“Todos os atores deram tudo, estavam muito dentro. […] um grande gol nosso!” afirma Maria Farkas, diretora da série Jogo Cruzado

Um jogador de futebol meio bad-boy e uma jornalista sabichona apresentando o mesmo programa de TV? É receita para briga, para boa audiência, e claro, para confusão. E é exatamente isso que acontece em Jogo Cruzado, a nova série do Disney+ que é estrelada por Carol Castro e José Loreto.
Na trama, Matheus (José Loreto) e Elisa (Carol Castro), inimigos declarados. Ela é uma jornalista esportiva talentosa e de pavio curto; ele é um artilheiro de futebol famoso pelas farras. Quando um problema de saúde força o jogador a interromper sua carreira, Elisa tem a chance de apresentar seu primeiro programa de esportes, com uma condição: dividir a bancada com seu desafeto. A guerra entre eles vira a receita do sucesso
Criada por Ariana Saiegh, com direção de Pedro Amorime direção de episódio de Maria Farkas, fomos atrás do time de produção para desvendar os bastidores do seriado que chega com 8 episódios no dia 09 no Disney+.
Assim, a dupla de diretores desvendam os segredos de produção e contam algumas curiosidades dos bastidores de Jogo Cruzado.
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ArrobaNerd: Os bastidores de Hollywood nunca esteve tão em alta. De The Morning Showpara Hacks para O Estúdio. E agora temos Jogo Cruzadoque apresenta essa “tendência” que não é nova, mas que tá aí em uma nova fase para cá. Como foi que surgiu essa ideia e o que faz os bastidores da TV ser tão atrativo?
Pedro Amorim:Bom, tudo começou com a Ariana Saiegh, que é criadora da série, e que ela deu ideia: “Ah, e se a gente fizesse uma série sobre os bastidores do futebol?”. Aí o Álvaro Campos, que é o roteirista chefe, entrou no projeto, e Jerome [Merle, chefe de produções locais na Disney no Brasil], me ligou e chamou para fazer a série sobre os bastidores de um jogador de futebol. Mas, os bastidores da TV foi ganhando mais corpo do que a da vida do jogador.
E foi ai que pensamos, precisamos contratar alguém na direção. E eu falei, precisamos de uma diretora mulher, por que a personagem da Carol Castro, a Elisa Montes, ganhou mais força e ficou pau a pau com o personagem do Loreto né? Ficou tão protagonista quando ele. Aí eu falei: Cara, precisamos de uma mulher para contrapor aqui coisas que eu não tenho lugar de fala para dizer.
E foi por isso que eu chamei a Maria Farkas que é a melhor diretora do Brasil, eu sempre falo isso, e é quem sabe mais de futebol, muito mais do que eu. Então foi que surgiu essa ideia de fazer, uma série, uma comédia dramática, mais leve, mais também ao mesmo tempo, ácida, sobre os bastidores de uma TV esportiva. E que nunca tinha sido feita antes né? Acho que é uma novidade. E a curiosidade é o que move a humanidade né?
Maria Farkas: Então, todas essas séries que você citou, para a gente mesmo que trabalha com cinema, com televisão, a gente sempre tem essa curiosidade de olhar como é feito, né? Então, acho que isso é universal, e digamos assim, acho que isso não tem como não se engajar ao público.
ArrobaNerd: Enemy to lovers é um dos meus gêneros favoritos. E em Jogo Cruzado temos ai um enemy to coworkers que funciona muito bem. E acho que muito se dá pela dinâmica entre Carol Castro e José Loreto. Como foi encontrar esses dois? E o que fazem eles serem o Matheus e a Elisa perfeitos?
Pedro Amorim:Lemos com tudo mundo. E falando aqui, não teve nenhuma imposição do Disney+. Olha aí, falei “O” Disney+ hein? [risos]
Não teve nenhuma imposição do Disney+ em escolher, em ter que ser x ator e tal. Lemos com todos os atores, de todas as raças e credos.
Maria Farkas: E de todas as idades também.
Pedro Amorim: É, de todas as idades, inclusive nós adaptamos o roteiro, né? O personagem do Matheus era um pouco mais jovem. Só que quando o [José] Loreto leu com a gente, e falamos: “Cara, é o personagem, é o cara”. O Loreto já traz um pouco essa marra, sabe? E já tem essa vivência justamente que ele falou com jogadores de futebol. Assim, eu falei: “Caraca, será que vai? Será que [vai dar certo]?” E ele foi tão generoso e fez tão de peito aberto que, tipo, sabe, personagem tem lugar certo, sabe? Ator tem lugar certo com personagem. Encaixou. E ainda por cima, saiba jogar futebol.
Maria Farkas: Já a Carol, foi uma coisa muito louca, porque ela fez a leitura [para a personagem] sem maquiagem. Lembra disso? E foi muito impactante, porque a Elisa ela tem isso, né? Ela passa por uma transformação, imposta a ela dela entrar nesse modelo do que seria uma mulher sem óculos, com os cabelos e uma maquiagem. Só que ela não é isso, a essência dela não é essa. E foi muito legal. Ela leu de forma virtual, sem maquiagem, a gente falou: “Uai?”.
Sabe quando a pessoa já entra [e chama atenção] como o Pedro falou, os atores da série foram muito generosos. Foram muito assim, all in, sabe? É, ninguém ficou meio assim, você pode olhar, todos os atores deram tudo, estavam muito dentro. Então eu acho que isso é um grande gol nosso, de Jogo Cruzado.
ArrobaNerd: Eles leram separado? Cada um leu o seu, separado e aí depois eles leram juntos? Leram para fazer o que que é chamado de teste de química, né?
Pedro Amorim:Exatamente, aí depois, tínhamos que ver se eles funcionavam juntos. Aí depois, já foi ao vivo. Mas a gente já foi com grande esperança, falamos; “Ó, a gente quer que seja! É possivelmente vai ser, mas a gente tá aberto. Poderá ser o Loreto e possivelmente será Carol”. Agora vamos ver, obviamente se não batesse a química, ou a não química, né? Já que são personagens que se confrontam, né? Inimigos declarados. É, a gente viu que funcionou, e muito. E assim, foi nos ensaios, nas leituras, a gente ensaiou bastante. A Estrela Straus [preparadora de elenco] a ajudou a gente a preparar. Inclusive essa coisa do confronto dos personagens né? O confronto desses personagens principais.
Então, aí quando a gente viu que realmente rolou o embate e o Zé Loreto entrou no personagem mesmo, e ele provocava, sabe? Chegava atrasado de propósito, ela também era super estudiosa, sabe? E eles começaram a entrar nos personagens antes da gente começar a filmar e a gente falou: “Ah, é isso”. Legal.

ArrobaNerd: Durante o penúltimo episódio temos uma grande festa. Na verdade, na série toda temos muitas festinhas na casa do Matheus. Em termos de produção, logística, coisas que podem dar errado e etc: é mais difícil fazer um episódio de festa ou um episódio como o primeiro que temos um grande jogo de futebol?
Maria Farkas: Olha, o Pedro é festeiro. Ele é um PhD em festa. Então festa para ele é suave. Eu acho que o jogo foi mais difícil de fazer do que festa. Talvez, por causa disso. [risos]
Pedro Amorim:[Risos] É! Eu já gostei mais de festa agora tô 47 anos, então tô ficando velho e as ressacas. [Risos] Mas eu diria que fazer o jogo é mais difícil. Filmar futebol é muito difícil. Tanto é que você não tem muito filme de futebol, série de futebol, porque é difícil você filmar a dinâmica real sem parecer uma coisa ensaiada, sem parecer também que o tá, sabe, que tá que o estádio tá debilitado, que você não acredita, que o o que a torcida tá mal feita, sabe, tem um dinamismo que é difícil passar.
Então, você tem que ter muito ensaio, mas você também tem que deixar a coisa fluir, tem que ser filmada de uma forma dinâmica, onde você acredita. Então, acho que acaba sendo mais difícil, sem trazer verdade no futebol, porque é uma coisa mais difícil de retratar pela sua sua essência mesmo assim, né? Senão, a gente teria filme sobre o Pelé, uns três filmes sobre o Pelé, é, uns três filmes sobre o Neymar, assim, filmes de ficção, eu tô dizendo, quatro filmes sobre, sei lá, o Casagrande, sobre o Corinthians, sobre o Flamengo. E você não tem, né? No país de futebol! É muito difícil. É difícil.
ArrobaNerd: Como foi em termos de produção levar em consideração a forma como a série seria consumida? Digo que por mais que os episódios tenham começo, meio e fim, e boa parte deles tem bons ganchos? O próximo está ali para o espectador assistir e ao mesmo tempo funcionaria muito bem como uma série semanal. Como foi essa discussão? Teve essa discussão?
Pedro Amorim:Sim, a ideia é que a gente faça segunda, terceira, quarta temporada, se tudo der certo!
Mas essa coisa dos ganchos explícitos, para engajar no próximo episódio, tomamos o cuidado sempre de ter. Teve episódios que a gente no roteiro, isso tudo no roteiro, a gente mudou muito pouco depois na montagem. Quando a gente via que o gancho tava fraco, e com a ajuda do Disney+ e com a ajuda do Álvaro, e a equipe dele, a gente sempre se preocupava muito em ter essa continuidade de episódio para episódio.
Maria Farkas: A gente Isso é uma coisa que vem desde os roteiros. A nossa equipe de roteiro foi muito fera. Todos os episódios, se você for ver, tem um arco de temporada, mas todos os episódios tem trama A, trama B, trama C.
Os personagens são muito coerentes né? Do começo ao fim. Então, um trabalho meticuloso, sinistro de roteiro e o canal, o Disney +, é, foi também né? Muito atento a isso, eu diria, a ter ganchos, por que claro que a gente quer que todo mundo assista. Quanto mais gente assistir, mais legal. Então, foi um grande trabalho, muito de roteiro e depois na montagem.
Acho que na filmagem, filmamos de acordo com o que dava, com todas as confusões que aconteciam, as dificuldades, o que era dia, o que era noite, o que era interior, o que era exterior. Se choveu, se não choveu. Tudo isso manda mais na filmagem do que a estrutura de roteiro propriamente dita.
Arroba Nerd: Lembro que você, Pedro, contou a história que vocês começaram a gravar as cenas de um jogo porque o Loreto tinha machucado o pé e aí você tinha que mudar tudo….
Pedro Amorim: Os planos de filmagem, que tínhamos 10 por dia, alterou muito. Porque ele quebrou o pé, ele é um jogador de futebol, ele quebrou o quinto metatarso, que é o dedo mindinho uma semana antes de de filmar, né? Então a gente teve que mudar tudo. Aí depois a Carol, duas semanas, ela estourou o joelho, né? Ela falou lá o menisco e tal. Também a gente teve que mudar tudo.Um momento que ela tinha tinha que usar salto, tinha que fazer truques e tal e é muito louco, quem não viu a série não percebe. Não imagina a dificuldade que foi.
Confira o trailer da atração:
Jogo Cruzado conta ainda com nomes como Leandro Ramos, Luciana Paes, Gabriel Santana, Danilo Moura, Aline Dias, Nando Cunha, Ravel Cabral e Roberto Birindelli no elenco.
A atração tem ainda participações especiais de grandes nomes como: Aloísio Chulapa, Joel Santana, Walter Casagrande, Bebeto, Cafu, Mauro Naves, Daniela Boaventura, entre muitos outros.
Jogo Cruzado – 1º temporada | Review: Gol de placa
Jogo Cruzado chega em 09 de julho.











