Categories: CríticasFilmes

Eternidade | Crítica: Elizabeth Olsen lida com o pós vida em divertido e reflexivo filme

A curiosa trama de Eternidade (Eternity, 2025) foi o que chamou mais a atenção quando foi revelado que o longa faria pré-estreia na edição 2025 do Festival de Toronto alguns meses atrás. E juntamente com a narrativa promissora, a revelação dos nomes envolvidos que estavam atrelados ao projeto foram motivos mais que suficientes para colocar o longa na lista de filmes para ficarmos de olho no badalado TIFF.

Afinal, não basta ter uma boa história hoje em dia, e aqui, uma original, com um conceito que já foi destrinchado em outros longas, claro, mas uma que não depende de uma outra mídia pré-existente, e sim também ter nomes conhecidos que ajudem a vender esse projeto. 

E Eternidade tem isso. Tem 3 atores em Hollywood bastante competentes, que tem dado as caras aqui e ali, em outros projetos bacanas, e que fica claro que tem um certo cuidado na hora de escolherem seus próximos filmes.

O destaque, claro, fica com Elizabeth Olsen, que realiza o filme durante o seu [longo] tempo de descanso da Marvel Studios, onde a atriz protagonizou por anos a personagem da atormentada Wanda, e aqui, com Eternidade, novamente abraça uma personagem divertida, estranha, cheia de complexidades e uma que ela consegue tirar de letra. Mais uma vez. É louvável ver como Olsen, ao longo dos anos, tem escolhido papéis que de certa forma conversam entre si. Da própria Wanda, para a Candy Montgomery na minissérie Amor & Morte, no dramático As Três Filhas, para agora com a Joan em Eternidade.

E Olsen lidera esse elenco muito bem, como uma mulher que depois de viver uma vida longa, cheia de filhos, netos, e bisnetos segue seu caminho depois de batalhar contra um câncer nos momentos finais e parte para o pós-vida. Numa dinâmica curiosa no melhor estilo de produções serializadas do streaming dos últimos anos que fizeram um certo sucesso, como Upload e The Good Place, Eternidade segue então Joan depois de tudo que aconteceu com ela e que agora está de volta para o momento em que ela mais se sentiu feliz (regras desse universo). Joan chega na grande e movimentada estação de trem do pós-vida para se encontrar com o seu atendente no pós vida (John Early) que a receberá para ela decidir qual será o seu destino final, ou seja, o lugar que ela vai passar sua eternidade (regras desse universo).

Foto: A24
Publicidade

Mas é claro, que as coisas em Eternidade não são tão simples assim. Afinal, ao longo dos 7 dias que Joan tem para tomar sua decisão ela não só se encontra com o marido Larry (Miles Teller), com quem ela passou a vida junto, mais de 60 anos, e que tinha acabado de falecer momentos antes (e que curiosamente tinha morrido por conta de um salgadinho), mas também com o primeiro marido, o jovem charmoso soldado Luke (Callum Turner) que também faleceu, depois que foi lutar na guerra (a da Coreia, vamos deixar claro) anos antes e ficou esperando a esposa nesse tipo de limbo durante todo esse tempo. Alerta de Plot Twist.

Assim, Eternidade apresenta a escolha difícil, a escolha de Sofia que Joan tem que tomar. Será que ela passa sua eternidade com o marido, onde eles finalmente vão conseguir descansar, depois de uma vida toda juntos? Ou Joan escolhe passar a eternidade com Luke e ver como seria a vida (aqui no caso a pós vida) que eles não puderam ter juntos? 

No meio das diversas regras que existem nesse universo, na vasta mitologia que Eternidade apresenta, e que no meio tempo que tudo isso é apresentado para nós junto com o desenrolar de vermos Joan se encontrar com seus antigos parceiros, os roteiristas (David Freyne e Pat Cunnane) brincam com essa excentricidade que o filme insere esses personagens.

Afinal, uma vez que você escolhe sua eternidade, como o nome já diz ela é para sempre. Sempre. Não há volta. (Regras desse universo). No meio dos dias que os personagens passam nessa estação de transição, que é o local pré-decisão da eternidade, é divertido notar as diversas piadinhas que são colocadas em tela, na medida que Joan, Larry e Luke apresentam uns para os outros o local e suas particularidades. 

Segundo as regras desse universo apresentadas em Eternidade, existem diversas “barracas” com diversas opções de locais para os recém chegados escolherem e passarem a eternidade. Os recém-chegados podem escolher passar suas eternidades em mundos pré-estabelecidos: Um mundo só com celebridades, um mundo só com ginástica, ou um onde você morará em Paris (ou uma versão de Paris) para sempre. O mundo de uma vida simples no subúrbio foi descontinuado!

E como falamos, nada é simples em Eternidade, e o filme peca um pouco em repetir algumas piadas, e algumas situações, principalmente enquanto vemos Joan, Luke e Larry, juntamente com seus respectivos atendentes Ryan (Early) e Anna (uma hilária Da’Vine Joy Randolph, finalmente num projeto bom pós Oscar) defenderem seus casos, onde longa realmente abraça o debate de quem a nossa protagonista deve escolher.

“É uma competição, sim!” diz um dos personagens lá para a metade do filme, quando o momento da decisão chega para Joan. Para um filme com debates tão ricos e interessantes sobre a vida, e o pós-vida, e que são apoiados pelo tom cômico do texto e a atuação maravilhosa de Oslen, Teller e Turner, o longa realmente vai para todos os lados nessa questão e mostra as diversas opções que Joan tem.

O diretor David Freyne (sem nenhum outro projeto muito marcante até o momento) consegue utilizar os cenários artificiais que o mundo do filme usa de uma forma bastante interessante de se assistir. Quase como uma peça de teatro de baixo orçamento, Freyne usa esses cenários práticos de uma forma bastante lúdica para contribuir com o humor sempre presente do texto para essa situação curiosa e inusitada que se apresenta. Seja quando vemos a luz artificial mudar de noite para o dia, ou quando os personagens entram numa espécie de museu das memórias para reverem momentos chaves de suas vidas, depois de passarem por um porteiro mau-humorado e cansado. 

E mesmo se você concorde, ou não com as decisões de Joan (eu não concordei com várias!), Eternidade funciona muito bem em nos apresentar toda essa situação de uma forma que realmente diverte e nos faz sair pensativos sobre tudo que se desenvolve ao longo do filme.

No final, Eternidade acaba por ser muito mais do que apenas: quem vai ficar com quem? e sim um filme que mostra que mesmo no pós-vida algumas questões, anseios, dúvidas e alegrias continuam as mesmas. Para saber como termina, agora de verdade, a vida de Joan, você só precisa de um ingresso para ver embarcar nessa jornada com ela. Vale a pena.

Nota:

Eternidade chega nos cinemas nacionais em 4 de dezembro.










Publicidade

Publicidade
Miguel Morales

Sempre posso ser visto lá no Twitter, onde falo sobre o que acontece na TV aberta, nas séries, no cinema, e claro outras besteiras.  Segue lá: twitter.com/mpmorales

Recent Posts

Temporada final de The Boys ganha novo e explosivo trailer

Temporada final de The Boys ganha novo e explosivo trailer

16 horas ago

Adam Scott é solitário escritor perseguido por antiga bruxa que assombra hotel em filme de terror

Adam Scott é escritor perseguido por antiga bruxa que assombra hotel em filme de terror; confira…

17 horas ago

A disputa aumenta na temporada 2 de Treta; confira trailer

A disputa aumenta na temporada 2 de Treta; confira trailer

18 horas ago

A revolução vai começar em novas cenas de The Testaments estrelado por Chase Infiniti

A revolução vai começar em novas cenas de The Testaments estrelado por Chase Infiniti; atração chega…

19 horas ago

Documentário sobre a vida e carreira do criador do SNL tem depoimentos de diversos comediantes famosos; assista trailer

Documentário sobre a vida e carreira do criador do SNL tem depoimentos de diversos comediantes…

19 horas ago