Fica claro que Ângela Diniz: Assassinada e Condenada, a nova minissérie nacional da HBO, vem para surfar nessa onda do true crime que tem dominado, e garantido bastante audiência, as produções brasileiras nos últimos tempos.
E depois do podcast e de um filme, a atração da HBO parece se firmar como a adaptação mais interessante do caso que envolve a socialite mineira Ângela Diniz que foi vítima do ciúmes de um companheiro e foi assassinada nos anos 70.
No seriado, a mesma é magistralmente interpretada por Marjorie Estiano e que comanda uma presença magnética e arrebatadora em tela. Estiano é a força que move a atração e logo nos primeiros episódios já dá para notar que ela é o verdadeiro chamariz para atrair o público. Do sorriso enigmático, do olhar sedutor, da postura, e até mesmo da forma como a atriz segura um cigarro, acaba por ser uma aula de atuação, onde é impossível não ficar vidrado toda vez que a Ângela de Estiano está em cena.
E olha que a personagem está em basicamente quase todas elas. E a direção de Andrucha Waddington (Sob Pressão, FIM), que em muitos momentos fecha no rosto de Estiano para a atriz transbordar emoções, apenas ajuda a explorar o trabalho da atriz que está excelente ao navegar pelas complexidades da socialite, uma mulher à frente do seu tempo.
Da coloração da atração, que remete um tom amarelado e antigo, para nós lembrar que estamos em pleno anos 70, para os figurinos impecáveis, os cabelos, as locações, tudo em Ângela Diniz: Assassinada e Condenada parece cercar e alçar a atuação de Estiano que realmente é de chamar atenção.
E ao contar a história da personagem de forma não linear, Ângela Diniz: Assassinada e Condenada vai aos poucos por montar o quebra-cabeça que foi os eventos que levaram Ângela a ser assassinada por um dos seus parceiros, a queima-roupas e com a justificativa que realmente colou na época de “legítima defesa da honra.”
A cena inicial da atração é a do julgamento de Doca Street (Emílio Dantas) com os advogados de defesa e de acusação declamando seus argumentos sobre o processo. Mas o personagem demora para aparecer. Afinal, aqui a história é sobre Ângela, então voltamos no passado para ver todos os eventos, acontecimentos e tudo mais que vão nos levar para a cena de abertura.
E enquanto conhecemos mais dessa história, o ponto de partida da narrativa fica na decisão de Ângela em se separar do marido Milton (Thelmo Fernandes) depois de 10 anos de casamento. Assim, a figura Ângela mãe, se mescla com a figura Ângela mulher na medida que ela avança com a decisão para o desagrado de todos da sociedade mineira, principalmente da mãe Maria (uma excelente Yara de Novais), com que ela tem um relacionamento também conturbado.
E Estiano vai em cena após cena construir as diversas facetas, as diversas máscaras que Ângela usa ao longo dos momentos da vida da socialite quando ela vê o divórcio ser um novo capítulo de sua vida. Ângela Diniz: Assassinada e Condenada passa por momentos chaves da trajetória da personagem, mas sem soar didático ou como se estivéssemos lendo eles na wikipédia da vida dela.
Da separação, para o caso amoroso com Tuca Mendes (Joaquim Lopes, muito bem também) e que nos leva para o crime contra o caseiro da casa que Ângela foi depois da separação e que serviu de estopim para a mesma deixar Minas Gerais e ir para o Rio de Janeiro, a atração apresenta a personalidade da personagem e o seus altos e baixos.
Ângela Diniz: Assassinada e Condenada vai mostrar os diversos obstáculos que Ângela passou ao bancar essa decisão. E principalmente como isso afetou a relação com a filha Mariana (Mariana Volpi) que ficou no fogo cruzado do divórcio dos pais.
O segundo episódio usa e abusa do cenário carioca, na medida em que a chegada de Ângela causa um burburinho na idade e chama atenção da elite carioca. E então, somos apresentados para diversos outros personagens que começam a fazer parte do círculo pessoal da socialite como a amiga Gilda (Renata Gaspar), para o jornalista Ibrahim Sued (Thiago Lacerda) e também outras mulheres da sociedade como Lulu Prado (Camila Márdila sempre se destacando).
De idas a praia, a festas, e almoços no clube, a presença de Ângela reverbera na cidade e que claro ajuda a não só entendermos o pensamento da sociedade na época como também a dar mais complexidade para Ângela ser mais do que apenas como era chamada pelos jornais: A Pantera de Minas.
No final, tudo em Ângela Diniz: Assassinada e Condenada é muito bem feito, é tudo bem filmado, e realmente todos os atores entregam bastante em todas cenas. Ângela Diniz: Assassinada e Condenada acaba por mais um capítulo nesse boom de bons projetos nacionais que têm surgido e que mostra que o Brasil não fica devendo para nenhuma produção estrangeira quando chega a nossa vez de contarmos as nossas histórias, com nossos artistas, e com o nosso olhar.
O que temos então é um trabalho minucioso e cuidadoso de todos os envolvidos numa produção chique de assistir.
Ângela Diniz: Assassinada e Condenada estreou com 2 episódios já disponíveis na HBO Max e exibe 1 novo episódio por semana até 11 de dezembro.
Confira nossa entrevista com os dubladores d Cara de Um, Focinho de Outro.
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