada, mas falha em se conectar com o Universo Kingsman

Um novo filme da franquia Kingsman vem aí. Mas será que é o filme e a história que queríamos ver? King’s Man: A Origem (The King’sman, 2021) é o terceiro filme da franquia Kingsman e nos apresenta aqui, como diz o título nacional, A Origem, ou seja, faz um prequel das histórias que vimos nos outros longas. A produção até agrada em alguns pontos, mas fica claro que essa nova história falha em ser uma que vai introduzir o público para o universo Kingsman.

Com direção novamente de Matthew Vaughn, King’s Man: A Origem é nada mais que isso: um filme spinoff, um derivado da franquia Kingsman, sobre essa organização de espiões, só que se passa no início do século XX e é situado primariamente na Inglaterra durante a Primeira Guerra Mundial.

Foto: 20th Century Studios
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No longa, sai as figuras opostas dos personagens de Taron Egerton e Colin Firth, e o foco fica com a história de aristocratas britânicos liderados por Orlando, Duque de Oxford (Ralph Fiennes) e seu filho Conrad (Harris Dickinson). O Duque é um pacifista que, ao ver sua mulher sendo assassinada, promete a ela que o filho não crescerá num ambiente de guerra.

Por outro lado, Conrad sempre demonstra interesse em lutar por seu país, o que gera vários conflitos com o seu pai. A relação entre Fiennes e Dickinson não chega aos pés da de Egerton e Firth mesmo que fazem a trama girar. Ambos são aconselhados e tratam como família os funcionários Shola (Djimon Hounsou) e Polly (Gemma Arterton). Juntos, o grupo é o mais próximo que temos como referência da Kingsman, que até este momento, é apenas uma alfaiataria.  

Tudo à partir daí começa a mesclar a ficção com a realidade: o General Kitchener (Charles Dance), inspirado no Conde Kitchener, Secretário de Estado durante a Primeira Guerra Mundial – que mantém uma amizade com o Duque, onde ambos tentam assumir assuntos políticos importantes por baixo dos panos, e seu braço direito Morton (Matthew Goode). Além disso King’s Man: A Origem ainda conta com uma gangue de “super-vilões” com figuras históricas conhecidas como Rasputin (Rhys Ifans), Erik Jan Hanussen (Daniel Brühl), Lenin (August Diehl) e Mata Hari (Valerie Pachner) – liderada por um homem misterioso (que só é revelado nos últimos minutos do filme, então aqui sem spoilers!.

O roteiro Matthew Vaughn e Karl Gajdusek tenta contar essa história, e colocar todos esses personagens, sobre um ponto de vista focado na Inglaterra, Áustria e Rússia, onde a imagem transmitida da Guerra acaba por ser uma bem confusa e difícil de acompanhar para quem possa não estar familiarizado com tudo isso, mas por um lado positivo, a dupla de roteiristas acaba por incluir um toque sarcástico, principalmente, quando vemos os líderes dos três países, sendo estes Rei George, Kaiser Wilhelm e Tsar Nicholas, respectivamente, interpretados unicamente por Tom Hollander.

Alías, o elenco reunido em King’s Man: A Origem acaba por ser um dos destaques, e faz um dos poucos quesitos mais positivos do filme, mesmo que para mim, sinto que faltou, uma certa originalidade na direção com a escalação de cada um desses personagens, onde ao assistir o filme bem difícil não relacionar vários atores com papéis que já interpretaram antes. É o caso de Charles Dance como Lorde Mountbatten em The Crown, Ralph Fiennes como Monsieur Gustave em O Grande Hotel Budapeste e Daniel Brühl como Barão Zemo em Capitão América: Guerra Civil e Falcão e o Soldado Invernal. Todos eles parecem estarem ligados no piloto automático de seus outros papéis. E isso dificulta também a direção de Vaughn para o longa.

Foto: 20th Century Studios

A direção de King’s Man: A Origem tem muitos altos e baixos, sendo os maiores deles as diferenças e as semelhanças que o diretor coloca com a franquia. Com muito esforço, é possível enxergar uma prequela, mas durante boa parte dos 135 minutos, parece só mais um filme histórico de guerra impreciso que apenas carrega na ficção para moldar e encaixar os personagens dentro do que aconteceu na vida real.  

E por cuidar também do roteiro, Vaughn parece que não consegue criar um filme inteiro, afinal King’s Man: A Origem trabalha como um espetáculo de dois atos, ou seja, parece que são dois filmes apresados dentro de um só. O primeiro ato, bem focado em aristocracia e discussões políticas que mais lembram uma série britânica de época, é bem morno, quase esfriando. Felizmente, o segundo ato conta com mais ação, combate e investigação que vimos previamente em Kingsman: Serviço Secreto (2014) e Kingsman: O Círculo Dourado (2017). É lá para de metade de King’s Man: A Origem que podemos ter um vislumbre da espionagem que esperávamos desde o início de um filme Kingsman.

Mas nem tudo é desastre em King’s Man: A Origem, se a trama é confusa, o longa compensa pela fotografia e pelos efeitos especiais que são de longe os maiores acertos da produção. Das cenas nos palácios, até mesmo em cenários naturais com montanhas, até o fronte de batalha da guerra, a estética é belíssima e chama muita atenção dos tropeços que o filme entrega aqui e ali. No final, King’s Man: A Origem faz, sem dúvidas, um filme aceitável que deve agradar se o espectador não levar em conta que a produção carrega o nome de uma franquia com dois filmes, personagens, e dinâmicas, muito mais estabelecidos do que as que são apresentadas aqui.

Avaliação: 3 de 5.

King’s Man: A Origem chega aos cinemas nacionais em 6 de janeiro.

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Heloisa Ferrari

Produtora Audiovisual, crítica de cinema, comentarista de comida e reclamona de redes sociais. (https://twitter.com/lois_ferrari)

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