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Aliados | Crítica

Os filmes de guerra, ou no caso de Aliados (Allied, 2016), com o pano de fundo a guerra, são sempre boas histórias para serem contadas devido ao fato que mostrar como as pessoas se sacrificam pela guerra e as consequências das ações de quem está no fogo cruzado, mas não está envolvido nos campos de batalha. Juntando dois bons atores de Hollywood, como Marion Cotillard Brad Pitt, teríamos a oportunidade de ver os dois atores brilhando nesse filme de época e com um tema interessante… O que não foi o caso.

Na trama conhecemos dois espiões Max Vatan (Pitt) e Marianne Beausejour (Cotillard) que estão em uma missão na famosa cidade de Casablanca, no Marrocos. O trabalho é assassinar um embaixador alemão durante um evento de gala, mas para isso eles precisam entrar na festa. Marianne já estava disfarçada há meses trabalhando e criando laços de amizades com os outros funcionários e, como mesmo diz para os amigos, ela só espera a passagem do marido Max, vindo de Paris, para os dois se encontrarem.

Nessa primeira parte do filme podemos vê-los discutindo sobre o disfarce, sobre os sotaques, planejando como será o ataque e, claro, descobrindo um sobre o outro, afinal eles são dois estranhos que se conheceram agora e devem posar de marido e mulher apaixonados para os “falsos” amigos. Todo o desenvolvimento deles para mostrar aos vizinhos fofoqueiros os costumes da cidade, como o marido ir dormir no telhado são cenas muito bem executadas e interessantes pela precisão de se ver, mas depois disso o filme acaba se perdendo um pouco no que ele quer ser. Um suspense? Um romance com suspense?

Foto: Paramount Pictures

Cotillard faz o papel de uma mulher forte e sedutora já experiente nos disfarces e rouba completamente a cena na primeira parte da produção. Toda a ambientação do filme para as cenas na pequena casa do casal e os figurinos são muito bem trabalhados, com muitos detalhes de caraterização que acabam por desviar a atenção dos atores principais, o filme foi indicado a categoria de Melhor Figurino no Oscar. Assim, com seu charme, a atriz mostra um pouco da arrogância da sua personagem em ser uma boa espiã e que o trabalho aqui feito por ela já muito bom. O que complica é a entrada de outro fator na equação Max. Brad Pitt parece fazer ele mesmo, um cara que se apóia no charme e na sua beleza para assim garantir que o trabalho seja feito. Quando o personagem exige que o ator entregue um pouco a mais, só vemos uma cara fechada. A falta de emoção se confunde pelo personagem e pelo o ator.

Depois da missão o casal se casa e parte para Londres para viverem juntos. Anos de amor se passam, eles tem uma filha até Max receber dos seus superiores que a esposa poderia ser uma espiã nazista. Aí é uma nova missão de reconstrução para tentar lembrar todos os passos e a paranóia começa a crescer e a desconfiança acaba por assumir a parte do romance na trama.

Aliados flerta muito com o mix de suspense e cenas de ação, mas depois de um tempo, com muita ação, o filme dá uma barrigada como se tivesse acelerado para subir uma ladeira, só que depois fica parado esperando o sinal ficar verde novamente. O romance é bem envolvente e está lá bem forte com a química entre o casal principal (o que acabou eclipsando a divulgação do filme nos circuitos de divulgação devido aos rumores na vida pessoal dos atores). O elenco de apoio formado pelos atores Lizzy Caplan, Jared Harris e Simon McBurney é muito bem trabalhado, principalmente o personagem de Harris, que é muito presente na hora de decidirmos se Marianne é uma espiã mesmo.

Mas talvez o grande suspense envolvido no filme, afinal ela é mesmo uma espiã e tudo que eles passaram foi uma mentira? Acaba indo por água abaixo nos momentos finais. As pistas estão lá mas são jogadas de uma maneira rápida e sem muito desenvolvimento. É o famoso filme em que a jornada é mais importante que os momentos finais como se estivéssemos acompanhando um reality show da vida do casal e o momento da eliminação de um dos dois fosse o ápice que quando chega o programa acaba.

Aliados se segura numa ótima fotografia e um ótimo trabalho de ambientação mas falha em desenvolver as sub-histórias que seguem a trama principal afinal durante tempos tensos de guerra tudo é preto no branco, é ou não é. Nem a química salva um roteiro previsível onde os bastidores acabam por ficar acima da produção.

Nota:

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Aliados estréia no Brasil em 16 de fevereiro.

Leia mais sobre Aliados.

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Miguel Morales

Sempre posso ser visto lá no Twitter, onde falo sobre o que acontece na TV aberta, nas séries, no cinema, e claro outras besteiras.  Segue lá: twitter.com/mpmorales

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