A Empregada | Crítica: Canastrão, divertido e sem medo de ser exagerado!

Seria interessante começar esse texto de A Empregada (The Housemaid, 2025) por avisar que não li livro em que o novo filme do diretor Paul Feig é baseado. E, talvez, isso tenha sido a melhor coisa que me aconteceu. 

Afinal, não tinha nenhum conhecimento prévio da história, das reviravoltas, e não tinha um material base para me guiar e o que esperar da trama. E acho que o projeto, o filme em si, chama atenção por si próprio já que não é só dirigido por Feig (que tem uma vasta experiência nesses tipos de filmes), mas também por ser estrelado por nomes conhecidos do público como a vencedora do Emmy Amanda Seyfried (em seu segundo filme nesse final de ano com O Testamento de Ann Lee, mas que no Brasil só chega em 2026), a sempre presente nas redes sociais por diversos motivos Sydney Sweeney e por um dos galãs dessa nova safra em Hollywood, Brandon Sklenar.

Photo Credit: Daniel McFadden/Lionsgate
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Assim, tudo isso, acabar por ser um combo extremamente convidativo e que faz com que A Empregada abrace todas essas variáveis de uma forma que tenhamos um filme que não cansa de divertir, arrancar gargalhadas e que definitivamente é um filme não tem medo de ser exagerado.

Se eu pudesse descrever em uma frase A Empregada seria: É fé nas malucas! Já que é notado e sentido a mão de Feig aqui, onde o diretor, talvez, entregue o mais interessante de sua carreira no gênero. Afinal, nada, eu digo, nada me preparava para o que veria nessas pouco mais de 2 horas de filme que serviu para encerrar o ano nas sessões de imprensa.

A Empregada vai de 8 a 80 muito rápido ao entregar essa história de vingança muito bem temperada. E acho que é isso é o máximo que posso, e quero dizer. Afinal, o que você pode esperar de A Empregada é um filme que mistura de A Mão de Balança o Berço, com a série Big Little Lies e também Sirens que saiu esse ano na Netflix.

E logo quando o filme começou, eu já estava pronto para o tranco e mesmo achando tudo muito fora do tom quando somos introduzidos para Millie (Sweeney com um óculos bem chinfrim) uma jovem que chega em uma opulenta mansão, da família Winchester, para tentar uma vaga como babá/arrumadeira/cozinheira e tudo mais, onde não pude de deixar de notar algumas sutilezas nas cenas, principalmente o contraste dela com sua entrevistadora e futura empregadora, a elegante Nina (Seyfried com um olhar fulminante e um colar de pérolas chamativo) que brinca com a entrevistada que um dia alguém iria morrer nos degraus daquela escada em espiral enorme que o marido escolheu para a sala.

E essa apresentação só ajudou a contribuir para o filme estabelecer logo no seu começo esse tom meio estranho, meio camp, meio forçado de se assistir que A Empregada tem. E isso se dá, muito, pelo trabalho de Seyfried, que realmente domina esse filme como ninguém e que apresenta uma Nina como uma figura no melhor estilo dessas que aparecem nesses reality shows de gostos duvidosos que inundam o streaming. Mas ao mesmo tempo, você não consegue parar de tirar os olhos dela, das caras e bocas, das mudanças de humor e como isso se contrasta também com o impecável, bem arrumado e grandioso casarão que a família mora. 

Photo Credit: Daniel McFadden/Lionsgate

A Empregada então acerta ao aguçar a nossa curiosidade para saber o que realmente está acontecendo com essas personagens. Afinal, o roteiro de Rebecca Sonnenshine (adaptado do livro de Freida McFadden) começa a não só introduzir suas reviravoltas, que só escalonam ao longo dele quando Millie, que descobrimos ter mentido sobre seu currículo, vive no seu carro, e precisa de um emprego para cumprir as exigências da condicional, é chamada para trabalhar com os Winchester e a filha deles Cece (Indiana Elle) que não parece ser muito simpática ou feliz em ter uma nova pessoa no cotidiano deles.

Claro, Sweeney demora um pouco para convencer Millie, mas também acho que faz muito parte da “vibe meio filme dos anos 90/2000” que Fieg quer para A Empregada. Afinal, todos os personagens parecem estereótipos de produções que já vimos. De Nina de Seyfried como uma dondoca meio faltando um parafuso a menos, para o carismático Andrew que Feig coloca Sklenar para andar só de regata por aí, e até mesmo para o enigmático e calado jardineiro Enzo interpretado Michele Morrone (que trabalhou com Feig em Um Pequeno Outro Favor no começo do ano). É tudo um amontoado de clichês que funciona de uma forma curiosa aqui. 

E como falei, A Empregada parece apresentar sua história de uma forma que brinca com tudo isso, se você não sabe se os personagens agem assim porque eles são realmente assim caricatos ou se tem mais alguma coisa por trás disso. E na medida que Nina exige mais de Millie no trabalho, e conflitos entre as duas começam a aparecer e claro que Andrew e Milie começam a se olharem com outros olhos um para os outros, A Empregada avança rapidamente na trama para ir para caminhos completamente surreais por aqui, que vão desde de aulas de balé com maus entendidos sobre quem vai buscar quem, ingressos aleatórios para shows, hospedagens em hotéis carissimos, e até mesmo pratos de porcelana antigos que ganham mais destaque do que deveriam no filme.

E quanto mais Millie se envolve no dia-a-dia da casa, que por si só também é um personagem do filme, quem leu o livro sabe, as indagações que A Empregada vai por apresentar e nos deixar com dúvida só aumentam assim como a rixa que Nina cria com a funcionária que parece a atormentar sempre que pode.

Até que Millie começa a viver um conto de fadas com Andrew e Nina tem mais um ataque de surtos e BAH. Reviravolta. O marido a deixa, Millie começa a morar na casa, e BAH. Outra reviravolta. Uma ainda mais cabeluda e que é seguida por um grande flashback que amarra as pontas, coloca os pingos nos is em todas as dúvidas que tivemos, e que prepara, ou pelo menos tenta, para os momentos finais do filme, que são ainda mais surreal, ainda mais surtados do que andamos por acompanhar. 

A Empregada então nos fisga e suga para o espiral narrativo que esse trio de personagens é colocado e vivem momentos extremamente brutais, que nos deixam ficar na ponta da cadeira do cinema sem saber (se você não leu o livro) o que vai acontecer com eles. 

Seyfried entrega então mais camadas para Nina que jamais parecia que a personagem teria. O mesmo vale para Sweeney que ganha uma força sem tamanho e também para o próprio Sklenar que consegue apresentar uma nova faceta como ator, sai um pouco do vimos anteriormente fazer, e entrega alguma coisa bem diferente do que fez em É Assim Que Acaba e Drop: Ameaça Anônima.

O ritmo frenético, o trabalho de Feig com a câmera pela casa, e toda a loucura e correria que acontece no final de A Empregada deixam o longa apenas surfar em tudo aquilo que foi apresentado, onde minha sessão não respirava ao mesmo tempo que vibrava com todas as reviravoltas da narrativa dava.

No final, A Empregada me pareceu um trabalho de construção de uma montanha russa de sentimentos muito bem feitos, que eu não tava dando nada, mas que são extremamente satisfatórios. Com um sentimento renovado que os filmes desse gênero ainda não vai ser arrastados para baixo do tapete e ser relegados apenas para o streaming, acho que A Empregada tem tudo para ser uma grande pedida para o final do ano, e realmente, aproveitar uma coisa que foi feita para garantir esse tipo de experiência descompromissada e feita para divertir. Mas sem sacrificar nada. Uma grata surpresa.

Nota:

A Empregada chega com sessões de pré-estreias pagas a partir de 19 de janeiro e chega em todo o circuito em 01º de janeiro de 2026.

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Miguel Morales

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