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Amores Materialistas | Crítica: Esperava romance bobinho recebeu sessão de terapia!

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Se você viu qualquer material de divulgação de Amores Materialistas (Materialists, 2025) pode se preparar para ir ver um filme completamente diferente do que foi vendido, tá? Afinal, quem viu também Vidas Passadas sabe o tipo de filme que a dramaturga, agora roteirista/diretora, Celine Song apresenta.

Mas, talvez, seja por conta do elenco formado por nomes badalados da cultura pop, pelos trailers descoladinhos, ou todo o marketing que a A24 (que lançou nos EUA e fez o esforço da divulgação) fez para o longa, pareceu num primeiro momento que Amores Materialistas seria alguma coisa mais comercial para Song depois de entregar o seu devastador, e merecidamente indicado em vários prêmios ,filme de estreia.

Foto: Reprodução IMDB.
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E tudo bem se Amores Materialistas fosse isso, já que todo mundo em Hollywood flerta com o comercial de certa forma e em determinado momento da carreira. A começar pelo elenco principal desse novo projeto de Song logo após seu primeiro filme: Dakota Johnson fez Madame Teia(o filme Marvel adjacente do universo do Homem-Aranha que deve ter dado dor de cabeça para ela),Chris Evans ficou anos como Capitão América (na Marvel principal), Pedro Pascal, está em The Last of UsE Quarteto Fantástico (e ainda uns outros 3 projetos no ano). Viu? Todo mundo vive num mundo material e tem contas para pagar.

Mas ao assistir Amores Materialistas fica claro que Song não desvia muito do que a fez ter um sucesso estrondoso com Vidas Passadas. Mesmo que Amores Materialistasesteja envelopado com atores mais conhecidos e uma carinha de romance bobinho, Song não foge do teatral, não foge das confabulações, hipérboles do roteiro e discute diversas questões sobre relacionamentos, mais uma vez.

É melhor que Vidas Passadas? Não! É pior? Também não. Só é diferente do que ela já entregou anteriormente. Song desconstrói tudo que podemos esperar de Amores Materialistas ao longo dele. Seja a expectativa de ser um filme mais comercial, seja a expectativa de entregar alguma coisa superior para Vidas Passadas, ou até mesmo, de seguir com o que foi ofertado no material promocional.

E não é só com o filme que Song faz isso. Faz isso também com a própria personagem de Johnson (que está muito bem) ao longo do filme. Ao conhecermos Lucy, uma jovem que trabalha para um aplicativo de relacionamento em que junta casais, e serve como uma casamenteira moderna, vemos que essa mulher parece ter tudo resolvido. Mas será que por trás da fachada simpática, e do olhar que brilha quando recebe uma nova cliente, está tudo MESMO resolvido?

No profissional, Lucy sabe quem juntar com quem, e analisa os diversos fatores e combinações que duas pessoas podem ter, para serem a alma perfeita. É quase como se Lucy fosse uma IA que juntasse as pessoas por conta de respostas sobre altura, peso, idade, condição social, escolaridade, e se gaba disso, com a chefe Violet (Marin Ireland), afinal, é o ganha pão dela.

E, como vemos, nas cenas bem editadas com os diversos clientes que Lucy tem, ela é muito boa nisso e uma das melhores “vendedoras” da empresa. No pessoal, nem tanto. Afinal, Lucy está solteira, e tem metas muito claras para um futuro relacionamento. O cara precisa ter dinheiro. Mas vamos só saber mais sobre ela e o que ela quer, não seus clientes, lá para frente na história quando Lucy vai no casamento de uma de suas clientes, esbarra com um ricaço (o irmão do noivo) que a princípio não sabemos se eles estão flertando (no final estavam) ou ele é um cliente em potencial.

Afinal, Harry (Pedro Pascal) é o que se chama de unicórnio, o cara perfeito: com dinheiro, altura, cabelos bonitos, boa pinta e tudo mais. Mas Lucy também, no mesmo evento, esbarra com o ex-namorado, John (Chris Evans) um ator/garçom que ainda divide apartamento com os colegas, ainda está em busca de ser descoberto, e ainda tem o mesmo carro velho. Coisa que fez Lucy e John terminaram anos antes, como vemos em flashbacks.

Foto: Reprodução IMDB.

Assim, Song coloca Lucy numa sinuca de bico. Afinal, ela ainda sente alguma coisa por John mesmo depois de anos de ressentimentos e mágoas, mas também engata um relacionamento com Harry que faz de tudo para agradar e impressionar Lucy. É meio que fácil ver para onde Lucy deveria ir, mas Song faz questão de mostrar que essa jornada não vai ser fácil, ou ter respostas fácies. Principalmente quando uma das clientes de Lucy, a advogada Sophie (Zoe Winters), a faz ver o mundo superficial materialista que a personagem tem vivido com outros olhos.

No meio de um texto carregado em uma ironia, onde parece que Song está querendo mostrar o quão absurdo é essa vida que esses irritantes personagens vivem, Amores Materialistasse destaca pelos diálogos, pelos monólogos, e pelos debates que os personagens tem sobre o que quer, acham que querem, e o que eles efetivamente fazem.

E se o texto é, como falamos, teatral, Song se aproveita também para filmar as cenas que dão esse sentimento de estarmos vendo uma peça. Temos muitos closes, temos muitas cenas 1:1, e muito um olhando para o outro. Particularmente tem uma cena, onde a noiva/cliente de Lucy se recusa a subir no altar, e todo um exército de madrinhas, convoca Lucy para a ajudar a convencer a jovem a casar, que a câmera segue as personagem, e só ouvimos o barulho dos altos no piso é muito boa.

E claro, assim, como Vidas Passadas, Song abusa do cenário de Nova York para dar um certo charme para Amores Materialistas. Seja para cenas de discussões no meio da rua, ou apenas, cenas de duas pessoas conversando na saída de um evento, ou na porta de um desses edifícios tão marcantes da cidade.

O que temos é sim, um bom filme, que é apresentado por uma boa ideia, mas no final, parece que as discussões entre esses personagens são apenas amplificações de pequenas coisas que fogem um pouco do que realmente não só queremos ver num romance na telona como também que tira um pouco do ar de mistério sobre os comos, porquês e o que faz efetivamente o coração bater por outra pessoa.

Quando Song faz a personagem de Johson esquecer o analítico, o transicional, e o cerebral, é que Amores Materialistaschega num momento “ok, vamos finalmente chegar lá em alguma coisa aqui!” só que ao mesmo tempo já estamos em mais da metade do filme que se passa nesse humor irônico e que realmente acaba por apenas fazer uma enrolação sem tamanho, com personagens completamente sem noção, em momentos sem noção.

Não dá para explicar o amor, o simples fato de amar, mas quando se coloca como uma transação comercial fica muito claro de por que alguns relacionamentos não dão certo. Como boa parte dos apresentados em Amores Materialistas. Mesmo que para Lucy e para o filme, as coisas não são fáceis ou simples. Mas quando são né?

No final, Song parece que ri de situações que são extremamente atípicas, mas que faz isso ser o lugar comum. Pelo menos entre os endinheirados da elite de Nova York que buscam validação e um lugar para gastar mais dinheiro com alguma coisa que nem vai ajudar de verdade. Vai ver que com Amores Materialistas, Song só diz quis mesmo dizer: cara vocês novaiorquinos com dinheiro são tudo doidos, não é mesmo?

Amores Materialistaschega em 31 de julho nos cinemas nacionais.

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