“Esse trabalho me fez entender que pessoas são capazes de cometer atos horrendos” afirma Kelner Macêdo, intérprete de Cristian Cravinhos, na série Tremembé; confira entrevista com o elenco

A tarefa de viverem pessoas que foram condenadas por crimes hediondos não é uma fácil e isso ficou claro para os atores Bianca Comparato, Lucas Oradovschi, Anselmo Vasconcelos e Kelner Macêdo que assumiram essa função em Tremembé, o novo Original Amazon nacional que chega no Prime Video como uma das grandes estreias da plataforma no ano.

A atração vai mostrar as trajetórias de figuras conhecidas do noticiário policial, e suas vidas dentro e fora da penitenciária que leva o nome da atração conhecida como “prisão dos famosos”. Nos capítulos vamos ver nomes que vão desde de Suzane von Richthofen (Marina Ruy Barbosa), Daniel Cravinhos (Felipe Simas) e Christian Cravinhos (Macêdo), condenados pelo assassinato dos pais de von Richthofen.
Passando pelo casal Anna Jatobá (Comparato) e Alexandre Nardoni (Oradovshchi), condenados pelo assassinato de Isabella Nardoni; do médico Roger Abdelmassih (Vasconcelos), condenado a mais de 181 anos de prisão pelo estupro de 37 pacientes em sua clínica de fertilização e de Elize Matsunaga (Carol Garcia), condenada por assassinar o marido, entre outros.

Os episódios da atração, são 5 no total para esse primeiro ano, são baseados nos livros de Ulisses Campbell(“Elize Matsunaga: A mulher que esquartejou o marido” e “Suzane: assassina e manipuladora”), sendo que Campbell também assina o roteiro ao lado de Vera Egito, Juliana Rosenthal, Thays Berbe e Maria Isabel Iorio.
A direção geral é de Vera Egito, direção episódica de Daniel Lieff.
Durante bate-papo, Comparto e Oradovshchi comentaram sobre as diferenças das criações desses personagens duas etapas das vidas deles, e retratadas na série: o antes e o depois do crime. O intérprete de Nardoni comenta: “Não precisamos trazer essa camada [extra], de como era a vida antes do crime. O que a gente pega é antes do crime, são momentos antes. E, talvez, acabem por ser horas ou minutos antes….”
Oradoshchi também diz que sua composição maior do Nardoni foi nesse pós-crime. “É um personagem muito solitário, muito angustiado, muito assombrado com o que aconteceu.”
Já Comparato, a interprete da esposa e também condenada pelo morta da enteada, conta que Tremembé realmente quis focar muito mais do outro lado da história e mostrar não o que levaram essas pessoas a cometerem esses crimes, e sim, na vida pós o crime. “Você começa a ver situações que você não costuma ver normalmente em produções de true crime, muito menos em casos como esse: que é a vida dentro do presídio.”
E isso levou a atriz a descobertas pessoais interessantes na hora de compôr a detenta. Comparato afirma: “Eu não sabia dessa relação de amizade das duas. Não sabia que ela, dentro da prisão, a única amiga que ela tinha era Suzana.”.
Outra coisa que foi uma qu mais surpreendeu a atriz foi a contradição de Anna Jatobá ter sido condenada pela morte da enteada, mas também ter a relação com os filhos.

A cena do crime dos von Richthofen, e que abre o seriado, acontece meio que “off câmera”, mas isso não impediu dos intérpretes sentirem o peso da gravação dessas cenas. Para Macedo, que interpreta Cristian, o irmão de Daniel que tinha uma relacionamento com Susane e que matou os sogros, as gravações dessas cenas foram as mais desafiadoras.
Ele diz: “Essa parte do crime, e das cenas do crime, foi o que mais foi difícil para mim dessa trajetória de [interpretar] o Cristian. A coisa mais difícil, para mim, foi de chegar até o momento das [gravações] do crime.” Ele conclui: “Foi um trabalho muito forte!”
Confira o bate-papo na integra do site com o quarteto, onde eles comentam os principais desafios, curiosidades de bastidores e mais.
ArrobaNerd: Acho que para começar, acho que seria interessante se vocês pudessem descrever o personagem de vocês em uma palavra.
Bianca Comparato: Segredo!
Lucas Oradovschi: Solidão!
Anselmo Vasconcelos: Mentira!
Kelner Macêdo: Obsessão!
ArrobaNerd: Bianca e Lucas, durante a pré-estreia da série no Festival do Rio, vocês revelaram que o episódios de vocês, ou que o personagens de vocês tem mais destaque na trama, é o terceiro.
E por mais que a gente conheça já os personagens que vocês interpretam já logo no primeiro episódio, eu queria saber as gravações das cenas dos flashbacks. As cenas dos crimes! Elas foram gravadas antes ou depois que vocês gravaram as cenas da prisão?
Lucas Oradovschi: Foi uma da nossas últimas diárias nossas. Foi bem no finalzinho já [das gravações].
Bianca Comparato: É foi uma das nossas últimas diárias, sim.
ArrobaNerd: E como que foi criar esses personagens nesses dois momentos distintos? Porque acho que a grande graça de ver Tremembé é você já sabe, já chega vendo a série, sabendo dos crimes, né? Então acho que o dia dia da prisão é o que meio o que move o seriado. Então, queria que vocês comentassem um pouquinho desses dois momentos distintos para os personagens.
Bianca Comparato: Realmente são momentos bem diferentes para eles mesmo. Vemos que eles estão em liberdade antes, então é uma vida, uma maneira de ser. E eu acho que Tremembé quando juntam essas pessoas ali dentro, você começa a ver situações que você não costuma ver normalmente em produções de true crime, muito menos em casos como esse: que é a vida dentro do presídio.
E ver quem que fica mais isolado, quem que forma relações, quem que faz amizades, inimizades, quem é maltratado, quem é bem tratado. Os sistemas todos de poder ali, e temos coisas que muito cotidianas que a gente vê eles fazendo, né? Tomando café, almoçando, tomando banho. Enfim, então eu acho que é isso, eu acho que são momentos realmente muito distintos. Mas no caso dos dois eu acho que eles seguem muito parecidos… porque eles carregam esse segredo, essa coisa com a memória do que aconteceu que perpassa também o momento [que os vemos na] prisão. Então, eles carregam o crime até lá dentro.
Lucas Oradovschi: E a série partindo dos crimes, não tem todas as situações anteriores. Então, a gente não precisa trazer essa camada de como era a vida antes do crime. O que a gente pega é antes do crime, são momentos antes. E, talvez, acabem por ser horas ou minutos antes….”
Então, ali, já existe, no entendimento, uma situação emocional, de pressão, de densidade, que depois acontece o crime e é como aquele crime vai reverberar a vida inteira, né, na mente da pessoas. E como aquilo que eles cometeram, aquilo que eles fizeram, vai reverberar, vai assombrá-los durante toda a vida deles. O personagem do Alexandre Nardini na maneira que a gente constrói, é um personagem muito solitário, muito angustiado, muito assombrado com o que aconteceu.
ArrobaNerd: E para vocês Anselmo e Kelner….
Anselmo Vasconcelos: O caso do Roger foi um estranhíssimo porque ele consegue sair da prisão, voltar para uma vida normal e aí depois ele volta [de novo] para a prisão. Então ele consegue isso através de uma mentira né? Ele atesta uma doença que ele não está sentindo ainda e depois quando realmente ele consegue ficar doente, ele consegue, não, ele fica doente, a juíza não não acredita e não liberta ele.
Então, é um uma tragédia extraordinária, assim, de ser observado.
Kelner Macêdo: E essa parte do crime, e das cenas do crime, foi o que mais foi difícil para mim dessa trajetória de [interpretar] o Cristian. A coisa mais difícil, para mim, foi de chegar até o momento das [gravações] do crime. Mas é isso, contamos com uma equipe, com uma produção, que dava todo o suporte que precisávamos e que criou um ambiente seguro para podermos nos jogar nesses abismos e poder voltar bem né?
Então, foi um trabalho muito forte! Eu e o Felipe, nós, sem combinar, sem fazer nada, [quase] um pacto em palavras… foi um pacto muito silencioso, chegamos no set, já estava tudo pronto, né, figurinado, pegamos as barras de ferro e em silêncio e começamos a caminhar pela casa como se não tivesse ninguém ali, como se aquela equipe não existisse. E assim, ficamos até [a duração do] setacabar.
Entravámos em cena, filmava, voltava e assim ficamos. Não conversávamos, não fazíamos nada… tudo para manter essa energia, né? E acho que foi a coisa mais difícil, assim, o desafio, que era manter essa energia para essa cena, para a diária inteira.
ArrobaNerd: E acho que o Christian é um personagem que promete bastante na série porque temos todo obviamente o arco da prisão, mas tem também a sua relação com o personagem do João Pedro Mariano [que interpreta o detento Duda que chega na ala masculina logo no primeiro episódio] que vocês tão ótimos, e para mim, as primeiras cenas do primeiro episódio são maravilhosos. E perguntando diretamente para você Kelner, mas abro também para vocês todos:
Quando vocês receberam o roteiro ou que vocês viram o roteiro pela primeira vez dos primeiros episódios e o que que chamou atenção na complexidade desses personagens, né? Tem alguma palavra ou algum sentimento na primeira mesa de leitura ou até mesmo quando vocês estiveram na casa de vocês vendo os roteiros. Tem alguma coisa em especial que chamou mais atenção nesse começo da produção?
Kelner Macêdo: É, para mim, foi começar a olhar para essas pessoas como pessoas. Sabe?
Porque eu acho que a gente fica muito ligado ao crime, né? Tem muito essa imagem…dessa memória do crime, então associamos essas pessoas a monstros, a seres quase de outro mundo e não como pessoas. Esse trabalho me fez entender que são pessoas que são capazes de cometer atos horrorosos, horrendos.
Anselmo Vasconcelos: São realmente crimes horrendos.
Bianca Comparato: Para mim, com a Jotobá, eu comecei a pesquisar muita coisa sobre ela. Uma coisa que pouco se falava e que a gente até esquece, às vezes, é que ela, foi condenada por ter matado enteada, mas ela é mãe de dois meninos. Então, ela é mãe e assassina, né? Ou pelo menos condenada por um assassinato, coisa que ela não admite, não confessa. Então, foi essa contradição dela. E, por exemplo, eu não sabia que ela, dentro da prisão, a única amiga que ela tinha era a Suzana.
Eu não sabia dessa relação de amizade das duas. Isso também me me surpreendeu. E eu acho que também o contexto todo dela durante o crime, que eu também não sabia, ela tava com ela tinha tido dois filhos, em sequência, um do outro, tava sofrendo de depressão pós-parto, também de uma série de coisas que eu também na época, a gente não não ficou sabendo.
Eu fiquei bem estudando também esse esse lado dela, assim, também como eles falaram, para analisar o ser humano completo e não só esse ato monstruoso, né?
Lucas Oradovschi: [Nosso papel] era carregar essa contradição, sustentar essa contradição, até o final, não tentar resolver nada. Exato.
Bianca Comparato: Levar perguntas, né? E não respostas.
Todos os episódios de Tremembé estão disponíveis no Prime Video.
Entrevista editada para melhor compreensão e entendimento.











