Quando Lee Cronin entregou A Morte do Demônio: A Ascensão, lá em 2023, o diretor irlandês conseguiu dar uma revitalizada na franquia e entregar alguma coisa nova que se destacou entre os filmes de gênero naquele ano. A expectativa, então, para o seu próximo projeto era grande, mas quando foi anunciado que Cronin se dedicaria a fazer um filme sobre múmias e crianças desaparecidas, eu fiquei: “Ok, vamos esperar para ver o que vai sair disso.” Eu não estava botando muita fé no projeto, que foi intitulado A Múmia de Lee Cronin, e aqui no Brasil acabou ficando A Maldição da Múmia (Lee Cronin’s the Mummy, 2026) para não ser confundido com A Múmia, de Brendan Fraser e Rachel Weisz que também vai retornar para novos filmes, mas que não estão aqui nesse.
E, realmente, depois de assistir ao filme, fica claro que Cronin não conseguiu entregar alguma coisa nem tão memorável quanto A Morte do Demônio: A Ascensão, nem sequer um bom filme de múmia. Já que A Maldição da Múmia é apenas 20% filme de múmia e faz uma grande mistureba, enfaixada toda junta, e que não se sustenta.
Afinal, aqui, o diretor apenas apela e, por apelar, eu digo se apoiar, sem necessidade, no gore, no desconforto e no body horror. O que temos aqui é um filme nada assustador, apenas bem gráfico e bem nojento, um de querer virar a cara em muitas cenas. O que parecia ser um sonho para qualquer fã de terror, certo? Errado. Em A Maldição da Múmia, muitas dessas passagens não têm sentido na narrativa, não estão lá para fazer a trama ser desenvolvida ou avançar, mas sim apenas por estarem lá, gratuitamente.
Em uma das passagens, um dos personagens tem um objeto acertado na cara, e vemos ele entrar no seu crânio. Precisávamos ver? Não. Mas vemos. E a cena segue para a próxima. Isso acaba por ser um dos pontos fracos do filme. Outro ponto que deixa a desejar é o roteiro que Cronin apresenta aqui, que tem mais camadas do que a múmia do título e que são desenroladas sem muita cerimônia, para tentar dar à história algum tipo de complexidade e, claro, um mistério a ser seguido ao longo das pouco mais de 2 horas de duração. Mas acaba por ser algo meio rocambolesco, não ajuda muito a dar fluidez ao filme, e o elenco faz o que dá, mas também não chama atenção nem se destaca com o que é apresentado.
A Maldição da Múmia apresenta a família no centro de tudo, quando conhecemos os Cannon, que veem a filha Kate (Emily Mitchell) desaparecer no meio do dia e deixar os pais Charlie (Jack Reynor) e Larissa (Laia Costa) desesperados em busca dela, em outro país e ainda um com uma cultura bem diferente da americana. Esse acontecimento destrói a dinâmica da família, que volta para os EUA dilacerada e fragilizada: dos pais, com Larissa grávida, Charlie sem cabeça para conseguir o emprego cobiçado de âncora, ao irmão menor Sebastian (Shylo Molina).
Mas e a tal múmia do título? Bem, A Maldição da Múmia conecta a trama da família americana com a de uma personagem apresentada aqui como a Mágica (Hayat Kamille). A misteriosa mulher e sua família são introduzidas logo no começo do filme, quando vemos uma pirâmide escura e muito antiga abrigar um sarcófago com alguma coisa viva ali, que definitivamente quer sair de lá e que acaba também com quase todos os membros dessa família. A trajetória, e a importância, deles é revelada nos momentos finais do filme, mas soam muito mais interessantes do que a trama que tem rola com a família americana.
E, talvez, esse seja o grande problema de A Maldição da Múmia. Afinal, Cronin quer contar a história de um demônio milenar que dissemina o caos, a desunião e coloca parentes da mesma família uns contra os outros, o que seria uma proposta muito válida, principalmente depois de A Morte do Demônio.
Mas, ao fazer isso, coloca todo um contexto de múmia e lendas do Egito Antigo na história, o que deixa tudo muito maior do que deveria ser e acaba atirando para todo lado, enquanto tenta dar uma certa coesão a tudo. Afinal, quando anos se passam, a família Cannon vive sua vida ainda de luto, com a nova filha do casal, Maud (Billie Roy), já crescida, com Sebastian adolescente, e eles morando no meio do deserto com a avó Carmen (Veronica Falcón), até que recebem a ligação do governo egípcio de que Katie está viva e pronta para voltar para casa.
O estado dela? Nada muito bom, pelo menos mentalmente, já que, fisicamente, Kate está muito bem. Quer dizer, tirando a pele ressecada, as unhas e cabelos em péssima condição e o fato de que ela não fala nada. Ela foi encontrada dentro de um sarcófago, intocável, depois de um acidente de avião, e foi resgatada após anos sumida. E agora reunida com a família.
Quando a jovem (agora Natalie Grace numa maquiagem bastante impressionante) chega em casa, Cronin faz o que soube fazer de melhor em A Morte do Demônio, que é transformar situações do cotidiano em momentos de puro terror. Seja quando vemos Katie bater os dentes e tentar se comunicar com pai por código morse, quando dá uma cabeçada na avó ou quando a pele é arrancada enquanto a mãe corta as longas unhas da filha.
São poucos momentos que realmente dão certo e funcionam aqui. Principalmente em das poucas boas cenas se passa em um funeral e temos uma personagem brincando com dentes que não são delas. Aliás, dentes, e partes do corpo em geral, são muito bem utilizadas por Cronin para criar um desconforto ao longo do filme.
A Maldição da Múmia até cria uma ambientação tensa e uma atmosfera carregada, mas só isso não basta para fazer o filme ficar bom. Já que estruturalmente, o longa tenta englobar muitas coisas, muitas narrativas. Afinal, temos o drama da família, o pai (um jornalista frustrado profissionalmente) em busca de investigar o que aconteceu com a filha, e ainda a investigação da detetive Zaki (May Calamawy, talvez, a única boa personagem do filme), que vê no caso a chance de terminar essa investigação de anos.
E, depois que as coisas se complicam na casa, quando os planos de Katie (e da entidade que toma conta do corpo da jovem) são apresentados, e a detetive Zaki chega ao cerne do mistério que envolve a sequestradora, uma lenda antiga, A Maldição da Múmia ganha um ritmo frenético que destoa completamente do que estávamos vendo anteriormente. Mas isso, novamente, não faz com que o filme fique bom, apenas faz com que ganhe um ritmo de “precisamos encerrar tudo isso aqui”.
Enquanto os pais tentam salvar Katie do espírito maligno que a domina, A Maldição da Múmia entrega efeitos práticos que fazem os personagens pularem, serem arremessados e voarem de cômodo em cômodo. É uma coisa de vermos como tudo vai se desenrolar, porque tem um momento em que até cogitei torcer para a entidade, de tão fraco que estava não só o desenvolvimento da narrativa quanto as cenas de terror, totalmente fora do tom aqui.
No final, fica claro que A Maldição da Múmia vai ser um daqueles filmes que vão ser lançados, com muita sorte, vão ser comentados por alguns dias e depois vão entrar num sarcófago e ser esquecidos no meio da avalanche de novos filmes que chegam aos cinemas ou ao streaming na TV. Mas também acho que ninguém estava esperando muita coisa de A Maldição da Múmia, né?
A Maldição da Múmia chega aos cinemas nacionais em 16 de abril.
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