Num primeiro momento tudo que envolvia esse novo Anaconda (2025) parecia feito para me agradar e eu até estava empolgado para ver. Afinal, o longa tinha dois atores super engraçados, e que estariam pareados juntos, seria um novo projeto de um diretor promissor, teria uma pitada de humor para tratar de uma história clássica, e ainda um temperinho especial por ter brasileiros no elenco.
Mas fica claro que essa anaconda don’t, mesmo. Claro, não vou dizer que não cheguei a rir aqui e ali, mas tudo que é apresentado em Anaconda bem soou extremamente ruim. E nem quando o filme dá uma virada, até que esperada, na história, Anaconda fez valer estar lá com esses personagens, naquela floresta, sendo perseguidos por aquela cobra gigante feita com efeitos especiais duvidosos.
Seria possível querer que a cobra de CGI vencesse? Pois era meu desejo, lá nos momentos finais, quando acompanhava os melhores amigos, o cinegrafista frustrado Doug McCallister (Jack Black, no mais Jack Black possível aqui) que trabalha em uma agência de áudio e vídeo para casamentos e o ator de um sucesso só Ronald Griffin Jr. (Paul Rudd, sempre com aquele humor que só ele parece estar entendendo a piada) que fez uma participação em uma série de sucesso dessas procedurais que tem várias temporadas, se unirem para fazerem eles mesmos um reboot, digo uma sequência espiritual, do filme clássico dos anos 90 Anaconda, pagos do bolso deles.
Assim, eles se juntam com os amigos Claire Simons (Thandiwe Newton, a grande incógnita desse filme) e Kenny Trent (Steve Zahn, num bom momento vindo também da série Chad Powers) e esse grupo parte para a floresta Amazônica para gravar esse novo filme que eles (aparentemente) tem os direitos.
O roteiro de Kevin Etten e de Tom Gormican (que dirige o longa depois de ter cuidado de O Peso do Talento) tem a sacadinha de fazer o novo Anaconda ser um filme que vai contar a história de como esse grupo vai gravar esse novo filme e fazer disso ser a trama desse novo Anaconda. É a gravação de um filme sendo contada nesse filme. Bem interessante de um ponto de vista narrativo, claro. Afinal, vindo de um ano onde a série O Estúdio foi a fundo nos bastidores de Hollywood e com a inédita série Magnum da Marvel vindo aí e fazendo esse mesmo tipo de conexão, é um bom momento para essas histórias que abusam da metalinguagem, sem dúvidas. Mas seria o bastante aqui para Anaconda? Fica claro que não.
Já que o filme parece querer colocar mais coisa nessa trama, afinal, toda a parte das gravações do filme falso servem como pano de fundo para uma trama maior que o longa apresenta depois que os personagens estão na floresta e que soa tão apavorante do que topar com uma cobra na floresta mesmo.
Afinal, com a morte da cobra que eles “alugam” com Santiago, um criador de animais que não bate bem da cabeça, interpretado por um inspirado Selton Mello, o grupo de amigos se vê numa enrascada quando uma grande cobra, agora uma real, os começa a perseguir pela floresta. Aliados com uma moradora local interpretada por Daniela Melchior (em uma mais um filme de ação como a garota fatal) e um misterioso personagem interpretado por Rui Ricardo Diaz (da série Impuros e que tem também bastante destaque na trama), esse grupo “vai viver altas e divertidas aventuras” na floresta.
É como ao assistir esse novo Anaconda, você pudesse ouvir o locutor da Sessão da Tarde dos anos 90 dizer essas palavras. Aí fica o questionamento desse novo filme: Será que eles estão emulando os ares de produções dos anos 90, 2000, período em que o Anaconda estrelado por J.Lo, Ice Cube e Jon Voight passou, ou isso é apenas uma desculpa para uma escrita fraca e uma execução preguiçosa?
Afinal, é inegável notar que sim Black, Rudd estão engraçados juntos, tem momentos de tirar pelo menos um arzinho do nariz, e que parear os dois foi uma boa ideia, mas ao mesmo tempo tudo soa tão trash de ver, com a dupla e ainda Newton e Zahn em diálogos tão ruins, tão esquete do Saturday Night Live, que apenas não dá para não ficar se perguntando para quem é esse filme e o que ele quer contar sabe?
Claro, é um avanço para Gormican no cargo de direção que assume aqui um filme maior do que seus últimos projetos e com Anaconda consegue aproveitar a ambientação na floresta para criar um sentimento de perigo iminente para esses personagens, onde fica claro que a presença dessa cobra gigante é fator para sabermos que nem todos eles vão sobreviver a jornada.
E por mais que o roteiro consiga fazer boas piadas sobre produções de Hollywood, os bastidores das gravações e até mesmo brinque com a narrativa do próprio filme em si, tudo parece meio estranho (como falamos, seria de propósito?) de acompanhar. A tentativa de termos Rudd e Newton como um casal? Péssima, eles tem zero química. Todas as conveniências na narrativa? De fazer a cobra ser o menor dos problemas! Nem colocar Black correndo pela floresta com um javali preso nas costas parece ser tão engraçado quando parecia num primeiro momento.
E ainda o filme tem cenas de ação das mais fracas e desinteressantes possíveis (tirando a perseguição final num jipe por um set de filmagem que não é o deles, mas aqui sem spoilers), fazem desse novo Anaconda um grande desastre e que fecha 2025 com ar meio agridoce. E nem algumas participações especiais de surpresa (aqui também sem spoilers) bem inspiradas ajudam a tirar esse gosto de ruim ao sair da sessão de Anaconda. Esse filme, e essa Anaconda, é “don’t” mesmo.
2/5 estrelas.
Anaconda chega em 25 de dezembro nos cinemas.
Série da gangue do Scooby-Doo começa as filmagens nos EUA e ganha título; confira tudo…
A Múmia, estrelado por Brendan Fraser & Rachel Weisz, é antecipado e chega aos cinemas…
A peixinha Dory está de volta! Um novo curta-metragem do universo de Procurando Nemo está…
A HBO Max anunciou hoje (24) a data que o filme “O Morro dos Ventos…
Vem aí! Christopher McQuarrie e Michael B. Jordan desenvolvem filme baseado nos jogos Battlefield
Jovem ouve vidente e vai atrás de celebridade no primeiro trailer da comédia Gail Daughtry…