43ª Mostra SP | Afterlife (Hiernamaals) – Resenha

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Afterlife (Hiernamaals, no original em holandês) tem direção e roteiro de Willem Bosch. O longa ganhou o prêmio Jim Ewing de Jovem Diretor no Festival de Port Townsend.

Sinopse:

Após a morte da mãe, Sam (Sanaa Giwa), que tem 14 anos, assume a maior parte das responsabilidades domésticas. Quando a garota também acaba na vida após a morte e descobre que pode se recuperar, ela dá uma nova chance à vida com a única missão de salvar sua mãe.

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O que achamos:

Afterlife não conta uma história original, mas garante que você irá aproveitar um novo mundo criado, e apresentado no filme, e principalmente, deverá sair bastante pensativo da sessão. 

Com uma mistura das séries The Good Place (Netflix) e Boneca Russa (Netflix) com o filme Feitiço no Tempo (1993), na trama acompanhamos a jovem Sam (Sanaa Giwa, uma revelação) em uma jornada além da vida para tentar entender e compreender as leis universais que regem a vida, e claro, a morte.

De uma forma digamos até bem humorada em sua proposta, Willem Bosch, que dirige e é responsável pelo roteiro, consegue capturar a atenção do espectador, ao introduzir os elementos de sua história e nos jogar no peculiar mundo que Afterlife nos apresenta.

Após a morte de sua mãe, Sam vive sua vida no piloto automático, realiza suas tarefas escolares, e literalmente vê sua vida passar. Assim, na figura de Martin (Jan-Paul Buijs), um tipo de anjo da guarda que bisbilhota a vida de Sam na Terra, acompanhamos a vida de Sam, até o momento que ela sofre um acidente de carro e morre.

E então, BEM-VINDO AO BOM LUGAR. Sam, e o espectador, são apresentados à visão do diretor para a vida após morte, e de uma forma divertida, e até mesmo lúdica, o filme se empenha em nos mostrar as regras, o que pode e o que não pode nesse novo lugar. 

Vemos, de uma forma bastante emotiva, Sam, chegar no local em busca de sua mãe, onde a garota precisa absorver informações rapidamente, e tomar decisões difíceis para uma jovem de 15 anos.

E mesmo não se aprofundando nas próprias questões filosóficas e existenciais que roteiro levanta e se pergunta, Afterlife consegue falar, mesmo que de uma forma considerada simples, sobre mortalidade, reencarnação, e caminhos não percorridos de um jeito bastante satisfatório.

Ao optar em retornar para uma nova chance, e assim, consequentemente, tentar salvar sua mãe de um destino trágico, vemos Sam embarcar nessa nova e curiosa missão. Do seu nascimento, passando pelo mantra interminável que a garota cantarola para tentar lembrar da sua outra vida temendo que a história se repita, até a sua adolescência, vemos novamente toda uma nova vida para a garota. E ao mesmo tempo, o diretor consegue nos deixar apreensivos com as novas informações que essa segunda jornada de Sam na Terra podem afetar sua missão.

Afterlife nos mostra uma visão intima, e bastante, peculiar sobre relacionamentos, conviver com o luto, e aceitar que alguns destinos são mais certos do que outros. Sam saí dessa nova jornada completamente mudada, onde o filme caminha para o seu final, com tom muito mais sombrio, e triste, do que aparentemente ele parecia ser no seu começo.

Assim, vemos, o que realmente aconteceu com sua mãe, na medida que o fatídico dia que Sam sempre temeu chega, uma verdadeira corrida contra o tempo que deixa o filme ficar ainda mais emocionante pelo fato de conseguirmos nos importar e conectar a personagem.

No final, Afterlife conta uma história sobre questões universais, que abraça um lado mais simples em sua concepção, mesmo que não deixe de querer passar uma mensagem sobre destino e vida. Um curioso e peculiar filme. 

Nota:

Afterlife não tem previsão de estreia no Brasil.

Filme visto na 43ª Mostra Internacional de São Paulo.

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Miguel Morales

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