É curioso lembrar que o primeiro Casamento Sangrento, lançado em 2019, não foi um filme que saiu nos cinemas brasileiros na época do lançamento. Enquanto a Disney faturava bilhões com os filmes em live-action de Aladdin, O Rei Leão e ainda lançou também os blockbusters Vingadores: Ultimato, Toy Story 4 e Frozen II, ficava claro que um filme de baixo orçamento, do selo da Searchlight, dirigido por dois diretores não muito estabelecidos em Hollywood e liderados por uma atriz que ainda também não estava na boca do povo parecia ser muito peixe pequeno para o estúdio.
E comparado com o line-up do estúdio naquele ano, até era mesmo. Mas tivemos a pandemia, que forçou muita gente a ficar em casa e rever filmes, a popularização do Disney+, a alta do gênero do terror para ajudar a alavancar o retorno para os cinemas e também o fato que os diretores Matt Bettinelli-Olpin & Tyler Gillett (conhecidos como Radio Silence) ganharam novos projetos e foram fazer outros filmes (inclusive a passaram pela franquia Pânico) depois que Casamento Sangrento se tornou um queridinho dos fãs, da crítica, e faturou uns trocados em bilheteria.
Tudo isso ajudou, e anos mais tarde, lá veio a noiva mais uma vez e a sequência foi anunciada. E não só isso, Casamento Sangrento: A Viúva (Ready Or Not 2: Here I Come, 2026) conseguiu fazer o que as sequências fazem, onde é nítido o aumento das coisas aqui, onde o novo filme não só aumentou a quantidade de nomes interessantes no elenco como também prometeu expandir a mitologia apresentada inicialmente no que podemos chamar de primeiro capítulo dessa história.
Assim, a sequência dá a chance para conhecermos mais sobre o Sr. Le Bail, o demônio que fez acordo com a família Le Domas, e também mais de contexto para o excêntrico ritual que a jovem Grace (Samara Weaving que pavimentou sua carreira no gênero depois do primeiro filme) precisou enfrentar logo depois da cerimônia de casamento e liderado pelos novos familiares.
E a dupla de roteiristas Guy Busick (que trabalhou com Radio Silence nos filmes Pânico) & R. Christopher Murphy garantem que as coisas em Casamento Sangrento: A Viúva continuem logo nos momentos que o primeiro filme terminou: com Grace, toda cheia de sangue, fumando um cigarrinho depois que todos os seus novos familiares morreram e a mansão dos Le Domas pegou fogo.
Ela entrou no hall de final girl marcantes, sem dúvidas. Então, se você sobreviveu, nada mais justo voltar para a sequência. Claro, Casamento Sangrento: A Viúva acaba por soar um pouco derivativo em relação ao primeiro filme e quase soa como se eles tivessem dado um reboot na franquia, mas não deixa de entregar bons momentos e boas passagens, sem dúvidas.
Casamento Sangrento: A Viúva e Radio Silencie apostam no tudo ou nada aqui, mas, por nada, o que temos é um “nada de novo”. Afinal, o sentimento de novidade e da sensação de frescor na narrativa é deixado de lado e sinto que muito do filme, principalmente do começo, é um repeteco de informações, construção de mundo e mitologia do primeiro filme. Mas, ao mesmo tempo, quando caímos de cabeça na trama, e vemos Grace, junto com sua irmã Faith (Kathryn Newton uma inspirada adição para a franquia e puro carisma), presas em uma outra mansão, agora da família Danforth, e seu patriarca interpretado por ninguém mais que David Cronenberg, se juntarem diversas outras família poderosas, de todo o canto, do mundo, que agora se reúnem no local (uma mistura de cassino com resort) e estão para perseguir Grace mais uma vez.
Vamos dançar, puta? E assim, como foi o primeiro filme, os por menores, as regras e as informações, são meio que apresentadas aqui em cenas com novos diálogos e menos “ver para entender”. E para isso, Casamento Sangrento: A Viúva precisava ter mais personagens e aqui, alguns funcionam e outros nem tanta. Quem funciona muito bem e meio que rouba as cenas? Elijah Wood como um advogado do capeta, uma espécie de Alan Cumming em The Traitors, uma figura excêntrica que explica as regras e vigia as famílias que querem matar Grace e assim lidera a tarefa de organizar o desafio de quem vai assumir o controle do Conselho do mal que reúne essas famílias poderosas e que comandam o mundo.
Wood está muito bem, o personagem emana poder e o ator faz uma presença calma e tranquila de se assistir diferente dos outros personagens que estão no jogo. É o caso de Sarah Michelle Gellar (icônica e muito bem em todas as cenas que aparece) e Shawn Hatosy (vindo do sucesso massivo da série médica The Pitt e do Emmy que ganhou) que interpretam os gêmeos Danforth ou até mesmo Néstor Carbonell que interpreta o chefe da família El Caído que também está de olho no cobiçado prêmio e compete junto com os filhos (Juan Pablo Romero e Maia Jae) e também a família Wan Chen (Olivia Cheng e Antony Hall) e os irmões Rajan (Nadeem Umar-Khitab) e Madhu (Varun Saranga).
Todos eles lutam por tempo de tela e fazem seus personagem todo terem seus momentos, e por momentos, momentos curiosos por conta da excentricidade desses 1% que fazem pacto com o satanás e precisam vencer a nossa protagonista para renovarem eles. Gellar e Hatosy estão em bastante sintonia como esses gêmeos e o ator mirim Romero tem momentos que fizeram a audiência da minha sessão rir demais.
E com as cartas na mesa, seja no que esperar da trama e de novos personagens e ameaças, Casamento Sangrento: A Viúva coloca as irmãs para brigarem entre si enquanto lavam a roupa suja do passado e fogem dos ricaços excêntricos. Assim, a sequência não foge do que vimos no primeiro filme e também em Abigail, filme do Radio Silence em que um grupo de criminosos precisava fugir de uma bailarina mirim que era na verdade uma vampira, e que curiosamente foi estrelado também por Newton.
Mas acho que os Radio Silence conseguem fazer o melhor uso da câmera entre as cenas mais doidas que filme apresenta e que são variadas. Afinal, atmosfera Esquecerem de Mim de terror é mantida aqui, mesmo que Casamento Sangrento: A Viúva seja muito mais brutal e entregue cenas mais violentas e pesadas que os filmes anteriores da filmografia dos Radio Silence.
Tem muito mais sangue jorrando em tela, pessoas explodindo, e porradaria (inclusive uma cena para lá de boa com Total Eclipse of Heart de fundo) do que eu esperava. E assim como foi no primeiro, não é a força física, ou a quantidade de armas que você tem, e sim a inteligência que fez Grace, a final girl de all star amarelo e vestido de noiva sobreviver e que dá mais chances para ela tentar repetir o feito na sequência.
Casamento Sangrento: A Viúva tem boas e sangrentas passagens, mas é no texto, e na forma como os personagens usam todas as informações apresentadas sobre a mitologia aqui e que foi construído ao longo desses dois filmes que garantem que tenhamos alguma coisa divertida de se assistir dessa vez.
No final, Casamento Sangrento: A Viúva aposta no tudo ou nada mesmo mesmo com que o nada seja nada de novo, e o tudo é que faz a diferença aqui, afinal, é tudo muito divertido de se acompanhar, sem dúvidas. E dessa vez, acompanhar nos cinemas e ver esse novo capítulo com uma audiência é o que dá um gostinho especial para essa sequência.
Casamento Sangrento: A Viúva chega nos cinemas nacionais em 19 de março.
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