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A Longa Marcha | Crítica: Se eu fosse você, correria para ver!

É curioso notar que o diretor de A Longa Marcha: Caminhe ou Morra (The Long Walk, 2025) seja o mesmo da franquia Jogos Vorazes. Afinal, Francis Lawrence ao longo de 4 filmes baseados na série de livros conseguiu capitalizar bem ao mostrar o espectáculo grandioso que a franquia queria, e precisava, passar, mas aqui com a adaptação desse outro livro, de Stephen King (um dos seus primeiros lançado até com outro nome), o diretor meio que trabalha com os mesmos temas só que numa escala bem, bem menor.

E meio que Lawrence consegue aqui também fazer funcionar.

Joshua Odjick, Jordan Gonzalez, David Jonsson, Cooper Hoffman e Charlie Plummer as Barkovitch em A Longa Marcha. Foto: Credit: Murray Close/Lionsgate
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A Longa Marcha faz um filme de andança e falatório focado em um grupo de jovens que participam de uma maratona mandatória, feita por inscrição e sorteio, brutal e televisionada em um país que vive em um regime totalitário depois de passarem por uma grande guerra e ver a economia ir para as cucuias e povo precisar (segundo o governo) de alguma distração. Em sua essência, A Longa Marcha e Jogos Vorazes bebem da mesma fonte, mas, o primeiro acaba, como falamos, por contar sua história em uma escala bem menor, mas que não deixa se ser efetiva e perspicaz em sua proposta.

Claro, se lá em Jogos Vorazes tínhamos Jennifer Lawrence, aqui em A Longa Marcha muito dá certo por conta da dupla de atores que lidera o elenco do longa e que você já deve ter visto em outros projetos ao longo dos anos. Em A Longa Marcha, Lawrence (aqui o diretor e não a atriz, claro) parece que quis se cercar de todos os nomes jovens e promissores de Hollywood e tem na figura de Cooper Hoffman (Licorice Pizza, Saturday Night) e de David Jonsson (Rye Lane, Alien: Romulus) os protagonistas certos para contar esse tipo de história.

A Longa Marcha funciona por conta deles bem mais do que por conta da direção de Lawrence. Afinal, é como se tivéssemos com um acesso exclusivo, uma câmera de Per Pay View do BBB, para o grupo de jovens enquanto eles precisam andar por aí. E as regras são logo apresentadas pelo imponente e ameaçador general, aqui na figura de Mark Hamill e sua voz grave: Eles precisam andar, sem parar, numa certa velocidade. Se pararem, recebem uma advertência. Se receberem 3, os soldados atiram em você. As advertências são zeradas em 3 horas. O prêmio? Aquilo que o vencedor quiser. E só existe um vencedor.

É curioso, como a dinâmica dessa prova soa como qualquer reality showque poderia surgir no streaming, afinal, já tivemos participantes presos em casas, em ilhas, e em castelos antigos, mas A Longa Marcha rapidamente, enquanto apresenta os competidores, os coloca no meio do nada, andando por aí. E o diretor faz questão de mostrar o quão ferrado é a realidade que esse grupo de pessoas vive nessa sociedade distópica. A Longa Marcha se passa quase toda exclusivamente durante a prova, então cabe a nós, como espectadores, reunir as pistas, sobre o que tá rolando, e seus passados, enquanto vemos os personagens já andarem por aí.

É um bom quebra-cabeça, um brutal, e cheio de momentos de tensão, enquanto vemos esse grupo, pelo menos no começo, tricotar ao longo da caminhada. A grande pergunta que fica é quem vai sobreviver, claro. Mesmo que sabemos que os jovens Raymond Garraty, o número 47 (Hoffman) e Peter McVries, o número 23 (Jonsson) estarão no Top 3, onde o longa apresenta os demais competidores de uma forma que torna tudo bastante imprevisível de se assistir e saber quem vai estar com eles até o final.

Afinal, todos os jovens apresentados são bons oponentes e tem tudo para chegarem em pé no final da competição. Assim, é curioso ver a forma como o roteiro de JT Moliner (do ótimo Desconhecidos) apresenta cada um deles e como vamos ver a dinâmica entre esses garotos, se moldando de acordo com o tempo que a maratona vai passando.

O porte físico do número 38, Stebbins (Garrett Wareing) é notado logo de cara como um participante que deve ser batido, já o número 5, o bocudo e pentelho Gary Barkovitch (Charlie Plummer, também muito bem aqui) acha que fazer jogos mentais e provocar os outros competidores é a saída e o número 46, Hank Olson(Ben Wang vindo do novo Karatê Kid) acha que a prova é mais mental do que física e tem uns truques na manga. E um chiclete.

O grupo se forma ainda com a presença do número 48, o jovem Collie (Joshua Odjick) e o número 6, Arthur (Tut Nyuot), onde cada um cria sua própria estratégia, enquanto as habilidades são mostradas e as cartas são colocadas na mesa enquanto eles marcham pelas ruas cercados de soldados que ficam de olho em qualquer movimento, ou falta de, que eles fazem.

Mark Hamill em A Longa Marcha. Foto: Credit: Murray Close/Lionsgate

E esse clima de camaradagem, somos os quatro mosqueteiros, e do clima de harmonia na casa, já é brutalmente colocado de lado, logo nos primeiros momentos, nos primeiros quilômetros andados, quando as primeiras mortes começam a acontecer. Particularmente, achei que A Longa Marchairia fazer tudo off câmera, e focar no sentimento de horror na cara dos participantes, mas Lawrence não poupa esforços para gravar as cenas das formas mais gráficas possíveis. Os tiros estouraram miolos, ora a cara toda dos participantes, e o sangue jorra por todo lado. E não só isso, o diretor bota cenas em que os competidores precisam enfrentar as chuvas, as necessidades biológicas (e fazem andando mesmo!), o sono e cansaço mental. Fora que tem passagens com membros decepados e tudo mais.

A Longa Marcha mostra a realidade visceral que a prova exige desses participantes, ao longo de vários dias, e quilômetros que eles enfrentam. E ao mesmo tempo, vai fundo em destrinchar a vida desses personagens, principalmente de Raymond e Peter. O que dá para os atores a chance de monólogos cheios de emoções e que Lawrence bota a câmera na cara dos atores que precisam que não tem para onde fugir.

Inclusive uma das cenas mais tristes e emotivas do longa fica quando Raymond cruza caminho com a mãe, uma excelente Judy Greer em curta (mas eficaz) participação, e nós já sabendo de boa parte da história do personagem vemos os dois trocarem olhares e dizerem muito apenas de estarem ali parados um perto do outro.

A curiosidade e o sentimento de apreensão na medida que os personagens vão desaparecendo em tela, e o pelotão que eram de muitos, se torna a ficar em poucos, e isso em A Longa Marcha dita o tom do filme nos momentos finais. Principalmente, quando os planos de o que fazer com o prêmio que cada um dos participantes tem é revelado um para o outro (e consequentemente para nós, a audiência) se mostra uma decisão que promete movimentar os minutos finais do longa. A Longa Marcharealmente se comporta como se tivéssemos em uma grande caminhada, o longa começa de uma forma até lenta, acelera em alguns momentos, e o ritmo só cresce e chega no ápice nos momentos finais, onde tudo que você quer é saber o que vai acontecer.

No final, Lawrence mostra que consegue trabalhar num escopo menor do que fez em Jogos Vorazes, mas que mesmo assim, consegue trabalhar boa parte dos temas vistos na mega franquia. E aqui é pelo combo dessa história com um elenco escolhido a dedo que faz A Longa Marchavaler a pena. Eu até sai cansado do filme, do tanto que ia para frente na cadeira para ver o que ia acontecer com esse grupo.

Avaliação: 3.5 de 5.

A Longa Marcha: Caminhe ou Morrachega nos cinemas nacionais em 18 de setembro.

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