Anônimo 2 | Crítica: Alguém se divertiu!

O primeiro Anônimo era um daqueles filmes de pandemia que iria sair nos cinemas, e até saiu em alguns lugares (no Brasil pulou por conta dos cinemas fechados e da saída momentânea do estúdio no país), mas ganhou uma popularização maior quando chegou nas plataformas digitais e no streaming. Ao longo dos anos, e pipocando pelos streamings da vida como Prime Video e Netflix, o público foi descobrindo aos poucos a história desse homem aparentemente normal, e interpretado por Bob Odenkirkvindo do sucesso de Better Call Saul, que depois de ver a casa nos subúrbios que ele mora com a família ser invadida por bandidos, parte em uma espiral de porradaria em que acaba por enfrentar criminosos ainda mais perigosos.

Anônimoveio naquela pegada de filmes como John Wick, os do Jason Statham, Liam Neeson, e diversos outros que pipocaram ao longo dos anos e que fazem bastante sucesso por seguirem a mesma fórmula. E pelo visto, Anônimo deve ter feito um sucesso no streaming, já que a Universal Pictures e a produtora 87north encomendaram uma sequência para esse filme que chega agora nos cinemas nacionais diferente do primeiro filme.
Mas tirando tudo que aconteceu com Odenkirk que envolveu problemas de saúde e tudo mais, acho que o que mais funciona em Anônimo 2 (Nobody 2, 2025) é que o filme deixa de lado aquele ar de filme de ação sério, sombrio e machomanbrucutu que sai socando todo mundo que o primeiro teve e aqui abraça esse lado mais divertido e descontraído.
Isso tudo até tá presente nesse longa 2, mas de uma forma diluída e que pode não agradar quem esperava uma coisa mais parecida com o primeiro. Particularmente não achei de todo ruim. Talvez, seja o cenário de férias que a família Mansell vai passar num hotel com um parque aquático, já que é época de verão e o tempo está ensolarado, ou até mesmo, por que agora já sabemos (nós os espectadores e a família dele) que Hutch (Odenkirk, inclusive mais uma vez aqui muito bem) ainda luta contra bandidos anos depois do evento do primeiro filme para pagar a dívida que fez ao tacar fogo no dinheiro dos criminosos russos que ele fez de inimigos.
Então meio que o roteiro de Derek Kolstad e Aaron Rabin pode focar em outras coisas aqui na sequência como por exemplo que os filhos de Hutch e Becca (Connie Nielsen), os jovens Brad (Gage Munroe) e Sammy (Paisley Cadorath) cresceram, agora são adolescentes e todos eles tem novos problemas. Anônimo 2serve para expandir tudo aquilo que fomos apresentados no primeiro filme. E se lá em 2021, a trama focou em Hank e como esse “pai de família” conseguia sair no soco com criminosos e sair vivo dessa, aqui, na sequência vemos que as consequências das ações dele começam a cobrar um preço, não só para ele, mas para família como um todo.
Assim, de certa forma, os outros personagens também começam a ganhar mais destaque e serem mais trabalhados pelo roteiro que mostra que as dinâmicas familiares podem ser mais complicadas que sair na mão com a máfia. Em Anônimo 2, os Mansell então decidem partir para umas férias e curtirem um momento em família. Até o Vovô David (o lendário Christopher Lloyd) dá as caras.
Mas como sabemos, as coisas de maneira geral nos filmes “Anônimo” não vão ser tão fáceis para Hank e companhia. E acho que se o tom mais sério foi diminuído aqui, as ameaças que o protagonista enfrenta soam também diferentes, e o filme vai para um lado mais cômico, não no sentido de ser engraçado, escrachado, e sim por se apoiar na surrealidade disso tudo.
Anônimo2 é mais colorido visualmente, o texto é mais irônico, e o tom é mais “olha o quão doido tudo isso é” por que realmente é na medida que Hank tromba mais uma vez com um criminosos e seus esquemas ilegais. É um mundo cruel, mas Hank só queria levar a família para passar bons momentos no parque em que ele e o irmão Harry (Rza) viveram quando eram crianças com o pai durante 1 semana de férias.
E durante um tempo eles até tem esse momento de descanso em família, mesmo descobrindo no primeiro dia que o parque aquático está desativado e eles só tinham a opção de irem para um fliperama. Que é aí onde as coisas se complicam e o texto da sequência mímica os eventos do primeiro filme. A família cruza com uma série de pequenos criminosos que fazem parte de uma nova organização criminosa maior e liderada por pessoas ainda piores. Aqui formado por um policial corrupto, “É xerife na verdade!”, interpretado por Colin Hanks e depois descobrimos mais tarde também por uma mafiosa interpretada por uma transtornada e fora da casinha total Sharon Stone que dá risadas maníacas, faz carão, e segura um cachorro enquanto faz ameaças e planos diabólicos.

Mesmo que a sequência siga a fórmula do primeiro, Anônimo 2 entrega boas cenas de ação pelas mãos do diretor Timo Tjahjanto que eu não estava familiarizado com o trabalho. E se o primeiro teve poucas cenas marcantes, uma do ônibus, talvez, tenha sido a que eu lembre logo de cara, Anônimo 2 tem algumas que chamam atenção.
A cena no próprio fliperama que realmente é bastante colorida e frenética, onde a forma como a narrativa constrói a tensão para chegarmos nela é bastante interessante. E também uma num barco de passeio com um grande pato na parte de cima em que Hank precisa enfrentar os capangas que querem que ele dê o pé da cidadezinha enquanto ainda acham que ele é um zé-ninguém e não uma verdadeira ameaça.
Ao mesmo tempo que Anônimo 2 acaba por ser um filme maior, seja em valor de produção, nomes no elenco para elevarem a presença de Odenkirk e Nielsen e também ter Sharon Stone como a vilã master (numa boa cena de dança!), também fica claro que o filme acaba por um ser um longa de ação um pouco mais limitado, narrativamente falando, sem muitas reviravoltas ou momentos UAU, mesmo que consegue jogar com as cartas que tem na mesa e entregar um bom divertimento. Ainda mais para um filme de ação com apenas 1 hora e 30 minutos de duração.
Anônimo 2 está em cartaz nos cinemas nacionais.











