Amores à Parte | Crítica: Caos, nu e muita (falta de) terapia!

Tirando o elenco que realmente pareceu ter sido escolhido a dedo, acho que o que mais chama atenção em Amores à Parte (Splitsville, 2025) é o roteiro completamente caótico que Michael Angelo Covino e Kyle Marvin entregam aqui.
Particularmente eu não estava familiarizado com a dupla de atores e roteiristas e no caso de Covino com o trabalho dele na direção, mas parece que eles já estão ali há algum tempo fazendo projetos juntos. Vi que eles lançaram, em 2019, o longa A Subida, em que temos a repetição de Covino na direção e no roteiro com Marvin numa história de dois homens que discutem a amizade entre eles ao longo de um passeio de bicicleta.
Mas aqui, em Amores à Parte, o que eles entregam é uma caprichada e convidativa comédia de erros, acertos e surtos da mais surreal possível. Covino e Marvin estrelam com amigos que vivem momentos diferentes de seus relacionamentos com suas parceiras e também vivem momentos de vida diferentes.

Carey (Marvin) é um professor meio bobão, mas com um grande… coração (entre outras coisas que aparecem em diversas cenas do longa, já avisando) que vive um relacionamento de pouco mais de 1 ano com Ashley (Adria Arjona, ótima depois de roubar a cena em Assassino Por Acaso), uma coach de lifestyle, onde acompanhamos os dois numa viagem de carro rumo ao interior para passar uns dias com um dos melhores amigos de Carey, Paul (Covino) e a esposa dele Julie (Dakota Johnson, melhor aqui depois de Amores Materialistas) no casarão que o casal tem na beira do lago.
Assim, o texto de Marvin e Covino já começa ligado no 220v, extremamente afiado, na medida que Carey e Ashley usam a ida de carro para discutirem a relação entre alguns acidentes que acontecem ao longo da viagem, tanto com o carro, quanto com o zíper da calça de Carey que prende em uma parte do corpo dele e curiosamente na frente de uma policial.
Logo depois que Carey chega no lugar, descobrimos que Paul é um investidor do mercado imobiliário e tem, e principalmente gosta de mostrar que tem, bastante dinheiro e uma (aparentemente) vida perfeita, com uma parceira incrível e belíssima que faz cerâmicas. É mais um momento que o longa leva também para também estabelecer a diferença de personalidades entre os protagonistas masculinos.
O tom textual, quase teatral, e o humor extremamente surtado que Amores à Parte apresenta logo de cara serve para estabelecer não só o tom do filme, quanto, nesse primeiro momento, também que Carey e Ashley são figuras com personalidade diferentes uns dos outros e por isso (entre outras coisas que Ashley traiu o companheiro) eles terminam.
Mas Carey segue firme (numa cena hilária e que serve de abertura para o filme) e vai de encontro do amigo, a esposa dele, e o filho deles para passar com eles os dias combinados. Mas essa viagem é o começo de uma confusão generalizada que envolve todos esses personagens e que dá o pontapé inicial para a avalanche de situações e eventos que vão se desenrolar em Amores à Parte.
Principalmente depois que vemos que Carey, para compensar ter descoberto a traição da ex companheira, e Julie, que vive um relacionamento aberto com o marido, tem um caso numa noite que Paul vai para a cidade resolver um problema de trabalho.

“Ele é mais legal, ele é mais confiável e é mais dotado que você” é a justificativa para o ocorrido. E isso só mostra que a falta de terapia de todos os envolvidos é o que guia a trama, afinal, esse quarteto de personagens segue a vida na medida que todo mundo fica com todo mundo.
É curioso notar que esses dias de descanso desencadeiam uma série de situações doidas, caóticas e extremamente surtadas para todos os personagens na medida que eles lidam com esses sentimentos que desencadeiam por conta de suas atitudes ao longo dos meses. É Carey voltando com Ashley e tentando agora um relacionamento aberto, onde a jovem “coach” começa a não só namorar outras pessoas, como também deixar que eles começam a viver com eles na casa: seja o jovem cabeça de vento, mas bonitão Jackson (Charlie Gillespiemuito bem aqui), o cabeça quente Fede (David Castañeda) ou até mesmo Paul que vai passar uns dias na cada do amigo depois que ele e Julie também terminam.
Nesse zig zag amoroso, dividido por capítulos, em que os casais discutem a relação e normalmente as situações acabam em brigas e quebra pau, Amores à Parte nos faz sentar incrédulos ao longo do filme enquanto vemos esses personagens saírem rolando por aí (uma das brigas entre Paul e Carey na sala da casa de veraneio é muito boa), quebrando as coisas, e de certa forma, fazendo as pazes entre si. Covino consegue realmente fazer com que a direção seja uma que está ali para seguir os personagens, como se, nós os espectadores, fôssemos uma mosquinha vendo a intimidade de todos eles e para isso usa muito bem os atores para contar suas histórias.
Não é algo espectacular, mas faz seu trabalho em queremos continuar estar ali com esses personagens no meio da loucura toda. Johnson e Arjona estão muito bem aqui, o mesmo vale para o próprio Covino e Marvin que realmente se entregam e trocam muito bem com as colegas mais estabelecidas em Hollywood. E o longa realmente tem outros nomes conhecidos, seja de Castañeda visto em The Umbrella Academy, O-T Fagbenle visto em The Handmaid’s Tale e também Nicholas Braun de Succession que aparecem rapidamente em cena e garantem bons momentos.
E a trama só vai ficar mais doida e o sentimento inquietante de querer saber o que vai acontecer com esses personagens, principalmente, quando um tá com a mulher do outro, e o filho de Carey e Ashley está com problemas na escola, e tudo mais, acontece. Você acaba por rir das situações cada vez mais doidas que eles se colocam, seja em aniversários de família onde namoradas iguais a antiga esposa surgem, ou em passeios por um parque de diversão nos levam para mais situações constrangedoras.
Assim, o sentimento que fica é de indignação sobre o quão maluco são os problemas que esse grupo vive, vão, e podem ainda, viver, e o quão mais fácil seria se todos eles sentassem para resolver suas questões e tudo mais. No final, Amores à Parte diverte sim e faz rir, ao entregar momentos dos mais sem noção e que aqui acabam por fazer o filme dar certo por conta do elenco envolvido e pela forma extremamente natural com que as coisas se desenrolam ao longo das 1 hora e 40 min de duração que o filme tem.
Amores à Parte chega nos cinemas nacionais em 21 de agosto.











