Chris Hemsworth, Mark Ruffalo, Halle Berry, Barry Keoghan… parece line-up do próximo filme da Marvel, mas é um filme de suspense chamado Caminhos do Crime (Crime 101, 2026) que chega sem muito alarde nos cinemas agora na metade de fevereiro.
E com 2 horas e 20 minutos de duração, Caminhos do Crime é um daqueles filmes que dá uma volta gigante para chegar onde quer chegar e por mais que tenha bons, e conhecidos, nomes no elenco, parece que todo mundo está no piloto automático nessa história que navega entre assaltos e planos em mundo acinzentado que esses personagens vivem e nas situações que se metem quando são todos conectados por um habilidoso assaltante de joias que faz a festa nas joelheiras da região e usa a estrada 101 na Califórnia como rota de fuga.
Caminhos Do Crime é uma grande tapeçaria que une ser um filme de assalto, ser filme de ação, um drama, ter reviravoltas e tudo mais. Numa representação obscura e pessimista para todos esses personagens, o elenco escolhido cumpre seu papel em entregar o que é proposto para essas figuras e o tipo de narrativa que é apresentada aqui. Ninguém está espectacular, mas também ninguém está ruim. Pelo contrário, todo mundo, entrega o que é esperado.
Seja Hemsworth como um charmoso assaltante, Ruffalo como um detetive de polícia cansado, Berry como uma mulher que é deixada para trás pela empresa que trabalha, e Keoghan como outro assaltante platinado que claramente não bate bem e é a carta coringa desse baralho embaralhado, complexo e intrincado que a história de Bart Layton (e que também cuida da direção e trabalha novamente com Keoghan depois de American Animals) apresenta e que é baseada no livro de mesmo nome do autor Don Winslow.
O problema é que falta um certo ritmo para Caminhos Do Crime e que faz algumas das passagens serem sentidas e você dar aquela olhadinha no relógio. Não que seja um filme ruim. Pois não é. Mas mesmo a toda a ambientação descolada, as cenas que abusam da urbanidade da região onde o filme se passa, e até mesmo o elenco sofre um pouco dessa falta de ritmo mesmo. Afinal, Layton monta um grande jogo de xadrez e precisa, não só apresentar todas as peças dele, e movimentar de uma forma que faça as interações, as alianças, quem está do lado de quem, quem está contra quem, se desenvolver aos poucos na narrativa na medida que conhecemos o metódico, obsessivo com os detalhes, e bonitão Davis (Hemsworth no padrão de filmes do gênero pós Marvel) que tem passado o rodo em diversos lugares, mas sem deixar nenhum rastro.
É ele quem conecta todos os personagens que gravitam em sua órbita por conta das consequências de suas ações. Seja o detetive Lou (Ruffalo, igual a pelo menos três outros personagens que ele interpretou nos últimos anos), um policial certinho que vive cercado de colegas corruptos (um desperdiçado Corey Hawkins), e do chefe, o capitão Stewart (Matthew Del Negro), não só fazem de tudo para manterem a taxa de criminalidade baixa como também dão seu jeitinho aqui e ali em alguns dos casos, para a agente de seguros Sharon (Berry de volta aos holofotes depois de algumas tentativas de retorno), uma mulher que lida com bilionários excêntricos, está para fechar uma conta gigante de um deles (Tate Donovan), e assim, finalmente se tornar sócia na empresa que trabalha há anos.
Enquanto Caminhos Do Crime gasta um tempão para apresentar todos eles e encaixar todos na narrativa que parece bastante avulsa logo de cara, a trama começa a dar sinais que vai se conectar em algum momento. Afinal, para um filme de ação, Caminhos Do Crime parece seguir a linha de produções dos anos 90 e que não está ali para ser vista em casa, ou com o celular na mão, ou fazendo alguma outra coisa, como os filmes mais recentes do gênero.
Pelo ao contrário, Caminhos Do Crime é um filme que exige do espectador sua total atenção. Afinal, muito das ações dos personagens são apresentadas e desenvolvidas três, quatro cenas antes e que só fazem sentido se você tiver 100% acompanhando a trama.
O que é muito bom, afinal, como falei, a duração é uma coisa que chama atenção e que Layton faz ela render. Afinal, quando Davis conhece a jovem Maya (Monica Barbaro, muito bem aqui) e começa a querer sair dessa vida de golpes, e a investigação do detetive Lou começa a avançar para descobrir a identidade do golpista da 101 (ou seja, Davis), Sharon começa a ver que o chefe (Paul Adelstein) nunca vai a promover e Ormon (Keoghan) é recrutado pelo chefão da quadrilha (Nick Nolte) para acabar o serviço que Davis começou, a coisas começam a mudar na narrativa e principalmente quando todos eles ficam de olho no carregamento de jóias que o ricaço Monroe de Donavan está parece receber por conta do seu noivado.
Caminhos Do Crime então começa a chegar no fio da meada, o espectador mais atento já sabe como a trama vai se desenrolar, mas Layton dá uma acelerada, abusa de cenas de perseguição pela estrada, e num sentimento de tensão quando o plano de Davis e Lou seguem caminhos paralelos até o mesmo denominador: chegar no quarto de hotel que Monroe se encontra com as jóias no cofre.
No meio de questionamentos morais, discussões em restaurantes, classes de ioga, e muito charme da parte de todos os envolvidos, Caminhos Do Crime chega no final da sua rota e amarra tudo muito bem amarrado. Quando chegamos no final o sentimento que fica é que acabamos de chegar de uma longa viagem de carro depois de ter passado algum tempo com esses personagens, suas aventuras e doideiras.
No final, Caminhos Do Crime não deixa de fazer sim um bom filme e entregar um bom divertimento para quem gosta de quebra-cabeças, mesmo que demore muito para juntar todas essas e dê muitas voltas para chegar onde quer chegar.
Caminhos do Crime chega em 12 de fevereiro nos cinemas nacionais.
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