“Foi um projeto super intenso. Só de filmagens foram quase 3 meses”, afirma Vera Egito, diretora da série Tremembé, em entrevista

Em 2020, o jornalista Ulisses Campbell lançou o livro Suzane: assassina e manipuladora que contava de forma minuciosa, baseado em uma série de entrevistas, depoimentos e investigações dos atos, o caso von Richthofen que marcou o início dos anos 2000.
A obra contava desde do dia do assassinato do casal Manfred e Marísia nos anos 2002, passava pelos anos, até que chega em 2006, onde Suzane (a filha do casal), foi condenada, para depois seguir pelos anos posteriores e pela passagem da mesma no sistema prisional brasileiro.
E o trabalho de Campbell com esses casos de grande repercussão continuou e o autor lançou, no ano seguinte, Elize Matsunaga: A mulher que esquartejou o marido, livro que conta a trajetória de Elize Araújo Kitano Matsunaga, que, lá em 2012, matou e esquartejou o marido.
Campbell lançou ainda livros focados nos crimes de Flordelis e do Maníaco do Parque, mas são essas duas primeiras figuras é que fazem parte da narrativa da nova série Original Amazon nacional: Tremembé.
A atração é baseada nas obras do autor que cuidou dos roteiros juntamente com um time formado por Vera Egito, Juliana Rosenthal, Thays Berbe e Maria Isabel Iorio. Vera Egito cuidou da direção geral da atração e dirigiu episódios junto com Daniel Lieff.
A tarefa de viver Suzane ficou nas mãos de Marina Ruy Barbosa (Totalmente Demais e Império) na atração, já de Elize com a atriz Carol Garcia (A Dona do Pedaço e Quanto Mais Vida, Melhor!) e a ideia de Tremembé é contar o dia-a-dia não só delas, mas de outros presos que cometeram crimes que pararam o noticiário nacional e chocaram por suas brutalidades.
Assim, completam o elenco ainda os atores Bianca Comparato como Anna Carolina Jatobá, Bianca Comparato como Anna Carolina Jatobá, Kelner Macêdo como Christian Cravinhos, Lucas Oradovschi como Alexandre Nardoni, Letícia Rodrigues como Sandrão e Anselmo Vasconcelos como Roger Abdelmassih.
Em entrevista para o site Campbell e Egito desvendam as principais curiosidades sobre os bastidores da atração. Confira abaixo.

ArrobaNerd: Eu acho que a pergunta que muita gente tem é: como surgiu essa ideia de colocar todas essas figuras conhecidas na mesma série? Podem contar um pouco sobre como foi o processo de pré-produção… de adaptar os livros… de como a ideia chegou na Amazon? Queremos todos os bastidores!
Vera Egito: A ideia veio do Prime Video, na figura da Julia Prioli, que é a executiva criativa do Prime, que pelo que eu entendi foi quem teve contato com os livros do Ulisses, e contatou o Ulisses para comprar os direitos. E acho que veio muito da Julia, do Prime, mesmo a ideia de retratar esse convívio.
A série é inspirada nas biografias da Suzane, e da Elise, mas não é sobre as biografias, né? Na verdade o que interessou na biografia delas, foi o momento em que elas se encontram na penitenciária. E foi isso que chamou atenção dela e que deveriamos falar desses encontros na penitenciária. Que ainda não foram falados.
Aí vemos que [na ala] masculina temos os Cravinhos, Abdelmassih, o Nardoni, todo mundo convivendo juntos. E isso foi criando essa curiosidade dela.. e aí a Julia me chama para dirigir e para desenvolver o roteiro junto com o Ulisses. A Paranoid entra como produtora e foi juntando a trupe.
Mas não são eles que contam as histórias deles. Somos nós, através de relatos e pesquisas.
Ulisses Campbell: Como você citou, o trunfo dessa série realmente são essas interações desses personagens dentro de uma penitenciária. E junto com isso vem as intrigas, os conchavos, os jogos de poder, o que eles fazem de certo e errado, para ganharem liberdade, como funciona uma penitenciária. Jogamos luz no dia-a-dia, no trabalho, nas relações interpessoais.
Os livros não são uma biografia. A história desses protagonistas começa depois que mostramos os crimes. Cada episódio começa com um crime, já que precisamos mostrar o que eles fizeram para estarem ali dentro. E a série se desenrola no dia-a-dia deles. Já presos.

ArrobaNerd: No bate-papo com os atores, conversamos sobre como foram feitas e gravadas as cenas da série. Se as cenas dos crimes foram gravadas antes ou depois das cenas na prisão e tudo mais. Queremos saber quanto tempo durou ao todo as gravações e termos de logística, qual momento que deu mais trabalho ou foi um maior desafio?
Vera Egito: O processo do audiovisual, a gente se organiza muito por locação, né? E não pela temporalidade [das cenas]. O presídio foi feito no Tucuruvi, numa ex-fábrica, num prédio que abrigava uma fábrica. Então alugamos aquele espaço e durante algumas semanas tudo que tem que ser filmado, filmamos naquele período.
Então não importa se foi a última cena da série ou a primeira. Temos que aproveitar que temos aquela locação e filmamos tudo ali. Quando acaba o aluguel dessa locação partimos para outra, por exemplo, o apartamento dos Nardoni. Se fosse na ordem, eu teria que desocupar uma fábrica inteira, ir para o apartamento, e depois voltar, então não faz sentido. Nos organizamos por locação. É por isso que é tudo fragmentado.
Desafios? Vários. Imagina que tivemos que erguer um presídio, aqueles beliches, todo o cenário, aquilo foi tudo construído. Aquele portal? Foi uma reprodução real do portal de Tremembé. Foi um baita trabalho! Ao mesmo tempo, quando fazemos a cena de um crime, igual dos Nardonis, que foi num apartamento, na mesma planta do que foi o crime, um super pesado. Tudo muito desafiador.
Ulisses Campbell: E temos muitos atores em cena também.
Vera Egito: E temos muitos figurantes também. A cena da rebelião? Uma super complexa também. As figurantes foram pessoas egressas do sistema penitenciário também, são mulheres que passaram também por essa experiência de rebelião e trouxeram suas experiências. A série tem muitas camadas. Foi um projeto super intenso. Só de filmagens foram quase 3 meses.

ArrobaNerd: Eu acho que o humor é muito presente, pelo menos no primeiro episódio, quando a Bianca Comparato como Jatobá diz: “Não chama ela não, você sabe o que ela fez? Tem crimes que não dá.” sendo que ela foi condenada por ter matado uma criança.
Como foi para vocês tentaram mesclar essas partes para realmente fazer com o público perceber que esses personagens nada mais são que pessoas sim, mas pessoas que realmente fizeram coisas bem ruins.
Vera Egito: Não acho que seja um humor. Acaba por ser uma coisa mais irônica. Uma coisa mais sarcástica. Por que faz você pensar: Mas o seu [o crime da Jatobá] tem condição, então? Não acaba por ser uma cena de comédia. Ela tá falando sério!
Ulisses Campbell: Tem uma coisa ali, na penitenciária de Tremembé, que é um lugar muito peculiar justamente por abrigar e ser moradia desses criminosos com sentença muito alta e que cometeram crimes violentos e geralmente entre familiares. Então, eles estão ali por que senão eles não sobreviveriam em outro lugar.
Então fica claro que nem a comunidade carcerária admite os crimes que eles cometeram. Soa irônico justamente por isso. Todos eles estão na mesma página, não tem crime pior do que o outro ali. São crimes brutais. Então, a ironia e o sarcasmo do texto vem desse comentário que a personagem fala. Inclusive o dela.
Ela até tem outra frase que chama atenção: Só tem mulher louca aqui. Então é isso, aparentemente ele também é uma dessas.
A primeira temporada de Tremembéestá disponível no Prime Video.
Tremembé está disponível no Prime Video.











