Alerta Apocalipse | Crítica: Joe Keery e da Georgina Campbell fazem valer a pena

Um fungo que ameaça a humanidade? Dois funcionários jovens que não sabem o que fazer com suas vidas e que trabalham como seguranças noturnos numa empresa de armazenamento? Liam Neeson como um funcionário governamental que fará de tudo para impedir o tal fungo apocalíptico de se espalhar?
Alerta Apocalipse (Cold Storage, 2026) checa todos os boxes para entregar um bom filme de ficção científica. E até entrega um, afinal, o que parecia ser apenas mais um filme sobre sobrevivência acaba por entregar uma história um pouco mais robusta, mesmo que um pouco desconexa do tipo de filme que parecia ser num primeiro momento.

Alerta Apocalipse tem no carisma dos protagonistas jovens Joe Keery, vindo do mega sucesso da temporada final de Stranger Things e de Georgina Campbell, que protagonizou outros bons títulos no gênero como o spin-off espanhol de Caixa de Pássarose ainda Noites Brutais, o que faz a trama agradar e, de certa forma, se movimentar.
E são o que salvam Alerta Apocalipse, que acaba por ser levar muito a sério. Afinal, todo o arco do personagem de Liam Neeson poderia ter saído de qualquer filme que o Liam Neeson protagonizou nos últimos tempos.
Alerta Apocalipse meio que trabalha essas duas narrativas paralelas, a do governo com Neeson interpretando um oficial agora aposentado que há anos vem por mandar e elaborar relatórios que indicam que o fungo poderá sair do confinamento que está depois de anos, com a dos funcionários que estão sozinhos patrulhando o local, numa pegada Noite no Museu, para contar essa luta contra o tempo para impedir que o tal fungo se espalhe pelo mundo e acabe com a humanidade.
E acho que não focar só nos eventos dentro da empresa de armazenamento prejudica um pouco o ritmo do filme. Afinal, é onde a boa parte de Alerta Apocalipse tá. Já que o interessante aqui fica em conhecermos mais das figuras de Travis, apelido Teacake (Keery, mais carismático possível mesmo com uma peruca loira irritante) e de Naomi (Campbell, muito bem), seus passados, e os motivos que o fizeram aceitar o trabalho de patrulhar no período da noite os lockers de armazenamento que a empresa possui e que por coincidência o terreno abrigava uma instalação governamental que investigou e abrigou o fungo mortal que está localizado em uma boa distância abaixo da terra.
Assim, na medida enquanto eles lidam com chefe mala (Gavin Spokes) e com o turno da noite que se aproxima, vemos eles investigando o lugar quando um alarme de segurança começa a tocar e eles não sabem de onde o som vem. Só que o clima de mistério e do que está acontecendo, é totalmente mal construído pelo texto de David Koepp, que trabalhou no último filme de Jurassic World, nos excelentes Black Bag e Presence e aqui adapta seu próprio livro para os cinemas.
Afinal, já sabemos sobre o fungo, o que ele faz, como ele chegou na Terra, e o período todo que ele permaneceu “adormecido” e por que só agora resolveu dar sinal de vida. Alerta Apocalipse, então, não se preocupa em nos instigar pela trama, e sim, de forma expositiva faz com que entremos nessa história já sabendo os comos, e porquês, e o que esperar da ameaça do fungo. A pergunta que fica é: eles vão conseguir impedir?
Mas não deixa de ser curioso ver Travis e Naomi andar pelas instalações na medida que o tal bipe continua a tocar e eles encontram com paredes falsas, roupas contra contaminação, e uma escada de emergência que vai a fundo para o meio do nada.
O climinha de filme de suspense até que é bem construído pelo diretor Jonny Campbell nesses momentos, enquanto os dois seguem a cartilha de filme de Scooby-Doo e entram nesse lugar escuro e que definitivamente tem alguma coisa que os quer matar.

Alerta Apocalipsenão só ganha um clima maior de urgência quando vemos o agente de Neeson, Robert, uma outra funcionária governamental chamada Abigail (Ellora Torchia) e ainda uma outra agente interpretada pela sempre espirituosa Lesley Manville partirem rumo ao local para tentarem também impedirem o fungo de sair de lá, como também descobrimos que Griffin (Spokes) planeja assaltar uma unidade da instalação cheia de TVs gigantes e caríssimas com diversos indivíduos perigosos. Até mesmo um Reverendo está envolvido nesse golpe.
Assim, Travis e Naomi precisam não só enfrentarem o fungo, o chefe corrupto, e ainda observarem em primeira mão o que a tal ameaça é capaz de fazer na medida que o fungo se alastra pelas instalação e que sai de lá. E Alerta Apocalipse entrega nesses momentos boas passagens, com bons efeitos especiais, mas como falei, a trama, considera que o espectador vai muito embarcar nessa história, e nos personagens, mas não faz muita questão em dar ferramentas para que possamos querer saber o que vai acontecer com esses personagens fora os protagonistas.
No final, eu me vi meio indiferente do que poderia acontecer com eles, com esse universo e se eles iam ou não vencer o fungo. Não vejo como uma culpa de Keery ou Campbell, e nem menos de Neeson, apenas que Alerta Apocalipse se levou um pouco a sério demais nessa história e, como falei, tinha tudo possível para entregar uma coisa muito melhor.
Alerta Apocalipse chega em 29 de janeiro nos cinemas nacionais.











