Shadow Force | Crítica: Carisma de protagonistas não sustenta fraco filme de ação

Uma coisa martelou na minha cabeça antes da minha sessão de Shadow Force (2025) começar era que me parecia muito curioso pensarmos que lá em 2005 a atriz Kerry Washington(Scandal, Pequenos Incêndios Por Toda Parte) tinha participado de Sr. e Sra. Smith, estrelado por Angelina Jolie e Brad Pitt, como uma das analistas que trabalhava para a espiã de Jolie no longa de ação e agora estrelava ela mesmo um filme do gênero.
20 anos depois, a atriz lidera o elenco de Shadow Forceque tem como premissa também acompanhar um casal de espiões que precisam se unir para tentarem sobreviver depois que a agência de espionagem e operações especiais que eles trabalhavam querem acabar com a raça dos dois. Mesmo divertido em alguns momentos e com a presença carismática tanto de Washington quanto do colega Omar Sy (Lupin), Shadow Forcenão consegue superar diversos outros problemas que afetam o desenrolar da narrativa.

E depois de Sr. e Sra Smith, diversos tipos de projetos (seja nos cinemas ou no streaming) tentaram replicar o que deu certo no longa, e muitos deles não conseguiram chegar nem perto. E Shadow Force é mais um que se junta nessa lista. Mas vale notar que seja louvável que agora temos dois protagonistas pretos, e um elenco majoritariamente formado por artistas negros, mesmo Shadow Force pareça (e que acaba por ser) mais um filme extremamente genérico, derivativo e preso numa narrativa formulaica que não entrega nada de mais para o gênero.
Claro, Shadow Force não ofende, ou entrega alguma coisa ruim, apenas que, ao assistir, o sentimento de déjà-vu e que já vi isso antes é gigante. Em defesa do filme, Shadow Forceaté tenta mudar alguma coisa aqui e ali para soar diferente, mas o roteiro de Joe Carnahan (que também dirige o longa depois de passar por séries como A Lista Negra e State Of Affairs) e de Leon Chills(que trabalhou na série The Wilds) faz tudo soar extremamente básico, narrativamente, falando, e sem um pingo de originalidade.
Da introdução desses personagens, como a do pai de família Isaac (Sy) que um dia ao visitar uma agência bancária com o filho Ky (Jahleel Kamara) vê o lugar ser invadido por criminosos que fazem os funcionários de reféns na tentativa de roubar o local e sairem com sacos de dinheiro. Na rápida cena, vemos Issac acabar com todos eles e sair do local como se nada tivesse acontecido. Descobrimos então, por conta do grande vilão do filme, o diretor da CIA Jack Cinder (Mark Strong) que Issac fazia parte de um grupo de elite conhecido como Shadow Force que foi desmantelado quando ele e Kyrah (Washington que tá tendo um bom ano com o ressurgimento de Scandal no streaming e prestes a estrear o novo Entre Facas e Segredos) resolveram abandonar a organização e ficaram anos em fuga.
Só que o casal, que vivia um relacionamento proibido, teve um filho, e decidiu se separar para proteger o garotinho, enquanto Issac ficou com ele e Kyrah começou a colher provas e evidências para derrubar o antigo chefe. E é curioso vermos que no começo de Shadow Force, a personagem de Washington nem aparece direito, e o peso de pesado fica com Sy que talvez, assim como a colega, tenha passado muito bem na caixinha de séries e não consegue fazer a transição para uma produção cinematográfica.
Tudo em Shadow Force grita filme de streaming. Talvez pelo orçamento, talvez, pela forma como Carnahan filma certas sequências, e até mesmo, pelo roteiro que tem muitas etapas para serem superadas e se move em uma narrativa serializada. Assim, quando Cinder, e seus capangas, os pau mandados Patrick (Marshall Cook) e Parker (Ed Quinn) resolve recrutar os outros membros da antiga Shadow Force para irem atrás de Issac e Kyrah, Shadow Force começa a ganhar mais ritmo na medida que as perseguições começam com explosões e tiroteios.

Mas tudo soa muito simples e fraco. Já que o filme não tem uma narrativa contínua e fica por voltar no passado para explicar o que acontece com os personagens e algumas das atitudes que eles tomam agora no presente enquanto estão em fuga. Shadow Forceprecisa ainda explicar como está a relação entre Kyrah e Issac, o longa ainda coloca o ator mirim Kamara para roubar as cenas com frases de efeito e uma atuação extremamente natural principalmente quando a dupla encontra os colegas, também espiões, do Tio (Cliff ‘Method Man’ Smith) e Tia (Da’Vine Joy Randolph). Curiosamente, é o primeiro projeto pós Oscar da atriz, mesmo que Randolph se mostra completamente desperdiçada, mesmo que até sua personagem tenha bons momentos.
Na medida que Cinder, e o próprio Strong, se tornam mais caricatos e quase uma paródia do que é um vilão de um filme de ação como Shadow Force, as consequências para essa família desestruturada se tornam mais mortais e perigosas quando eles tentam escapar por diversas cidades do mundo, veem Ky ser sequestrado, e decidem lá para pela primeira hora enfrentar o ex-chefe de frente, onde partem para a ilha isolada que ele usa como base de operação.
Mesmo com algumas reviravoltas típicas de filmes do gênero, Shadow Force segue sua narrativa sem pouca empolgação para o que pode, e que vai acontecer com esses personagens. Particularmente, ao assistir ao filme, eu pouco poderia me importar menos com todos eles. No final, Shadow Force até flerta com uma extremamente improvável sequência e a criação de uma nova franquia, mas tudo, como falado, parece ser lugar comum. É torcer para o filme achar uma audiência no streaming quando chegar nos próximos meses. Esperar não deve ser uma missão tão impossível para esse filme de espionagem e ação que entrega aquilo que parecia ser desde o começo: um filme mediano.
Shadow Force chega nos cinemas nacionais em 10 de julho.











