Festival do Rio | O Olhar Misterioso do Flamingo | Crítica: O belo pode ser encontrado mesmo no mais árido dos lugares

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O Olhar Misterioso do Flamingo, longa chileno do diretor Diego Céspedes, foi o grande vencedor da mostra Un Certain Regard no Festival de Cannes no começo do ano e é a aposta do país para tentar uma vaga em Melhor Filme Internacional. E a competição segue acirrada para o Brasil em 2025/2026 tá?

Já que ao chegar para a sessão no Festival do Rio eu sabia pouco sobre o que esperar desse projeto. E a minha sessão estava modernamente lotada para uma sessão, às 14h, em plena segunda-feira. E ter ido as cegas, foi a melhor coisa que eu fiz. Fui só com a sinopse lida.

Afinal, fui completamente surpreendido por um filme lindo, extremamente comovente e que mostra a relação dessa microssociedade de uma cidade do interior, onde conhecemos a jovem Lidia (Tamara Cortes) que vive num casarão no meio do nada com sua família de mulheres trans que animam as noites do lugar em uma espécie de bar improvisado com casa de espetáculos.

Isoladas do restante da vila, um amontuado de casinhas simples, de pessoas simples que trabalham na extração de minerais, por conta de uma doença misteriosa que é passada pelo olhar, Lidia navega pelas tribulações da juventude com suas mães Boa (Paula Dinamarca) e Flamingo (Matías Catalán). A relação dessas mulheres com o restante da população, principalmente com os homens, é tensa, e as coisas só se complicam quando um corpo aparece na lago numa noite.

A forma como Céspedes conta essa história com uma representação da epidemia da AIDS nos anos 80 com um toque de realismo mágico e uma certa misticidade é muito bonito de se assistir por mais triste, devastador e melancólico que seja. Tudo é contado, filmado, e mostrado com uma preocupação gigante nos detalhes e na forma como tudo é apresentado. No meio do feio, do cruel, O Olhar Misterioso do Flamingo consegue contar a história dessa menina de uma forma simples, bonita, mas extremamente eficaz.

E quando os homens resolvem atacar e encurralar as mulheres, O Olhar Misterioso do Flamingo ganha um novo ritmo uma nova camada a ser colocada na narrativa na medida que Lidia vê em primeira mão seu destino ser moldado. No meio da secura, do deserto, e do preconceito, O Olhar Misterioso do Flamingo acaba por ser uma história sobre relacionamentos, sobre amadurecimento, sobre amor, e sobre encontrar o outro lado da moeda depois de um evento traumático.

Filme visto no Festival do Rio em Outubro de 2025.

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Confira um clipe do longa.

O Olhar Misterioso do Flamingo tem distribuição da IMOVISION no Brasil. Sem previsão de estreia por enquanto.

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Miguel Morales

Sempre posso ser visto lá no Twitter, onde falo sobre o que acontece na TV aberta, nas séries, no cinema, e claro outras besteiras.  Segue lá: twitter.com/mpmorales

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