A Vida de Chuck | Crítica: Um filme sobre o nada e com Tom Hiddleston

É curioso que A Vida de Chuck (The Life of Chuck, 2025) tenha passado como um dos destaques do festival de Toronto no ano passado, levou até o cobiçado prêmio do público, mirou um lançamento alguns meses depois para tentar capitalizar com esse hype, só para, no final, meio que se perder na conversa e na lista de grandes blockbusters lançados no mesmo período.
Num mundo, onde a disputa por atenção é cada vez mais feroz e ágil, talvez, A Vida de Chuck tenha chegado enfim nos cinemas com um sentimento de ser um filme velho? Mas também isso diz muito sobre o filme em si, e claro, minha experiência com ele. Talvez, tenha sido pelo fato de entregar uma história com uma estrutura narrativa não linear, ou o sentimento de mistério que o filme se apresenta que achei ser mal desenvolvido e explorado, ou, talvez, os inúmeros questionamentos sobre a vida que o roteiro entrega e que eu não tava muito afim de comprar e embarcar.
De qualquer forma, A Vida Chuck me pareceu um grande filme sobre nada.

Bonito? Sim. Mas, talvez, seja uma das grandes decepções do ano. Acho que realmente o que mais chama atenção é a presença de Tom Hiddleston, carinha conhecida pelo papel nas produções da Marvel e que seria a esperança de fazer esse emplacar na bilheteria. (E nem vamos entrar no mérito da data de estreia completamente equivocada que o filme teve por aqui).
Hiddleston canta e dança aqui e entrega a única parte que me diverti com o longa. Pena que ele aparece muito pouco e lá no miolão do filme, onde o diretor Mike Flannigan(tão bom nas minisséries da Netflix, mas ainda não mostrando para que veio nos cinemas) divide A Vida de Chuck em três capítulos. O questionamento de Quem é Chuck? O cara com um grande sorriso, com cara de contador/advogado, que estampa outdoors pela cidade com os dizeres Obrigado Chuck! (junto com comerciais na TV), que vive em estado de pânico por conta de uma crise global (terremotos, vulcões e etc) que se perdura há meses e afeta o cotidiano com a queda dos serviços de internet e de comunicação, paira sobre o começo do filme.
Em A Vida De Chuck, a trama mescla esse questionamento com um mistério de como e porque a humanidade chegou a beira do colapso, onde acompanhamos tudo se desenrolar pelos olhos de um professor (Chiwetel Ejiofor) que passa boa parte do tempo refletindo sobre a sua própria vida, os últimos acontecimentos no mundo e sobre o relacionamento com a ex, enfermeira, interpretada por Karen Gillan.
Ao adaptar a história de Stephen King para as telonas, Mike Flanagan sofre para manter um certo ritmo narrativo e para nos fazer conectar com esses personagens à beira do apocalipse. Eu poderia me importar menos com todos eles. Tanto que toda vez que a coisa piorava no cenário de fim do mundo eu revirava meus olhos. Chato e desinteressante. E A Vida de Chuck acaba por ser um grande desfile de personagens com nomes conhecidos surgindo em tela com pouco para acrescentar na história ou na narrativa. É como esperar a cada segundo alguém conhecido surgir para falar alguma coisa ou fazer alguma coisa e sair fora do frame. Dos habituais parceiros de Flanagan e que pipocam em todos os projetos do diretor como os atores como Rahul Kohli e Kate Siegel, até mesmo nomes como Matthew Lillard, David Dastmalchian, Carl Lumbly e diversos outros.
A parte 1 é descrita como o fim, o fim dos tempos propriamente dita, enquanto a narrativa segura no peito como cartas num jogo de pôquer de Quem é Chuck? e seu papel naquilo tudo (spoiler alert: nunca descobrimos efetivamente). Já a parte dois foca em Chuck já adulto, um carismático Tom Hiddleston que faz quase A Vida De Chuck valer a pena (até você lembrar dos outros entediantes capítulos).

O intrigante personagem é destrinchado aos poucos, numa velocidade extremamente lenta, que culmina numa cena muito boa, que assim como o filme todo nunca nos leva para nenhum lugar. Assim, vemos o personagem parar numa tarde qualquer, no meio de uma galeria a céu aberto, onde uma jovem toca bateria e ele se sente contagiado pelo ritmo da música. Tanto que começa a dançar no lugar, atraindo os olhares curiosos de quem passa, inclusive de uma moça (Annalise Basso), e os dois seguem juntos um passo de dança. Legal, empolgante, até que tudo acaba, e nada vai à frente. Mas como falamos, é um filme sobre o nada.
E assim como a parte 1, a parte 2, termina de forma abrupta e seguimos para a parte 3, onde vamos conhecer como o Chuck que conhecemos virou essa figura que passamos os últimos minutos só existindo em tela. Charles ‘Chuck’ Krantz é interpretado por 4 atores em A Vida de Chuck. E tirando Tom Hiddleston era esperado que Jacob Tremblay conseguisse se sobressair como uma das figuras jovens de Chuck, mas é o ator Benjamin Pajak que chama atenção. Pajak talvez é o melhor deles ao entregar um Chuck com propósito, cursar suas aulas de dança, numa decisão que faz, enfim, a narrativa avançar naquele bloco.
Já que as repercussões que envolvem as escolhas do menino, criado pela avó (Mia Sara), e que depois que ela morre e deixa Chuck com o avô rabugento interpretado por Mark Hamill são interessantes, mas ao mesmo tempo, acabam por ser o repeteco de tudo que vimos no filme até então. De por que estou vendo isso? E pior, por que eu tive que ver tudo aquilo? Afinal, tenta montar um quebra cabeça sem nunca nos entregar todas as peças efetivamente.
Talvez, isso tenha ficado claro quando temos o debate sobre como colocar a história da criação da vida dentro de um calendário, dividindo bilhões de anos por meses, mas no final tudo só parece uma grande encheção de linguiça e que não nos leva, como espectadores em busca de acompanhar uma história, para lugar nenhum. Apenas fiquei olhando meu relógio para ver quanto tempo faltava para o filme acabar. E para um filme sobre os questionamentos da vida, isso diz muito sobre A Vida de Chuck. Infelizmente não foi para mim, por mais que os envolvidos chamem a atenção.
A Vida de Chuck está em cartaz nos cinemas nacionais.











