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Chefes de Estado | Crítica: Cena & Elba chefiam formulaica comédia de ação

As diferenças entre as culturas americanas e britânicas já foram debatidas e mostradas nos cinemas e na TV durante anos. De Tudo Que Uma Garota Quer(2003) passando por Emily Em Paris, Ted Lasso, e Vermelho, Branco e Sangue Azul(2023), mas com Chefes de Estado (Heads of State, 2025) o que separa os EUA da Inglaterra nunca foi tão explosivo e, de certa forma, engraçado. 

O novo filme de ação da Amazon acerta ao colocar dois mega astros de Hollywood como os respectivos líderes de duas potências mundiais e segue a linha do que foi apresentado meses atrás, curiosamente também no Prime Video, com o filme G20 estrelado por Viola Davis. Mas se o filme estrelado pela vencedora do Oscar se destacou por colocar Davis no papel de protagonista, diferente de outros brucutus habituais de Hollywood que estrelam esse tipo de longa, Chefes de Estado segue à risca a fórmula para o gênero de ação.

Encabeçados pelo carismático John Cena (num bom ano com esse e logo em seguida a nova temporada de Pacificador) e pelo sempre competente Idris Elba, Chefes de Estado brinca com o conceito de enemy to friends. Só que aqui com dois caras, sem nenhum envolvimento amoroso (diferente do já citado Vermelho, Branco e Sangue Azul) que são os chefes de dois países e que precisam se unir para sobreviverem a queda de um avião. Esse evento dá o início para um grande golpe arquitetado por forças ocultas que eles precisam desvendar quem são antes da reunião da OTAN que eles (e seus respectivos países) devem participar. 

Assim, Chefes de Estado é mais uma empreitada dentro do gênero de “road trip”, aquelas produções onde os protagonistas vão em viagens e descobrem mais sobre eles, e também do “buddy comedy” onde temos duas figuras normalmente opostas e que são parceiros de cenas. E Cena e Elba tiram de letra isso e são realmente o grande destaque e o que faz efetivamente Chefes de Estado rodar bem e seguir a fórmula, coisa que o diretor russo Ilya Naishuller também faz certinho.

Depois de Anônimo, Naishuller realmente mostra que consegue trabalhar num filme de ação maior e com mais “star power” e que realmente ajuda a contar essa história doida entre o primeiro ministro britânico (Elba) e o presidente dos EUA (Cena) que são figuras completamente opostas, mas que tem que unir não só para sobreviverem ao ataque ao avião da Força Aérea 1, aos mercenários que estão caçando eles, e também descobrir quem é o infiltrado no governo deles que quer acabar com tudo e explodir as coisas. 

E se Naishuller segue a fórmula na direção e tira o melhor de Cena, Elba e também de Priyanka Chopra Jonasque entra na jogada lá para a metade do filme para as cenas de ação, perseguição e tudo mais, o trio de roteiristas Josh Appelbaum & André Nemec e Harrison Query segue bastante a risca o que deu certo em outros projetos do gênero ao criarem esse universo e popular com personagens dos mais batidos e caricatos dos possíveis. 

A começar pelo próprio Presidente Derringer de Cena, um ex-astro de filmes de ação que liderou uma franquia extremamente popular nos cinemas (chamada, risos, de Water Cobra), depois se candidatou para a Presidência e ganhou as eleições americanas de lavada e agora assume o país sem ter muito firmeza no que fazer. Passando pela contrapartida britânica do sério/quase arrogante Primeiro Ministro Clarke que há anos está no cargo, mas sofre com a baixa popularidade, e até mesmo para os chefes de cabine dos respectivos políticos, a americana Simone Bradshaw(Sarah Niles) e o britânico Quincy Harrington (Richard Coyle) que servem com olhos e ouvidos para seus respectivos chefes. 

E isso vale também para a introdução o da Vice Presidente americana, Elizabeth Kirk de Carla Gugino e do vilão interpretado por Paddy Considinee que é quem dá as cartas até certo momento junto com o personagem de Stephen Root que são também cercadas de coincidências e previsibilidades.

Afinal, depois que o avião explode, e a Presidência da maior potência do mundo é vaga, seguimos para acompanhar Derringer e Clarke enquanto eles precisam lutar para tentarem voltar para uma base secreta no meio da Europa Oriental. E depois que eles sobrevivem a queda, lidam com os paraquedas e passam um tempo na floresta é que Chefes de Estado ganha força. 

Já que Elba e Cena precisam passar com seus personagens diversos percalços enquanto embarcam nessa viagem e que são divertidos de assistir de certa forma. Nada muito espetacular, ou transformador, mas que cumpre seu papel. Seja ao vermos os dois tentarem roubar um carro velho e caindo aos pedaços de fazendeiros, ou fugindo dos mercenários no meio de um casarão no meio do mato, ou quando temos Elba, Cena e Chopra pilotando uma desgovernada limusine presidencial americana no meio da rua.

A dupla de ator vai mostrar um excelente uso do humor um pouco mais físico, enquanto a introdução da personagem de Chopra dá um pouco mais de ação, na medida que a agente secreta intercepta a dupla e tem como missão levar eles de volta para a Itália onde a reunião dos países que formam a aliança da OTAN acontece e não só os aliados estão lá, mas também a pessoa por trás de tudo isso.

E nesse meio tudo ainda temos uma participação especial de Jack Quaidcomo o líder de uma estação secreta de espionagem que os dois políticos usam para se esconder dos bandidos e que garante boas risadas mesmo que seja curta. Mesmo num pique de Sessão da Tarde, Chefes de Estado coloca esses dois atores para enfrentarem as possibilidades e adversidades para chegarem no destino final deles, quando aguardamos a reviravolta de quem é o responsável por tudo isso. 

Que no final é uma bem fraca e batida, mesmo que a cena leve para o grande tiroteio do final do filme. Chefes de Estadomostra que duas cabeças, três se formos contar a de Chopra que de certa forma tem bastante presença no filme, acabam por ser melhores que uma. Enquanto os três protagonistas explodem, atiram e correm por aí, Chefes de Estado garante um bom e descompromissado divertimento. Pior seria ter que assistir todos os filmes de Water Cobra igual Clarke fez, mas não quis admitir que viu.

Avaliação: 2.5 de 5.
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Chefes de Estado está disponível no Prime Video.

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