Share

Deu Match: A Rainha de Apps de Namoro | Crítica: Deslize para a direita

É curioso notar que no meio de filmes sobre produtos/aplicativos de tecnologia, seus criadores, e as confusões que marcaram suas criações, o longa Deu Match: A Rainha de Apps de Namoro(Swiped, 2025) chegue 15 anos depois do filme A Rede Social.

Lançado em 2013, o app de relacionamento Tinder (o primeiro dos dois apps em que as histórias de suas criações são contadas aqui) basicamente tem menos tempo de vida que o próprio filme de David Finchersobre a criação do Facebook, que foi lançado 3 anos antes, e que catapultou as carreiras de Jesse Eisenberg e Andrew Garfield. Mas será que essa história da criação desses dois outros apps é uma história vale a pena deslizar para a direita para sabermos mais sobre?

 Photo courtesy of 20th Century Studios © 2025 20th Century Studios. All Rights Reserved.
Publicidade

Sim, claro! Nas palavras de Reese Witherspoonque criou uma produtora só para contar esse tipo de história “Histórias femininas importam! Elas apenas importam!” e nesse momento, pós-Me-Too, a história de Whitney Wolfe Herd é uma que vale a pena ser contada. Afinal, Herd não só criou um app de sucesso, ela criou dois.

Mas será que valer a pena contar essa história acaba por ser uma boa história contada? Afinal, em Deu Match: A Rainha de Apps de Namoro vemos que essa jornada de sucesso não foi tão simples assim. Como nunca são. Claro, Deu Match: A Rainha de Apps de Namoro está de longe ser um novo A Rede Social, e é notável que o filme tem seus altos e baixos, seja em termos de narrativa, ou em qualidade em diversos outros aspectos de produção, mas, a presença de uma carismática Lily James (pós Pamela Anderson em Pam & Tommy) no papel de Herd é o que dá o tom para o longa.

Deu Match: A Rainha de Apps de Namoro tem uma mensagem interessante por trás (mais sobre isso abaixo), ao querer contar a trajetória de Herd ao longo dos anos e coloca uma lupa não só no mercado de tecnologia americano, como também nas relações de trabalho nesse ambiente extremamente competitivo, e principalmente, ao contar a história de uma mulher na multi-bilionária indústria de tecnologia, tradicionalmente dominada por executivos homens e cercada de misoginia.

O longa por bem ou mal segue a fórmula desses filmes que resolvem contar os como, porquês, e quem na criação de uma empresa e de um produto que deu certo e fez sucesso. Claro, é uma dramatização, então temos cenas que simplificam as coisas e que precisam ser contadas na linguagem de cinema e de fácil visualização. Como por exemplo, em uma passagem em que temos um grupo de funcionários que estão reunidos em uma reunião e alguém tem uma ideia brilhante do nada. E é a coisa que ajudou a definir o sucesso do app.

Aqui em Deu Match: A Rainha de Apps de Namoro, a que mais chama atenção, é uma em que vemos um dos personagens ter uma enquanto tomava banho, o banheiro ficou embaçado e ele teve a ideia do deslizar para a direita e esquerda e acabou por salvar o app. São cenas assim, com alguém tendo uma grande ideia, que salva o projeto, que você dá uma passada de pano e que serve para ter algum tipo de dinamismo para a narrativa.

Assim, ao retratar e ficcionalizar os bastidores da criação do Tinder, e depois do Bumble, Deu Match: A Rainha de Apps de Namoro, a diretora Rachel Lee Goldenberg, roteiro meio rocambole escrito por Goldenberg, Bill Parker e Kim Carmele, e o filme como todo, acaba por quer focar na mensagem sobre essa mulher estar num cenário extremamente masculino.

E aqui no filme esse “embate” é representado de uma forma meio plana e sem a complexidade que esse tema exige. Essa narrativa acaba por ser representada nas figuras dos personagens do ator Ben Schnetzer, como Samum bam-bam da tecnologia que cruza caminho com Herd, e a contrata para trabalhar na incubadora de tecnologia que ele tem e que dá o pontapé inicial para o filme e de Jackson White, como Justin, um cara cheio de contatos na indústria que acaba por ir trabalhar na incubadora, tem um relacionamento conturbado com Herd ao longo do filme, e diz as coisas mais absurdas que você vai ouvir nesse filme.

Os dois atores estão bem, ma, claramente, servem como estepes narrativos para levar a trama de um ponto A (a chegada de Herd na incubadora) para o B (a saída de Herd do local). Assim, nota-se que em Deu Match: A Rainha de Apps de Namoro não é nada sutil, e falta, um pouco de cuidado para vermos as pistas, ou o que chamamos de foreshadowing (quando temos insinuações de eventos futuros na narrativa por meio de diversos indícios, sejam eles visuais ou em diálogos) serem mostrados.

Photo courtesy of 20th Century Studios © 2025 20th Century Studios. All Rights Reserved.

Principalmente, pelo fato, e que é até é pontuado por uma das personagens em uma das passagens do filme, Tisha, uma das colegas de Herd na incubadora e que eventualmente se torna melhor amiga, interpretada por Myha’la, de que a protagonista ao tentar fazer sua voz ser ouvida no ambiente de trabalho, passava por cima de diversas outras vozes (de colegas mulheres) em busca de um lugar na mesa.

No meio desses detalhes que prejudicam um pouco a experiência com o longa, é inegável, dizer que sim Deu Match: A Rainha de Apps de Namoro entrega um filme descoladinho e divertido, na medida do possível, claro, para um filme que lida diversas questões espinhosas como relacionamentos abusivos e tudo mais e que tem James em bons momentos. A atriz realmente sustenta o longa e faz de Deu Match: A Rainha de Apps de Namoroter um aspecto mais de filme do que apenas ser mais uma produção para o streaming como foi o seriado WeRockna Apple ou até mesmo o longa sobre o criador do Tetris.

James é o que faz o longa funcionar em diversos momentos. Seja quando vemos Herd no auge contratada por uma incubadora, como um cargo alto de executiva de vice-presidente de marketing, e lançando um app de sucesso que bate 1 milhão de inscritos, para depois na crise, quando ela deixa a empresa alegando um ambiente de trabalho tóxico com o ex-namorado abusivo, e na disputa pelos créditos de co-fundadora do Tinder e se vê numa batalha judicial não só contra a empresa que trabalhava, mas na imprensa e na mídia que a destrói, e num dos primórdios das batalhas e assédios virtuais e do cancelamento online nas redes sociais.

O longa ganha um pouco mais de corpo com a entrada de um multimilionário russo interpretado por um extremamente divertido Dan Stevens, como o criador da rede social rival Badoo e que serve como uma fada madrinha cheia de sotaque para Herd em ajuda a criar o app Bumble, um focado só para mulheres em que as elas que dão o primeiro passo, e também acaba por ser um grande sucesso.

Nesse momento, com mais de 1 hora de filme, Deu Match: A Rainha de Apps de Namoro começa a acelerar na narrativa para conseguir condensar os diversos anos e acontecimentos da vida de Herd. Não é como se estivéssemos a ler entradas na wikipédia sobre a fundadora, mas dá para ver a mão na edição ali, sem dúvidas. Das cenas que mostram como o Bumble também se tornou um app de sucesso, para o fato que Herd começar a bater de frente com Andrey, em boas cenas entre James e Stevens, para uma conclusão um pouco fácil demais quando temos a entrada de um advogado interpretado por Dermot Mulroney na jogada e que salva Herd pela enésima vez.

Ao priorizar a mensagem, em prol de uma narrativa mais fluida, Deu Match: A Rainha de Apps de Namorosegue essa história de uma forma interessante de se acompanhar ao focar por mais altos e baixos que ela tenha passado. A presença de James ajuda, e muito, o filme a decolar principalmente quando temos passagens mais dramáticas e que não poderiam ser retratadas de forma leviana.

No final, é mais um filme que retrata os acontecimentos da criação de alguma coisa, de uma forma fictícia, e que utiliza nomes, pessoas e locais alterados para ninguém levar um processo. Como dizia o slogan de A Rede Social: você não pode fazer 500 Milhões de amigos sem fazer alguns inimigos. E aqui em Deu Match: A Rainha de Apps de Namoro é exatamente isso que acontece, e olha que Herd também fez alguns muitos ao longo de sua trajetória.

Avaliação: 3 de 5.

Deu Match: A Rainha de Apps de Namoro está disponível no Disney+.

Publicidade

Publicidade
Publicidade

Publicidade
error:Vamos com calma no copiar e colar!
Publicidade
Publicidade