Coyote Vs Acme | Crítica: Um híbrido de live-action e animação que vai entrar para a História

Diferente do Tas, dá para dizer, sem dúvidas, e sem rodeios: Coyote Vs Acme (2026) é um triunfo cinematográfico. E do ano. É um milagre que esse filme tenha chegado aos cinemas, bem como estreado nos cinemas nacionais.

E digo isso, por tudo que envolveu os bastidores desse longa nos últimos anos: da ideia que o filme foi aprovado só para manter a marca Looney Tunes viva pela divisão animada do estúdio Warner Bros, do elenco escolhido com nomes conhecidos que ajudaram o filme a ganhar uma certa força, para a surreal história do engavetamento do longa por contas de questões fiscais, passando pela tentativa de venda para outros estúdios e cinemas, e, enfim, até a confirmação de que o longa sairia nos cinemas agora em agosto de 2026, anos depois que toda essa timeline de eventos se sucedeu.

Photo by Courtesy of Ketchup Entertainment – © Ketchup Entertainment
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E dizer que o filme está com essa bola toda não é só por conta das coisas que aconteceram fora das telas, não. Coyote Vs Acme tem uma qualidade narrativa que o faz, também, ser um bom filme. Sinto que, de certa forma, o filme vai fazer para uma geração inteira aquilo que Uma Cilada para Roger Rabbit fez no final dos anos 80 e Space Jam fez nos anos 90.

E não só isso, Coyote Vs Acme é divertido, extremamente bem-humorado e cheio de boas piadas. Para os fãs, é Looney Tunes no seu melhor, e ainda mais por ser focado em personagens fora do eixo Pernalonga, Patolino etc. E aqui tudo dá certo, principalmente por conta da premissa completamente divertida e superinteressante que o filme apresenta: colocar o Coyote no meio de uma batalha jurídica contra a corporação ACME, na medida em que o desenho resolve processar a empresa por todos os anos e produtos que ele comprou na busca por capturar o Papa-Léguas.

E assim, temos diversos outros personagens de Looney Tunes dando as caras aqui. Vemos o Piu-Piu virar um agente do mal, a Vovó ter um caso com um cientista, o Tas como chefe de relações públicas, o Patolino preso numa instituição mental, o Gaguinho fazendo bicos como modelo de nu artístico e muitos mais. Todos eles aparecem com o Coyote quando o mesmo cruza caminho com a figura de um advogado de porta de cadeia sem muito mais com fé na profissão chamado Kevin (Will Forte, hilário), uma jovem estagiária que quer se provar chamada Paige (Lana Condor, completamente fora do tom aqui) e uma equipe de um pequeno escritório de advocacia, onde assim temos a definição de um verdadeiro filme David vs. Golias.

E ao colocar esse grupo contra a gigante corporação ACME, aqui representada pelo CEO Frangolino e um implacável chefe jurídico chamado Buddy Crane (John Cena, que, por mais engraçado que seja e esteja, aqui não combina também com o tom do filme de maneira geral), Coyote Vs Acme garante algumas surpresas e reviravoltas.

A parte mais legal aqui fica em mostrar e encaixar diversos personagens Looney Tunes nessa trama, que ganha ares de conspiração na medida em que Kevin, Coyote (que não fala, mas também não quer usar demais as placas) e Paige começam a buscar informações para fortalecer o caso deles. Seja pelas doideiras em que a trama coloca esses personagens enquanto eles esperam os dias para o tal julgamento que vai colocar a ACME na berlinda e quem sabe fazer também com que o Papa-Léguas vá depor para ajudar o grupo na empreitada.

Photo by Courtesy of Ketchup Entertainment – © Ketchup Entertainment

De certa forma, Coyote Vs Acme faz com que o espectador abrace essa história e torça para que o Coyote consiga vencer o caso contra a ACME. De uma forma brilhante, o roteiro de Samy Burch (com história ainda de Burch, Jeremy Slater e James Gunn, e baseado num artigo escrito por Ian Frazier para a revista New Yorker) ainda faz um retrospecto dos momentos mais marcantes da relação do Coyote com o Papa-Léguas e a busca incansável dele pela ave.

Coyote Vs Acme ainda vai a fundo na essência do que é essa relação e o que faz essa parceria continuar por anos, de uma forma divertida, simples e que não deixa de entregar aquilo que por anos foi a marca registrada dessas histórias. Coyote Vs Acme funciona como uma homenagem e também como uma revitalização dessa história para o público atual.

Claro, o filme não é perfeito, tem alguns problemas de efeitos visuais e edição, mas é muito bacana ver o desenrolar dessa história, dos planos do Coyote para conseguir vencer o caso, e a forma como paralelamente a história do desenho combina com a história do protagonista de Forte, que realmente é muito bem desenvolvida e complementa bem a aventura que esses personagens vivem.

No meio de surpresas que dão o tom de aventura jurídica e de “true crime” para a história, Coyote Vs Acme acaba por ser uma ótima aventura maluca de personagens que não perdem o título de serem lunáticos mesmo. A doideira aqui fica em realmente termos as chances de ver este filme nos cinemas. É basicamente um milagre. Igual se, um dia, o Coyote conseguir capturar o Papa-Léguas.

Nota:

Coyote Vs Acme chega em 27 de agosto nos cinemas.

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Miguel Morales

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