Chad Powers | 1ª temporada | Review: Uma Comédia Quase Perfeita!

É engraçado perceber que logo no primeiro episódio de Chad Powers: O Quarterback, vemos o jogador de futebol americano Russ Holliday, interpretado por Glen Powell (num bom ano aqui e com o inédito O Sobrevivente nos cinemas em Novembro), estar a caminho de encontrar o pai em um set de gravação e cruzar com um grande cartaz de Uma Babá Quase Perfeita, longa dos anos 90 em que o finado Robin Williams se transforma em uma senhora babá para ficar perto dos filhos, e isso servir como a grande inspiração para tudo que vai rolar no novo seriado do Disney+.

Glen Powell em Chad Powers: O Quarterback. Foto: Disney/Daniel Delgado Jr.
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Em Chad Powers, Powell interpreta esse jogador bad-boy que é cancelado por suas atitudes polêmicas em campo mesmo estando no auge de sua carreira, perde um grande campeonato, derruba uma criança com câncer da cadeira, briga com o pai dela e vê todo seu futuro desaparecer.

Quase 1 década se passa, mas Holliday ainda tem a esperança de voltar para os campos e aqui encontra a oportunidade em um time de futebol americano universitário que busca um novo quarterback e abre uma seleção geral e aberta para todos. Ele ainda está queimado, mas quer participar. A ideia de Holliday? Usar as próteses e maquiagens que ele rouba do pai (Toby Huss), um profissional que atua na indústria de filmes e trabalha no departamento de cabelo e maquiagem de grandes produções (ele está no novo do diretor Michael Bay) e que o jogador não tem um bom relacionamento. 

E lá vai ela para o Estado da Georgia com o kit de maquiagem roubado, seu carro tecnológico, e um plano em mente. Ou quase um plano. A premissa um pouco adoidada é a jogada inicial para esse seriado que surfa em um tipo humor extremamente característico e que não deve agradar todo mundo.

Mas, eu me diverti bastante. Afinal, Chad Powers é carregado de um bom texto, de referências para cultura pop e ainda de criar um clima de vergonha alheia na figura de Chad Powers, um bonachão, caipira e meio doidão, mas de bom coração que Holliday cria para tentar (e consequentemente conquistar) a vaga de quarterback e voltar a jogar depois de anos. É o plano perfeito? Não! Mas dá certo, o problema é como ele vai sustentar a mentira depois!

Claro, Powell continua com o timing cômico de sempre, principalmente depois de termos visto o ator em Assassino Por Acaso alguns anos atrás, e em Chad Powers está muito bem aqui, principalmente ao variar entre o cômico e dramático, e claro, com o tom de voz de Powers. E isso fica claro no texto co-assinado pelo ator juntamente com Michael Waldron (mais conhecido pela série Loki) que tem seus momentos geniais mesmo que a série sofra um pouco com uma edição um pouco picotada. 

Mas são os pequenos acenos que a série dá, como o cartaz de Uma Babá Quase Perfeita na faxada do estúdio, o nome do time de ser ​​Catfish, ou até mesmo das referências de filmes e momentos da cultura pop em geral (Holliday ter participado do programa The Masked Singer, por exemplo) e tudo mais que dão um charme para o seriado. O humor quando ele te acerta é certeiro, eu me vi rindo de diversas piadas, e os diálogos afiados e dos mais amalucados possíveis, são o que guiam a atração, afinal, Holliday como Powers precisa convencer todo mundo dessa farsa. De por todo mundo, digo, não só o time, mas também o espectador.

Glen Powell e Frankie A. Rodriguez em Chad Powers: O Quarterback. Foto: Zac Popik/Disney

E consegue em boa parte dos episódios. O primeiro ano é bastante ágil, às vezes, até um pouco apressado para fazer o truque de Holliday dar certo. Claro, Holliday não consegue enganar todo mundo o tempo todo, também isso acaba por ser um dos arcos mais legais da temporada, afinal, dá para o seriado a chance de termos Holliday em parceria com Danny, o mascote do time, que funciona como uma fada da madrinha do crime (ou como ele diz: eu acredito em segundas chances, mas se isso der certo você vai me dever uma!).

A dinâmica entre Powell e o ator Frankie A. Rodriguez (excelente aqui, e o verdadeiro MVP do seriado) é excelente e realmente entrega as melhores passagens que Chad Powers tem. Ao colocar esse jogador egocêntrico, vaidoso e egoísta em contato com a última pessoa que os membros do time prestam atenção, o cara que se veste do mascote do time, o seriado coloca esses dois numa corrida contra o tempo para manterem a farsa de pé. 

E isso acaba por ser muito engraçado por conta da personalidade completamente oposta dos dois. E entrega também o melhor episódio da temporada, o 4, onde eles precisam encontrar uma cola para grudar a máscara para o dia seguinte, mas tem também que ficarem presos na concentração para um jogo importante. Sem muitos spoilers, mas o episódio todo é muito divertido. 

Claro, Chad Powers faz o que todas as séries de esporte tem feito pós Ted Lasso e foca no relacionamento entre esses jogadores, os técnicos, os donos dos times e tudo mais. Tem cenas de esporte, dos jogos, e dos bastidores, sim, mas tudo acaba por ser apresentado de uma forma muito rápida e com pouco desenvolvimento de personagens fora Holliday/Powers. 

Claro, o arco da técnica assistente Ricky (Perry Mattfeld) que é uma mulher no meio de um esporte extremamente masculino e que ainda por cima é filha do técnico geral Hudson (Steve Zahn) é bastante interessante e se desenvolve bem ao longo da temporada, principalmente no último bloco de episódios. Mas, tirando ela, basicamente todos os outros personagens estão ali para fazer coro: é o caso dos outros jogadores, dos outros 2 técnicos que time tem, o Treinador Dobbs (Clayne Crawford) e Treinador Byrdd (Quentin Plair) e ainda da chefona do time, a sulista Tricia (Wynn Everett) que mesmo sem muita profundidade, querendo ou não tem bons momentos quando brevemente aparece.

Com episódios um pouco desconexos uns dos outros, e que acompanham a temporada de jogos, Chad Powers definitivamente é uma série de maratona. Já que a curta duração dá a possibilidade de alguns arcos serem desenvolvidos com começo, meio e fim, e outros servirem de ganchos para o próximo que você, desesperadamente, vai querer saber o que vai acontecer. 

No final, Chad Powers é isso, uma série quase perfeita, sobre um jogador nada perfeito, mas que está em busca de amadurecer mesmo sendo um marmanjo de mais de 30 anos. Mas se para isso acontecer for preciso colocar um nariz grande, uma peruca falsa, falar engraçado e andar de forma desengonçada já valeu a pena. Go Fish!  

Chad Powers: O Quarterback chega com 2 episódios iniciais e depois com episódios semanais no Disney+.

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Miguel Morales

Sempre posso ser visto lá no Twitter, onde falo sobre o que acontece na TV aberta, nas séries, no cinema, e claro outras besteiras.  Segue lá: twitter.com/mpmorales

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