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Invocação do Mal 4 | Crítica: Acaba como novelão, mas acaba bem!

Dá para dizer que a franquia Invocação do Mal (The Conjuring) moldou e pautou o cinema de terror ao longo dos anos desde do lançamento do primeiro filme lá em 2013. Ao trazer Vera Farmiga e Patrick Wilsonpara contar as história do casal paranormal Lorraine e Ed Warren, a franquia também serviu para colocar o diretor e produtor James Wan no mapa de diretores para prestarmos atenção em Hollywood, fez a divisão de terror dentro da Warner Bros se tornar extremamente lucrativa, tanto que um dos chefões foi parar na divisão da DC (mesmo que lá não tenha dado muito certo), e principalmente conseguir criar esse Universo Invocação do Mal e fazer com que os filmes entrassem para cultura pop e ganhasse uma legião de fãs.

Photo Credit: Giles Keyte/Copyright: © 2025 Warner Bros. Entertainment Inc. All Rights Reserved.
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Se tornou, de fato, um marco do cinema de gênero. E não foi só o casal Warren que se tornou queridinho do público, não. A boneca Annabelle, e A Freira (que sempre aparecia em um quadro) também. A história do casal, os artefatos e os mitos ajudaram a criar esse grande Universo de Invocação do Mal, onde ao longo dos anos, a franquia já arrecadou mais de US$2 bilhões mundiais em bilheteria. E por isso durou tanto tempo.

Mas Invocação do Mal 4: O Último Ritual (The Conjuring: Last Rites, 2025) chega para ser o capítulo final disso tudo, onde agora a franquia principal se despede. Afinal, o tão criticado terceiro filme mostrou que os filmes já sofriam sinal de desgaste, e dos filmes principais, foi o que teve uma das menores arrecadações, ao ser lançado nos anos de pandemia lá em 2021. Talvez, seja também pelo fato que Vera Farmiga e Patrick Wilson também quisessem se dedicar a outros projetos, mas fica claro que Invocação do Mal 4acaba por ser esse ponto final na história de Lorraine e Ed Warren.

A essa altura do campeonato, dá para dizer que foi bom Invocação do Mal 4 ter sido o último filme da dupla. Claro, o longa acaba como um grande novelão, mas acaba bem! Talvez, seja a mão do diretor Michael Chaves (que trabalhou em outros filmes da franquia depois de A Maldição da Chorona) que realmente segue a fórmula, talvez, seja a forma como a trajetória do casal tenha sido construída ao longo dos anos, onde agora, nesse quarto filme, temos a introdução da filha mais velha do casal Judy (Mia Tomlinson) na trama, e também vemos que Lorraine e Ed estão aposentados e fora do circuito das investigações paranormais que os deixaram famosos e mal vistos em algumas alas da igreja (conforme afirma um dos personagens em um dos momentos desse novo filme).

Enquanto Invocação do Mal 4 trabalha com tramas paralelas para contar essa última história, e isso passa um sentimento de estarmos vendo uma trama serializada e que demora para as coisas acontecerem, o roteiro de Ian Goldberg, Richard Naing e David Leslie Johnson-McGoldrickconsegue construir o sentimento de tensão aos poucos já que a ameaça que assombra a casa da família Smurl(na foto abaixo) é uma que tem que ser grande o suficiente para chamar a atenção dos Warren e os fazer sair do banco dos reservas e ir para campo novamente.

Photo Credit: Courtesy of Warner Bros. Pictures

Já que a ação fica concentrada, pelo menos no começo, grande parte na casa em que vivem os oito membros da família Smurl e que começam a serem perturbados por uma entidade sobrenatural. Descobrimos que um espelho comprado de segunda mão é a raiz de todos os problemas e apenas amplifica a relação de inimizade entre as duas irmãs Dawn (Beau Gadsdon) e Heather(Kíla Lord Cassidy), entre outras coisas, e também, claro todo o aperto que essa família vive na casa que parece ser pequena demais para todos eles.

E até o longa parece estar lotado de personagens. Afinal, Invocação do Mal 4 tem que construir não só a história dessa família, como também, em paralelo, mostrar tudo o que acontece com os Warrens que lidam com o fato de não só estarem aposentados e agora dando palestras para estudantes que não ligam para o tema que eles dedicaram suas vidas, como também o fato que agora é o momento que Judy decide levar o namorado Tony (Ben Hardy,muito bem e um certo alívio cômico para filme)para ser apresentado para família.

A jovem ainda lida com visões de assombrações enquanto cantarola uma música sobre uma bolsinha perdida e pessoas que não estão ali. Já Ed (um pouco mais de drama para Wilson) precisa lidar com os problemas no coração (e o ataque cardíaco que teve no filme anterior) e Lorraine (Farmiga sempre ótima como a personagem) com um segredo que carrega desde do nascimento da filha anos atrás.

Claro, o bate bola entre as narrativas das famílias soa um pouco arrastado, mas isso não quer dizer que Invocação do Mal 4 ao longo da narrativa não entregue boas cenas e passagens de assustar. Tem pelo menos umas três delas que realmente eu fiquei bastante aflito e desviei o olhar da tela para não ver o que estava acontecendo. E todas elas envolvem a tal ameaça que os Warren enfrentam e que parece muito mais poderosa e ameaçadora do que as outras.

Invocação do Mal 4 segue a fórmula do terceiro filme e apresenta mais um “caso real famoso” que os Warren enfrentaram. E aqui como estamos já nos anos 80 (e o filme tem uma recriação de época bem bacana nos figurinos e tudo mais) vemos as repercussões da ida dos Smurl para a TV para falar dos acontecimentos estranhos que acontecem na casa, as participações e entrevistas aos programas noturnos, e os apelos em televisão que o casal Jack (Elliot Cowan) e Janet (Rebecca Calder) fazem em busca de tentarem chamar a atenção da igreja e quem sabe dos especialistas paranormais. Não os Caça-Fantasmas!.

A narrativa solidifica a ameaça sobrenatural como uma com laços pessoais com os Warrens, onde vemos que Ed e Lorraine já enfrentaram essa mesma ameaça em outra oportunidade. Acaba por ser uma interessante, mesmo que simples e apressada, a conexão e finalização do arco desses personagens, já que o roteiro meio que corre nos momentos finais para explicar tudo e já parte para colocar tanto os Warren quanto os Smurls para enfrentar de frente a tal ameaça.

Invocação do Mal 4faz o que a franquia  Invocação do Mal tem feito nos últimos filmes. Aposta em efeitos práticos e na antecipação do susto para efetivamente assustar. Tem uma cena em que vemos uma personagem experimentando um vestido de noiva numa sala cheia de espelhos que realmente é muito boa. E basicamente o filme todo tem esses pequenos momentos. Seja nos pisos antigos fazendo barulho, num telefone de fio longo, ou com bonecas endemoniadas (e sim, Annabelle dá as caras de volta), VHS amaldiçoados, ou até mesmo algumas possessões demoníacas que são muito bem feitas em termos de efeitos práticos.

Num ano onde o gênero realmente surpreendeu, seja em contar boas histórias ou na bilheteria, com Pecadores, Faça Ela Voltar e A Hora do Mal, parece que o tempo dos Warrens passou. No final, fica claro que Invocação do Mal 4 foi a tentativa de dar um final digno para Ed e Lorraine e deixar o gosto amargo que o terceiro filme deixou com os fãs e com a franquia.

Com a possibilidade de prequels e spin-offs sempre no horizonte, fica claro que a franquia fecha a porta do galpão cheio de artefatos que tiveram contato com alguma atividade sobrenatural. Como diz Ed em uma das partes do filme, é melhor deixar todos eles aqui, do que por ai. E isso diz muito sobre a franquia, que com esse quarto filme soube a hora de parar.

Avaliação: 3 de 5.

Invocação do Mal 4: O Último Ritual chega em 04 de setembro nos cinemas.

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