Estar de volta ao mundo de Pandora sempre é um convite bastante empolgante. Afinal, o que James Cameron prepara e entrega com os filmes de Avatar não dá para ser chamado menos do que um espectáculo visual. E com Avatar: Fogo e Cinzas (Avatar: Fire and Ash, 2025) não é diferente.
O problema, talvez, é que Cameron, agora no terceiro deles, continua a se apoiar em deixar o visual incrível, imersivo por conta das façanhas técnicas apresentadas e o deleite que é assistir a esses filmes na maior telona possível (vi em IMAX na sessão realizada pela Disney) falar mais alto do que a narrativa e a história contada. É bonito e legal ficar babando e absorvendo tudo que é apresentado aqui? Claro que sim. Mas já é a terceira vez que isso acontece. Vamos ter que pedir música no Fantástico.
Afinal, num mundo onde a IA está a poucos cliques de entregar um material que também possa impressionar, talvez, o diretor precise mudar algumas coisas se quiser continuar a fazer novos filmes Avatar. Isso é primordial para Cameron conseguir fazer com que esses filmes, que custam rios de dinheiro, tenham alguma coisa de nova para se justificar sua ida ao cinema e assim fazer com que os próximos se paguem, mais uma vez, com novas bilheterias astronômicas.
Afinal, Avatar: O Caminho da Água foi um retorno que levou anos de desenvolvimento em relação ao primeiro filme, tinha o fator de nostalgia, e o sentimento de curiosidade para saber o que de novo o diretor faria com a tecnologia atual. Mas sinto que Avatar: Fogo e Cinzas entrega mais do mesmo em todos os sentidos.
Sim, é muito bonito ver Pandora novamente, os detalhes dos céus, dos mares, dos personagens Na’vi e toda aquela grandiosidade de adentrarmos mais uma vez e assim conhecermos mais um pouco desse curioso reino. Mas Avatar: Fogo e Cinzas serve apenas para isso. E uma hora o sentimento de novidade e diferente vai passar. Claro, o filme tem sim seus méritos. E aqui, tenta, de certa forma, se antecipar a isso e entregar alguma coisa nova. Por mais que Avatar: Fogo e Cinzas entregue uma vilã extremamente ameaçadora nas mãos de Varang (Oona Chaplin), a chefe líder do novo clã, o clã de fogo que é introduzido aqui, no final, tudo soa muito igual e repetitivo do que já vimos na franquia.
E pior, tudo acaba por ser muito cansativo. Afinal, são 3h15min do filme, que particularmente para mim foi sentido e que definitivamente não precisava ter tudo isso. E por tudo isso digo de acabar por esticar esse pouco de história e de desenvolvimento que o filme. Avatar: Fogo e Cinzas meio que banaliza o espectáculo pelo espectáculo.
A trama começa com uma Neytiri (Zoe Saldaña, pós Oscar) de luto e em atrito com o marido Jake Sully (Sam Worthington) depois da morte do filho deles no segundo filme. A personagem ainda lida com as diferenças que se intensifica com o “filho” “humano” Spider (Jake Campion), com o crescimento da rebeldia de Lo’ak (Britain Dalton) e ainda o dom recém descoberto de Kiri (Sigourney Weaver) e sua relação com a natureza e como ela se conecta com Pandora. De certa forma Avatar: Fogo e Cinzas é sobre o luto de Neytiri, sobre família, sobre a cultura Na’vi e como esses personagens precisam lidar com as ramificações da união com os humanos. Legal, mas tudo fica muito em segundo plano, afinal, Cameron esconde isso atrás do visual opulento que o filme mais uma vez apresenta.
Avatar: Fogo e Cinzas então tenta desenvolver tudo isso e mostrar como isso afeta não só eles, como as tribos e ainda como eles vão continuar a lutar não só com os outros povos Na’vi, mas com a ameaça sempre presente de Quaritch (Stephen Lang) e também da General Ardmore (Eddie Falco). Assim, Cameron coloca esses personagens para andarem mais uma vez por Pandora na medida em que a temida e perigosa Varang os persegue juntamente com os humanos, que, os seguem já tem 2 filmes. Quem aguenta?
Com o fogo como elemento central aqui, Avatar: Fogo e Cinzas não poupa esforços em garantir que todas as cenas de batalha sejam das mais grandiosas possíveis, mais uma vez. E com os nervos dos protagonistas à flor da pele, com ainda inúmeras discussões sobre ser o que ser Na’vi e o que ser um humano representa, e as consequências dos eventos do último filme ainda pairando pelos personagens, esse novo capítulo acerta em usar as grandes chamas para darem um impressionante ar de devastação.
Claro, algumas reviravoltas na narrativa, algumas alianças inesperadas entre personagens são feitas, mas tudo acaba por ser muito diluído ao longo do filme enquanto vemos paisagens e mais paisagens feitas por efeitos visuais de ponta. É bacana lá na primeira hora, é simpático na segunda, mas quando vamos para a terceira e a batalha final acaba de começar, você começa a ser puxado para fora do filme e tenta de todo custo se manter ativo em lembrar quem é quem, quem luta contra quem, quem é aliado de quem.
E meio que no final eu tava pendendo para ficar do lado de Varang enquanto ela tocava o terror e fazia mais em alguns minutos de filme do que boa parte dos personagens fez em 2 filmes e meio, já contando com esse Avatar: Fogo e Cinzas. Varang é uma daquelas vilãs carismáticas, no melhor estilo vilã da Marvel, sabe? Mas seria o bastante?
Não é que Avatar: Fogo e Cinzas seja ruim, só que apenas fica preso no seu mesmo ciclo vicioso, nas mesmas coisas que deu certo anteriormente, e mesmo que mude da água para o fogo parece só querer repetir outros elementos vistos em outros filmes anteriores. E definitivamente é um filme de meio de trilogia, sabe? Ao mesmo tempo que precisa resolver o que foi deixado dos outros filmes, precisa criar uma nova trama própria e ainda por cima decidir o que deixar para o futuro. E no meio de tantos personagens, tantos arcos narrativos e tramas, acaba meio que não decidindo para onde focar.
No final Avatar: Fogo e Cinzas parece um grande, caprichado e opulento repeteco mais uma vez liderado por James Cameron. Impressiona? Sim. Vai ter fazer querer olhar todas para os lados em todas as cenas? Também. Vai fazer uma tonelada de dinheiro? Não tenha dúvidas. Mas pela primeira vez aqui parece ascender uma luzinha vermelha de dúvida, afinal, deixa sérios questionamentos para onde vai a franquia daqui para a frente. Mas o 3D segue impecável.
Avatar: Fogo e Cinzas chega nos cinemas em 19 de dezembro.
Confira nossa entrevista com os dubladores d Cara de Um, Focinho de Outro.
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