A Grande Viagem da Sua Vida | Crítica: Uma grande viagem mesmo

Às vezes para um filme dar certo você precisa só de dois protagonistas carismáticos para fazer seu projeto acontecer. Só isso, e, às vezes, só isso é bastante. Outras vezes não, o conjunto de outros fatores também pesa. O primeiro é o que é o caso aqui, onde é meio que isso é que temos com A Grande Viagem da Sua Vida (A Big Bold Beautiful Journey, 2025) estrelado por Margot Robbie e Colin Farrell.
E é pelo fato que o diretor Kogonada ter escolhido a dupla de atores para protagonizar esse projeto que faz com que esse filme acabe por ser uma experiência bacaninha de se assistir. O “-inha” você entende ao longo do texto. Afinal, A Grande Viagem da Sua Vida faz mesmo uma grande viagem, contada em ritmo de fábula que entrega uma doideira visual quase experimental, extremamente lúdica, e oras teatral.
E isso é bom e ruim para o filme. Ao aceitar embarcar nessa grande viagem pela vida de David (Farrell) e Sarah (Robbie)você, expectador, tem a chance de acabar por sentar no banco de trás do carro que eles usam e tem uma visão privilegiada para acompanhar a dupla por destrinchar os momentos alegres e dolorosos que esses dois viveram e o que os levaram para estarem juntos dentro daquele veículo escolhido no que parece ter sido de forma aleatória rumo ao desconhecido, onde eles trombam com portas mágicas aqui e ali.

Com cores vibrantes, onde as cores primárias dão um tom bastante interessante para a estética visual apresentada, A Grande Viagem da Sua Vida funciona como mesmo uma grande peça de teatro, só que você está na poltrona do cinema, e acompanha esses dois personagens que cruzam caminho durante um casamento, se conhecem, trocam flertes, partem para viverem suas vidas, depois se encontram novamente numa hamburgueria, e partem em uma aventura juntos pelo passado enquanto refletem sobre o presente e um possível futuro juntos.
Claro, tudo tem o dedo (ou seria a voz?) de um GPS espirituoso (poderíamos dizer mágico?) que os guias, depois que eles alugam um carro numa empresa meio suspeita comandada por duas excêntricas figuras aqui interpretadas por Kevin Klinee a sempre ácida Phoebe Waller-Bridge.
O mais interessante de A Grande Viagem da Sua Vida é que não é um filme excepcional, transformador, que muda a trajetória do cinema, e sim, um que se desenvolve naturalmente a partir da sua premissa já simples e que apenas é elevado pelas atuações de Farrell, vindo de uma temporada televisiva com a série Pinguime com outro filme para ser lançado nas próximas semanas, a Balada de Um Jogador, e Robbie, no seu primeiro papel pós-Barbie e em aquecimento para o lançamento do desde de já polêmico Morro dos Ventos Uivantes.
Os dois atores estão muito bem, carismáticos, e tem uma dinâmica muito boa de se acompanhar em tela na medida que vemos esses personagens embarcarem nessa grande sessão de terapia onde tentam desbloquear seus medos de compromisso, de terem uma relação fixa com outras pessoas, e cogitam eles mesmos, se devem tentar um relacionamento entre si.
É por conta dos dois atores que Sarah e David se tornam figuras que fazem você querer passar esse tempo com eles, enquanto eles descobrem mais um sobre a vida do outro, e seus passados, e por que estão nessa de não tentarem um relacionamento já com medo do que pode acontecer. E você, espectador, já está lá sentado para ver os dois e não tem muita opção nas próximas duas horas senão de acompanhar o que acontecer com eles, né?

Assim, basta acompanhar A Grande Viagem da Sua Vida que passa por diversos momentos marcantes da vida deles. Temos a relação de Sarah com a mãe, uma excelente Lily Rabe, com ex-namorados, com a presença de Billy Magnussen e de David com o pai, interpretado por Hamish Linklater, e lidando com um crushde adolescência e tudo mais e quando tudo se desenrola e termina você fica com a sensação de: é isso né? Tipo, é só isso?
Conhecemos eles, entramos no carro com eles, vimos a trama se desenrolar, levantar diversos questionamentos e reflexões, e aí, o filme acaba. É tudo muito bonito, contemplativo, mas é tudo muito retilíneo e simples. Ao tratar do mundano e do cotidiano da vida dessas pessoas, A Grande Viagem da Sua Vida entrega um filme apenas OK, sem muitas passagens marcantes ou grande momentos. Não é desinteressante, apenas, aquilo ali que é entregue.
Claro, Robbie e Farrell tem bons diálogos, bons monólogos e nos mantém entretidos, mas no final, é isso, foi um filme que ao terminar, você vai seguir a sua própria vida, onde A Grande Viagem da Sua Vidaserá mais um filme que você vai falar que viu, logou no Letterboxd, e possivelmente vai esquecer daqui a algumas semanas quando um novo filme for lançado, ou uma nova série chegar para maratonar. Nada marcante ou extraordinário. Mas no final, a própria vida é meio que é isso né? Fora das telas, nossas vidas acabam por ser cheia desses momentos, onde nada de muito uau acontece pincelados com poucos momentos que realmente fazem a diferença.
A Grande Viagem da Sua Vida chega em 18 de setembro nos cinemas.











