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Babygirl | Crítica: Nicole Kidman explora desejos e vive perigosamente em suspense

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Se tem alguém que aprimorou um tipo de papel recorrente, seja na TV ou no streaming, com maestria foi Nicole Kidman. E com o suspense Babygirl (2024) a veterana vai além, agora nos cinemas, e mostra que realmente pode ir de 8 a 80 dentro do espectro desse tipo de personagem que ela vem fazendo há anos e muito bem: mulheres mais velhas, ricas, e cheias de segredos.

Vindo de um ano com duas séries no streaming bem diferentes uma das outras (o drama Expatriadas no Prime e a série de mistério O Casal Perfeito na Netflix), um filme pipoca também na mesma Netflix, aquele em que ela interpreta uma mulher em um relacionamento com um astro jovem (Zac Efron), Kidman fechou o ano com Babygirl, longa que estreou em Veneza cercado de hype e que a atuação da atriz, e seu trabalho em projetos mais comerciais (um pouco mais duvidosos) foi recompensada com o prêmio de Melhor Atriz no prestigiado festival. 

Mas num ano tão oscilante para ela, o quão bem Nicole Kidman está em Babygirl?


Nicole Kidman e Harris Dickinson em cena de Babygirl. Foto: Photo by Courtesy of A24 – © A24
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Olha, não é por nada, mas ela está excelente. Ela comanda uma presença tão imponente em tela, em um trabalho realmente de tirar o fôlego. E em um que a diretora Halina Reijn sabe utilizar muito bem a presença e o talento de Kidman nele e, coloca a atriz em quase todo frame. 

Assim, ao fazer isso, a diretora consegue fazer com que a personagem seduza o espectador enquanto acompanhamos essa história e vemos a toda poderosa Romy de Kidman, uma CEO de uma grande empresa de tecnologia, explorar seus desejos e fetiches na medida que vive perigosamente um caso com um estagiário (Harris Dickinson no segundo filme da temporada junto com Blitz), anos mais jovem que ela. E o roteiro (também de Reijn depois do excelente Morte, Morte, Morte) serve para quebrar diversos tabus e meio que ir com tudo nessa história. Afinal, logo nos primeiros minutos, já vemos a personagem logo de cara (num close extremamente impactante), após transar com o marido (Antonio Banderas), partir para se satisfazer, sozinha, com vídeos mais calientes no computador.

Ao mesmo tempo que brilhantemente Reijn consegue fazer Babygirl não seja alguma coisa barata, que apenas explorasse o teor sexual apenas por explorar, e transformasse tudo em uma objetificação sem sentido, e que consiga desviar de comparações com 50 Tons de Cinza, sinto que o longa também levanta muitas bolas no ar, trabalha diversas questões, e não consegue amarrar bem sua narrativa no que propõe e que no quer debater.

O terror dos departamentos de RH em formato de filme de 2024, Babygirl explora diversas questões enquanto vemos Romy e Samuel (Dickinson, muito bem) trocarem olhares primeiro na rua, sem muita interação, depois em bares, salas de reunião, e depois trocarem carícias em quartos de hotéis, baladas clandestinas e até mesmo na casa da chefe com a família toda presente no outro cômodo.

Assim, ao focar em querer contar esse relacionamento extraconjugal, Babygirl explora também as relações de poder e no ambiente de trabalho entre esses dois personagens, ao mesmo tempo que explora também os desejos mais íntimos, primitivos e avassaladores que essa mulher adulta, complexa, realizada profissionalmente tem e que a balança de poder entre os dois oscila muito. 

Babygirl navega por questões complexas enquanto Reijn abusa de cores, de contrastes, de uma câmera ágil, juntamente com uma trilha sonora (você não vai parar de ouvir George Michael depois desse filme, te garanto) impecável para contar tudo isso. E juntamente com essa exploração dos momentos mais íntimos da protagonista, Babygirl também tem tempo (ou melhor parece que lhe falta tempo) para debater alguns arcos narrativos que ficam um pouco mais secundários na trama, mas sem deixar de serem  importante para a conclusão da história.

Por exemplo, um sobre o relacionamento de Romy com a assistente Esme (Sophie Wilde um pouco desperdiçada, convenhamos) e a relação de sororidade feminina que é deixada de lado no mundo dos negócios e corporativo. No final, é meio o que Romy fala para um executivo lá pelos momentos finais do filme, algo do tipo, como ela fosse um homem, na mesma posição de poder que ela, ninguém estaria falando um pio sobre isso, então vá a merda você.  

Assim, Babygirl realmente é um trabalho com Kidman no ápice, numa história extremamente atual, e que realmente vai dar o que falar quando sair da bolha dos festivais e do mundinho cinéfilo. O que temos é um filme que transborda uma tensão sexual gigante e que serve quase como uma bela espiada na vida pessoal dessa personagem e suas relações amorosas. Mas só pelo fato de uma mulher ter tido roteirizado e dirigido Babygirl, mostra que como filme é extremamente respeitoso em como retratar sua protagonista, e por tabela sua atriz, nessas cenas mais sexy e nessa história fascinante. Nada é gratuito, e como Romy vê no filme, até um inofensivo copo de leite pode se tornar alguma coisa a mais dependendo do que você curte. =)  Sem julgamentos.

Nota:

Babygirl chega em 09 de janeiro nos cinemas nacionais.

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Miguel Morales

Sempre posso ser visto lá no Twitter, onde falo sobre o que acontece na TV aberta, nas séries, no cinema, e claro outras besteiras.  Segue lá: twitter.com/mpmorales

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