Indicado ao Oscar em duas oportunidades, com Os Roses: Até Que a Morte Os Separe é a segunda vez que o roteirista Tony McNamara trabalha com a atriz Olivia Colman nos últimos anos.
McNamara e Colman trabalharam em A Favorita, longa do diretor Yorgos Lanthimos, que rendeu para ele uma indicação em Melhor Roteiro Original no Oscar e para ela não só uma indicação em Melhor Atriz como também o primeiro Oscar de atuação.
E como um bom casamento, igual ao que Os Roses: Até Que a Morte Os Separe mostra, Colman e McNamara voltam a trabalhar juntos. “Eu conhecia o jeito, e o ritmo, da Oliva por conta de A Favorita. O que foi ótimo em ter a Olivia [em Os Roses] é que ela é uma excelente atriz dramática e uma excelente atriz cômica.” diz ele.
Em Os Roses: Até Que a Morte Os Separe que chega nos cinemas no dia 28, Jay Roach cuida da direção e McNamara adapta o roteiro do livro de 1981 do autor Warren Adler. A história é tão rica que já gerou duas versões do filme baseada no mesmo livro (a primeira lá em 1989), mas não poderiam ser completamente diferente uma da outra. McNamara comenta da diferença que o público pode esperar quando a versão de 2025 estrear: “Este filme se apoia bastante na noção divertida da ideia de como o casamento é difícil.” afirma ele.
Em Os Roses: Até Que a Morte Os Separe, vida parece fácil para os Roses, Ivy (Colman) e Theo (Benedict Cumberbatch), já que eles são o casal perfeito: tem carreiras de sucesso, filhos maravilhosos, uma vida sexual invejável. Mas, por trás da fachada da família perfeita, um campo minado de competição e ressentimentos detona quando os sonhos profissionais de Theo desmoronam.
Em entrevista, o roteirista conta um pouco sobre os bastidores, desde pré-produção, como foi o trabalho antes de começar a escrever, e depois com o roteiro entregue.
Confira:
Tony McNamara: O conceito de casamento evolui constantemente na sociedade e parecia que o casamento tinha evoluído muito [desde o filme anterior]. Estávamos interessados em explorar isso.
Então, parecia um território interessante que me permitia dar uma guinada radical [em relação ao que havia sido feito antes]. Acho que este filme é muito empático com as pessoas que tentam se casar, de uma forma que talvez o outro não fosse. Este filme se diverte muito com a ideia de como o casamento é difícil; como você pode se esforçar muito, mas eventos aleatórios podem atrapalhar tudo. Nunca se fala sobre como a aleatoriedade do mundo é difícil de lidar para um relacionamento. Estávamos interessados em como as pessoas permanecem juntas. O primeiro filme talvez falasse mais sobre como eles [Oliver e Barbara Rose, interpretados por Michael Douglas e Kathleen Turner no filme original disponível no Disney+] se separaram, o nosso fala provavelmente mais sobre por que as pessoas se separam.
Tony McNamara: Eu queria inverter as circunstâncias deles. No início, Theo está em uma boa situação e tem o que deseja, que é a validação pessoal e profissional. Ele está prestes a deixar sua marca no mundo e se tornar um grande arquiteto de renome. E Ivy está vivendo uma espécie de meia-vida, ela vive por cuidar dos filhos e chega a administrar um pequeno restaurante que não é muito bem-sucedido. Então, eu quis que a aleatoriedade da vida virasse tudo isso de cabeça para baixo para eles. Escolhi as respectivas carreiras deles porque tanto a culinária quanto a arquitetura são carreiras workaholic, mas também carreiras extremamente pessoais.
(…) Nossas carreiras têm altos e baixos. Isso acontece em muitos negócios (…). De repente, Theo é desafiado pelo fracasso e Ivy é desafiada pelo sucesso. Eles trocam de posições em um instante. [Eu quis que fosse] rápido, e dramático.
Tony McNamara: [O que move a narrativa] é que Theo se torna um fracasso da noite para o dia quando uma terrível tempestade que ocorre no grande lançamento de seu novo prédio o faz cair devido a um problema de engenharia estrutural. Ao mesmo tempo, essa tempestade fez com que todo o tráfego fosse desviado para o restaurante de Ivy, que tinha também uma colunista/crítico gastronômico de uma publicação em São Francisco. Então, de repente, da noite para o dia, ela recebe uma ótima crítica e se torna uma superestrela, enquanto ele se torna motivo de piada na comunidade.
Embora depois Theo se dedique aos filhos e à vida de dono de casa e tenta deixar tudo para trás, o fato de não poder realizar sua verdadeira ambição o corrói. É aquela vozinha que martela na cabeça dele que ele vai morrer como um perdedor e ser motivo de piada o incomoda. Essa pequena voz. Já ela ama seu novo sucesso provavelmente mais do que deveria. Há uma frase no roteiro em que ela diz: “Tenho uma necessidade doentia pelas pessoas, pelo amor do público”. Isso porque ela pensava que tinha abandonado esses sonhos e, de repente, eles voltaram. Tanto Ivy quanto Theo estão presos em cenários diferentes, com suas próprias psicologias, dos quais não conseguem sair.
O que eu gosto neles como casal é que continuam tentando sair dessa situação, mas muitas vezes de maneiras idiotas, sem encarar a verdadeira realidade de seus problemas. E então tudo volta para assombrá-los. A tragédia disso tudo é que eles são apenas duas pessoas que querem se expressar, mas estão presos juntos e tentando fazer isso enquanto são casados. E eles não sabem como metabolizar tudo isso em um relacionamento saudável.
Tony McNamara: Eu sabia que esse filme iria ser um projeto do Benedict e da Olivia quando entrei na pré-produção. Eu nunca escrevo com as vozes dos atores em mente. Mas eu conhecia o jeito e o ritmo da Olivia em A Favorita [como falamos o roteiro foi escrito por McNamara, e pelo qual Colman ganhou o Oscar de Melhor Atriz]. O que foi ótimo em ter a Olivia é que ela é uma atriz dramática brilhante e uma atriz cômica brilhante. E eu sabia que queria que o roteiro fosse sombrio. Não tão sombrio quanto Quem Tem Medo de Virginia Woolf?, mas algo nesse sentido.
E Olivia e Benedict nunca tinham trabalhado juntos antes. Quando isso acontece, nunca se sabe como será a química entre os atores, independentemente de quem eles sejam. Mas, na primeira cena deles, pensamos: “Meu Deus, parece que eles estão casados há muito tempo”. Eles tinham uma conexão e um ritmo incríveis. Foi incrível.”
Tony McNamara: Sou australiano, mas moro em Londres e passo muito tempo trabalhando nos Estados Unidos e com americanos. Achei interessante comparar a articulação quase exagerada dos americanos com a articulação insuficiente dos britânicos. Achei que era uma situação muito engraçada, como um peixe fora d’água. E, como australiano, foi uma oportunidade para escrever sobre duas culturas das quais sou muito familiarizado, mas das quais também estou separado.
A sagacidade de Theo e Ivy é muito britânica, uma cultura que realmente valoriza o humor, a perspicácia e o sarcasmo. Mas, ao mesmo tempo, isso os mantém distantes de sua vida emocional, e podemos usar isso para explorar o que eles realmente sentem.
Tony McNamara: Adoro escrever cenas sobre jantares. É uma das minhas coisas favoritas. Não tinha planejado fazer isso, mas saiu muito rápido. Eu apenas pensei: “Ah, talvez eles devessem dar um jantar”, e então escrevi em uma tarde.
O que torna os jantares ótimos é que eles reúnem tudo em um lugar que é muito privado, mas também público. Você tenta se controlar, mas não consegue e acaba bebendo demais, e as coisas de todos ficam expostas. Essa cena parecia uma ótima maneira de usar a casa e o ego deles e revelar onde Theo e Ivy realmente estão um com o outro. Há uma fachada em organizar um jantar, e o que é ótimo sobre um jantar é que ele naturalmente se presta a desmascarar isso.
Confira o trailer do longa:
Os Roses: Até Que a Morte Os Separe chega em 28 de agosto nos cinemas nacionais.
Confira nossa entrevista com os dubladores d Cara de Um, Focinho de Outro.
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