Jovem Sherlock | Review: Ora, ora temos um ótimo Sherlock Holmes

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Há séculos as aventuras do detetive inglês Sherlock Holmes impressionam aqueles fãs de histórias de mistério e de produções quebra cabeça. Das obras Um Estudo em Vermelho (1887) para O Cão dos Baskervilles (1902) e até mesmo a série de contos reunidos em diversos outros livros, o astuto Holmes sempre era considerado o mais esperto da sala e tinha na figura do enigmático James Moriarty um oponente a altura.

E assim, a série sobre o Jovem Sherlock apresenta um excelente revisionismo da história do detetive ao colocar Holmes, aqui interpretado por um carismático Hero Fiennes Tiffin (anos luz do que ele entregou na franquia After) e Moriarty (Dónal Finn, ótimo, um dos destaques) em início de “amizade” enquanto os dois cruzam caminho na faculdade de Oxford anos antes da famosa rixa que guiou as aventuras do detetive que o deixaram famoso.

Photo credit: Daniel Smith/Prime. Copyright: © Amazon Content Services LLC
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E ao longo dos anos, apoiado no boom mais recente de produções de murder mystery, os estúdios (produtoras, streamings, canais de TV e tudo mais) têm circulado na mitologia de Sherlock Holmes sempre que possível. Seja com outros detetives como Hercule Poirot de Agatha Christie, Benoit Blanc de Rian Johnson, e até mesmo Milly Bobby Brown como Enola Holmes, a irmã do detetive, e claro, por que não a detetive Morgan na série Uma Mente Excepcional. Assim, fica claro, que toda a ambientação que cerca a aura do detetive é bem vinda e tem um público para isso, afinal, essas produções colocam esse mesmo público para pensar e querer desvendar os mistérios que são apresentados e com Jovem Sherlock as coisas não são muito diferentes.

Mas, o diferencial aqui, claro, fica com a presença extremamente carismática de Tiffin e Finn que realmente colocam Holmes e Moriarty em uma jornada investigativa em que os dois personagens formam uma relação quando fica claro que, enfim, eles conheceram pessoas com o mesmo intelecto que eles.

Assim, é divertido ver esse início de amizade pavimentar os eventos que conhecemos no futuro onde os dois são os maiores oponentes um dos outros. Não existe Batman sem Coringa, Dumbledore sem Grindelwald e aqui em Jovem Sherlock é o início de vermos que não existe Holmes sem Moriarty. 

Outra coisa que ajuda em muito Jovem Sherlock a se desvincular de outras produções no gênero, de certa forma o que foi apresentado com o personagem em outras versões, é o trabalho na direção de Guy Ritchie que imprime um senso de urgência para a trama e entrega capítulos em que tudo é agilmente desenvolvido e que apenas se beneficiam da assinatura do diretor. O Sherlock de Tiffin é desbocado, é inteligente, e de certa forma ingênuo do poder de sua inteligência, do poder que ela tem para desvendar mistérios e ajudar as pessoas e ele tem na figura do Moriarty de Finn, um parceiro a par para conseguirem desvendarem o mistério que são colocados e os crimes que são acusados quando um professor é assassinato em uma noite.

E Ritchie usa o poder da super inteligência de Holmes para mostrar a forma de pensamento do ainda não detetive enquanto ele e Moriarty são jogados na complexa trama dentro do campus da universidade onde temos o envolvimento de uma princesa chinesa chamada Gulun Shou’an (Zine Tseng, também bastante carismática), da figura autoritária do Sr. Hodge (Colin Firth no piloto automático) e também do desaparecimento de uma série de professores. E claro, o primeiro episódio tem o roubo de manuscritos, mortes, e também uma bomba!

Photo credit: Daniel Smith/Prime. Copyright: © Amazon Content Services LLC

Os diálogos afiados, rápidos, cheios de referências para a própria mitologia de Sherlock Holmes, e as pistas que acompanham a trama ágil que se desenvolve em Jovem Sherlock também chamam a atenção. Os episódios parecem que sempre tem uma nova leva de informações cruciais a serem apresentadas na nossa frente na medida que diversos outros personagens também são introduzidos para darem um contexto maior do que estamos vendo. Seja de Mycroft Holmes (Max Irons) que usa toda sua influência no governo para tirar o irmão das confusões que ele se mete, da figura misteriosa de Esad Kasgarli (Numan Acar) e até mesmo quando os pais de Sherlock, Silas (Joseph Fiennes) e Cordelia (Natascha McElhone) se envolvem na narrativa e que tem mistérios paralelos com a trama principal (pelo menos no começo) e que envolvem o desaparecimento da irmã mais nova do protagonista.

Mas, como falamos, o mérito e o que sustenta a narrativa é a presença, e a relação palpável apresentada em tela que Tiffin e Finn apresentam e que move as peças de xadrez que Jovem Sherlock entrega, principalmente quando eles bolam planos vestidos como lavadeiras, como policiais e tudo mais. É muito divertido e dão um ar mais descontraído e menos sério para o personagem, afinal, ele tem 19 anos e não é o detetive que conhecemos, sério, de chapéu engraçado, e fumante. E principalmente não sabe lutar.

E sim, os episódios são estruturados com começo, meio e fim, mas a experiência de ter os 8 episódios disponíveis para serem maratonados deixa a sensação de estarmos vendo um grande filme de 8 horas. Afinal, o valor de produção, dos cenários, dos figurinos, e tudo mais passa essa impressão e tudo é demonstrado em tela.

No final, a série Jovem Sherlock acerta e muito em revigorar a mitologia de Sherlock Holmes que já teve um grande sucesso na época que Benedict Cumberbatch e Andrew Scott eram esses personagens. Mas aqui Jovem Sherlock parece ter um apelo mais global, menos britânico, e claro, mais jovem e claro um que flerta com um queer baiting para lá de sem vergonha (mas que funciona risos!) em relação a Holmes e Moriarty que é bastante curiosa de acompanhar. É a definição total do meme: Eles são amantes? Pior! 

Jovem Sherlock chega no Prime Video em 04 de março.

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Miguel Morales

Sempre posso ser visto lá no Twitter, onde falo sobre o que acontece na TV aberta, nas séries, no cinema, e claro outras besteiras.  Segue lá: twitter.com/mpmorales

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