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Extermínio: O Templo dos Ossos | Crítica: Ralph Fiennes e os caóticos 20 minutos finais salvam novo da franquia.

É extremamente satisfatório ver o que Ralph Fiennes faz nos últimos 20 minutos de Extermínio: O Templo dos Ossos (28 Years Later: The Bone Temple, 2026). O único problema é tudo que vem antes. E por antes, incluo só não as poucas mais de 1h20min iniciais do longa como também o filme anterior Extermínio: A Evolução que foi lançado no ano passado.

Fiennes não só comanda uma presença massiva e avassaladora em tela como também uma que chama atenção pela cara pintada de branco, um olhar maníaco, e um que ele não fazia desde que estava envolvido pela maquiagem pesada e os efeitos visuais do Lorde das Trevas em Harry Potter, como também faz a melhor coisa aqui e definitivamente é o que salva esse novo capítulo da franquia que eu particularmente não cai de amores.

O que Fiennes entrega em Extermínio: O Templo dos Ossos apenas comprova duas coisas, sendo que são coisas que já sabíamos: a primeira delas é que ele é mesmo um ator de primeira, um dos melhores atores britânicos e um dos melhores da geração dele. E segundo que aquele Oscar que ele perdeu por Conclave foi sim roubado. Risos. Se não concordam, que discordem aí na casa de vocês. Meu texto, minhas regras.

Photo by Courtesy of Columbia Pictures – © Columbia Pictures
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O novo capítulo da franquia Extermínio pega um ar, que não chega a ser um grande fôlego, pelas mãos da ultra talentosa Nia DaCosta que aqui assume a função na direção e consegue não só seguir com a linha do que vimos Danny Boyle entregar com A Evolução no ano passado, mas ao mesmo tempo também apresenta alguma coisa bacana e que consegue se distanciar um pouco do que foi mostrado no passado. Claro, ainda é um pouco díficil dizer, e identificar algum tipo de padrão para chamar de “um filme com assinatura de DaCosta” e falar esse filme foi feito por ela só de bater o olho, mas dá para ver que Extermínio: O Templo dos Ossos não só é um filme visualmente mais interessante do que o antecessor, como também um mais empolgante dos dois.

E digo isso como uma pessoa que não amou nem esse e nem o do ano passado. Mas reconheço que faz um bom filme. Já que é interessante ver que Extermínio: O Templo dos Ossos acaba por ser um estudo de personagem, na verdade de personagens, e de fato acaba por ser um filme que serve para conectra duas partes dessa história com um futuro ainda não certo para a franquia. 

Ou seja, um possível último filme para encerrar essa nova trilogia de Extermínio deve vir aí. Afinal, o que os personagens fazem aqui são puramente frutos de quem eles são, das consequências de seus atos, e o que estavam dispostos para sobreviverem nesse mundo apocalíptico.

E digo estudos de personagens porque Extermínio: O Templo dos Ossos, sim, claro faz Fiennes entregar ainda mais bons momentos para o Dr. Kelson, mas também por que se aprofunda mais em outro personagem que conhecemos em Extermínio: A Evolução: Jimmy Crystal (um ótimo Jack O’Connell), um líder de um bando que fomos introduzidos no final do longa anterior.  

E O’Connell continua a roubar as cenas nos filmes que participa. Foi assim com Pecadores no ano passado, no finalzinho de Extermínio: A Evolução e agora em Extermínio: O Templo dos Ossos. Com um sorriso psicótico, o olhar fulminante e uma tiara ah lá Princesa Diana na cabeça, Sir Jimmy Crystal não só se apresenta como uma ameaça imprevisível para o jovem Spike (Alfie Williams) como também para o desenrolar da trama, de maneira geral, na medida que vemos o menino não só sobreviver aos eventos do filme anterior, como depois cair nas graças do personagem, onde vemos que ele vai precisar lutar para garantir o seu lugar ao adentrar ao grupo formado por outros jovens rebeldes que andam com Crystal.

Photo by Courtesy of Columbia Pictures – © Columbia Pictures

A cena do começo, onde todos eles (Sam Locke, Maura Bird, Emma Laird, Robert Rhodes e Erin Kellyman) estão num ginásio, e a missão de Spike é uma pra lá de sanguinária, dita o tom violento que Extermínio: O Templo dos Ossos se desenrola. 

Assim, enquanto vemos o Dr. Kelson liderar com as consequências de seu isolamento, e a chegada de um dos zumbis alpha (Chi Lewis-Parry) na região do cemitério lá do filme passado, vemos também Spike precisar amadurecer ainda mais rápido que pode para sobreviver aos capricho de Sir Jimmy Crystal e dos outros pirados do grupo que também se chamam Jimmys que não poupam nada e ninguém. Vai dizer isso para o grupo que eles encontram na floresta e invadem a fazenda.

E é muito ver a atriz Erin Kellyman (com passagem pela Marvel) novamente em um papel de destaque como um dos Jimmys e um muito diferente do que ela entregou em A Incrível Eleanor também lançado no ano passado. Sinto que DaCosta não só consegue usar todos esses atores da melhor forma possível como também os usar para entregar em tela o sentimento crescente de angústia do que pode acontecer com esses personagens que o roteiro de Alex Garland cria para a narrativa como também acerta em fazer isso de uma forma visualmente bacana de assistir.

E mesmo que as tramas paralelas de Extermínio: O Templo dos Ossos levam um tempo para se interconectar, onde isso deixa o ritmo do longa um pouco arrastado, e nos leva também ao questionamento de por que estamos vendo certas cenas e passagens, DaCosta faz tudo isso não parecer tão ruim como soa. Como falei, quando lá para os 20 minutos finais tudo se conecta como um clique e entendemos as motivações de todos eles, de Sir Jimmy, para os Jimmys, Spike, o zumbi alpha, e Dr. Kelson, é que o filme engrena e muito.

E em termos de construção de mitologia, Extermínio: O Templo dos Ossos avança muito na história e apresenta uma conclusão para esse arco que começou no filme anterior e se desenvolveu, um pouco arrastado, nessa sequência.

Depois de cenas impressionantes no cemitério de ossos, com uma boa trilha sonora que aqui no final é tocada no talo, e atuações marcantes de Fiennes e O’ Connell, Extermínio: O Templo dos Ossos galopa para um novo capítulo igual um zumbi infectado vendo sua presa e um que os fãs de longa data da franquia Extermínio aguardavam ansiosamente. E acho que não vai ser preciso esperar novos 28 anos para saber que vai acontecer com o final desse filme e a surpresa que ele entrega.

Nota:

Extermínio: O Templo dos Ossos chega nos cinemas em 15 de janeiro.

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Miguel Morales

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