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Control Z | Crítica da 1ª Temporada

Control Z é a nova aposta da Netflix para fisgar o público teen. A série tem tudo que o algoritmo do serviço de streaming adora nos empurrar: séries em colégio, séries em colégio faladas em espanhol, séries em colégio faladas em espanhol com uma trama de investigação.

E isto é basicamente o que define a série mexicana Control Z, que faz um recorte de diversas outras produções, mas que aqui parece conseguir se sobressair e entregar uma história viciante e extremamente maratonável em época de quarentena. Afinal, ao dar o play, e conhecer os personagens, queremos saber quem é o hacker que atormenta esse grupo de amigos. 

(Fique tranquilo que não vamos contar aqui apenas comentar um pouco da temporada)

Control Z pega alunos de um mesmo grupo, onde um hacker expõe suas verdades para o todo colégio, alguns banais e outros bem graves, e realmente mostra como eles lidam com as consequências e as repercussões de suas escolhas. Logo no começo vemos o grupo perder suas influências e status na escola, mesmo que às vezes o texto da série, não leve as novas informações divulgadas sobre eles tão a sério quanto deveria.

Os dois primeiros episódios (1×01 – Aniversariante e 1×02 – Vítimas) são extremamente frenéticos e servem como uma forma de apresentar todo esse ambiente escolar bastante tóxico que os alunos vivem. Claro, eles tem todos os privilégios possíveis, tem status, dinheiro, e tudo mais, mas parece que alguém não está muito feliz com suas atitudes. A série apresenta ao mesmo tempo seu antagonista, o hacker, e ainda quem irá tentar o desmascarar, a jovem excluída Sofia (Ana Valeria Becerril, muito boa).

Control Z | Crítica da 1ª temporada
Foto: Ana Cristina Blumenkron/Netflix
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Sofia é a clássica definição do que chamamos nos filmes de terror de final girl, aquela personagem que vive para descobrir quem é o assassino mascarado que atormenta seus amigos, mas em Control Z, a jovem é uma garota que prefere viver isolada, observar seus colegas, tocar sua vida sem muitas interações com os colegas. É ela quem apresenta a sociedade do Colégio Nacional para os olhos do público, e para o novo aluno Javier (Michael Ronda), onde vemos através de seu olhar minucioso todos os detalhes que talvez não teríamos reparado sem ela ter nos contado e mostrado. 

Control Z mostra que realmente o hacker tem controle total sobre a vida de todos os personagens, e começa seu reino de ataques justamente por um dos mais graves e sérios, a exposição que uma das garotas mais bonitas e desejadas da escola, Isabela (Zión Moreno) , que é uma jovem trans, o que leva a garota receber ataques transfóbicos por parte dos colegas, e de seu namorado.

E quando pensávamos que Control Z, iria seguir a cartilha de apresentar o segredo de um personagem por episódio, a série logo no seu segundo capítulo, já solta vídeos comprometedores de todos os outros alunos de uma vez, transformando o colégio em caos e pura confusão. Assim, temos as acusações que Natalia (Macarena García) roubou dinheiro das contas do colégio destinado para o baile, o pai de Raúl (Yankel Stevan) é realmente um político corrupto, Pablo (Andres Baida) tem um membro avantajado e ainda trai a namorada Isabela com a “coelhinha“, e que Gerry (Patricio Gallardo) é viciado em acessar sites de conteúdo gay.

Todos eles que eram figuras populares no colégio começam a sofrer com as represálias dos outros alunos, basicamente invertendo as posições. Control Z faz seu episódio que acerta o fã de uma vez, sem avisos, e de lá para os outros episódios, as mensagens de texto do hacker continua a se intensificar, no melhor estilo Pretty Little Lies, uma notificação suspeita, um problema para se resolver. O mais interessante fica com o fato que o vilão misterioso obriga os alunos a divulgarem os segredos dos amigos em troca de guardar os segredos deles, o que acaba, claro por não acontecer. Assim, vemos ao longo da série que o tal grupo parece não ser tão unido assim, afinal, todos eles tem alguma coisa para esconder.

Control Z | Crítica da 1ª temporada
Foto: Ana Cristina Blumenkron/Netflix

Control Z então acompanha ao longo dos episódios a jovem Sofia, que também tem seus segredos guardados, na busca em tentar descobrir quem é o hacker. Os episódios são curtinhos, e a temporada tem apenas 8 episódios, onde Control Z parece não enrolar muito no desenvolvimento de seus mistérios, que por mais que os roteiros da série tentam nos levar para certas suposições, e achar que tal personagem poderia ser o hacker, no final, a trama parece que foi feita de uma maneira bem pensada e que responde quase todas as perguntas levantadas ao longo dos episódios.

A construção da história é feita de uma forma que os ânimos se elevam e a trama estoure quando o hacker força o tímido Luis (Luis Curiel) e Gerry a se encontrarem, onde uma briga é marcada, e que envolve todos os personagens em sequências fortes e impactantes. Control Z é uma série que pode despertar gatilhos em algumas pessoas tanto pelo bullying que sofre alguns personagens quanto pelo estado mental de algumas outras e que usam de tesouras para aliviar a dor que sentem. Assim, se você não estiver se sentindo bem, evite algumas das passagens da série.

É com a chegada da festa na casa de Raul lá pelo episódio 4 – Aula Noturna que a trama ganha seu maior fôlego, afinal, a lista de suspeitos se afunila, e o hacker se revela em pessoa finalmente.. É como a franquia Scream, onde o mascarado se revela para o seu principal oponente e o convida para jogar e fazer com que a jovem Sofia descubra quem ela ou ela é. Um jogo de xadrez que se torna íntimo e pessoal. 

Control Z parece que sabe movimentar essas peças para deixar o espectador intrigado com o que o hacker revela sobre esses estudantes, seus maiores medos, anseios e dúvidas, o que faz com que a trama se movimente de um forma incrivelmente ágil e sem perder tempo com barrigadas. O excelente episódio de flashback, 1×07 – Control Z conta a história de trás para frente e a motivação do hacker em criar tudo aquilo, coisa que está conectada com o final de temporada, 1×08 – Inimigo Público onde no melhor estilo Elite e Gossip Girl reúne todos os personagens em uma festa onde novos segredos são revelados, e o hacker enfim, desmascarado.

No final, Control Z faz uma primeira temporada amarradinha, deixa as portas abertas para uma próxima temporada, e claro, nos faz sentir empatia por alguns personagens que mudaram e evoluíram depois das amarras que foram soltas pelo hacker. Outros parecem que terão um longo caminho pela frente caso a Netflix renove a série para uma nova temporada. Control Z entrega uma história instigante que fará o espectador maratonar todos episódios de uma vez. Uma ótima, e viciante opção para a quarentena.

Control Z está disponível na Netflix

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Miguel Morales

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